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Faleceu em Picuí o Picuiense e poeta popular Antonio Henriques Neto.

Antonio Henriques Neto 
Neste sábado (9), faleceu em Picuí o poeta popular Antonio Henriques Neto, 93 anos, Picuiense, autodidata, autor de vários livros de poesias populares. Seu Antonio era bastante conhecido, chegou a ter programas de rádio nas duas emissoras da cidade, onde divulgava suas poesias folclóricas e a cultura popular de maneira geral.

Seu oficio literário começou na boleia de um caminhão, tomando na ponta do lápis as lições do gramático Alpheu Tersariol. Poeta e folclorista autodidata, Antonio Henriques Neto teve oficialmente três livros publicados: “Poesias dispersas” (1979). “Poesia, Folclore e Nordeste” (1985) e ‘Voz de um Homem Rude “(2001). Em seus poemas, muitos dos quais ainda inéditos, organizados em pastas que mantêm na biblioteca improvisada aos fundos de sua casa, a cultura do matuto é destrinchada por versos que registram o linguajar pitoresco desse povo e o amor por sua terra.

Em seus livros o poeta sempre homenageava sua terra natal. Confira abaixo: 

Neste Picuí Sertanejo Celeiro dos Minerais

I

Picuí terra querida
Doce berço dos meus sonhos
Que nos momentos tristonhos
Sempre alegrou minha vida,
Me dando em contrapartida
Sentimentos fraternais,
Para amar e querer mais
Este solo benfazejo
Deste Picuí sertanejo
Celeiro dos minerais.

II

Terra de São Sebastião
Nosso santo padroeiro,
Sua festa em Janeiro
É de grande repercussão
Finda com a procissão
Pelas ruas principais,
Com acordes musicais
Muitos hinos e festejos.
Neste Picuí sertanejo
Celeiro dos minerais.

    III

Berço do comendador
Felipe Tiago Gomes,
Um dos consagrados nomes
Em termos de educador,
Reconhecido benfeitor
Dos setores culturais
Que ao vencer seus ideais
Satisfazia o seu desejo.
Neste Picuí sertanejo
Celeiro dos minerais.

IV

Picuí do reminiscente
Abílio Cesar de Oliveira
Que escreveu a verdadeira
História de nossa gente.
Os heróis de antigamente
De fecundos ideais,
Pioneiros principais
Do progresso que hoje vejo
Neste Picuí sertanejo
Celeiro dos minerais.
         
 V

Picuí de juventude
Inteligente, bela e forte,
Que estuda, pratica esporte,
É feliz, goza saúde,
E tem ampla plenitude
Em ambientes sociais,
Animando festivais
Em qualquer um lugarejo
Deste Picuí sertanejo
Celeiro de minerais.

  VI

Picuí da CENECISTA
Mensageira da região,
A seresteira do sertão,
Pontual e realista,
Transmissora diarista
De vários comerciais,
E querida por demais
Da cidade ao vilarejo,
Deste Picuí sertanejo
Celeiro dos minerais.

 VII

Picuí do garimpeiro
Conhecedor do subsolo
De bateia a tiracolo
Se infiltra no tabuleiro
A procura do veeiro
Cava tuneis colossais
Dinamitando cristais
Sem de luz ter um lampejo.
Neste Picuí sertanejo
Celeiro dos minerais.

 VIII

Eu sou Picuiense nato
No seu chão sou radicado,
Vivendo gratificado
Pelo carinhoso trato
Que recebo muito grato
Das camadas sociais,
Por isto, endeuso demais
O chão do primeiro beijo
Neste Picuí sertanejo
Celeiro dos minerais!


Transcrita do livro de poesias Voz de Um Homem Rude – Ano 2001 – de autoria do poeta Picuiense Antonio Henrique Neto.


O corpo será velado no ginásio de esportes Felipe Tiago Gomes e o sepultamento será realizado neste domingo (10), às 16:00 hs, no cemitério do bairro Monte Santo, Picuí.


ClickPicuí 

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