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Vereador renuncia ao mandato por falta de privacidade e "medo de perder família".


Um vereador eleito na cidade de São Sebastião de Lagoa de Roça, no Agreste paraibano, renunciou ao mandato pouco mais de dois meses após assumir o cargo na Câmara Municipal. “Eu perdi meu sossego e não tinha mais tempo para a minha família. O povo não parava de me procurar, bater na minha porta pedindo coisa, me ligando e mandando mensagem. Eu e minha família perdemos a privacidade”, disse Leandro Ferreira do Nascimento, conhecido como "Leandro Lapada" (PMDB), terceiro vereador mais votado da cidade nas eleições 2016 - com 529 votos (7,5% do total).

Leandro disse ao G1 que sempre trabalhou em campanhas ajudando candidatos da família, mas nunca quis disputar eleições. “Antes dessa eleição, eu estava com dois amigos e decidimos que um de nós se candidataria, apenas para brincar, colocar paredão na rua, fazer uma agitação. Mas, a família soube e começou a me apoiar. Acabei ganhando como terceiro mais bem votado”, explica.

Depois de eleito, Leandro Lapada disse que perdeu o sossego. O subsídio de vereador na cidade de São Sebastião de Lagoa de Roça é de cerca de R$ 4 mil. 

"Como vereador eu queria ajudar todo mundo, mas não estava mais aguentando. Sem contar que eu não podia mais ir a uma missa, sair com minha família para um restaurante no fim de semana. Fiz isso pra não perder minha família. Renunciei e foi a melhor coisa que fiz”, disse.

No dia 28 de março ele entregou a carta e renunciou oficialmente o cargo. Agora, Leandro e a esposa estão abrindo um mercadinho na cidade.

"Estou feliz da vida. Minha vida melhorou demais. O povo não me pede mais, não liga mais pra mim, não manda mensagem, não bate minha porta. Nunca mais quero saber de me candidatar".

Segundo o ex-vereador, o que ele recebia como vereador não compensava o trabalho que ele estava tendo, nem as preocupações. “Eu sempre trabalhei e corri atrás de ganhar o meu dinheiro. Todo mundo acha estranho alguém deixar de ganhar o que o vereador ganha, para arriscar viver até de um salário mínimo trabalhando em outro lugar”, afirmou.



G1

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