Piso dos professores volta a ser debatido em Comissão; gestores pedem ajuda da União.
A Comissão de Educação e Cultura (CEC) da Câmara dos Deputados promoveu
audiência pública para discutir, mais uma vez, as dificuldades de Estados e
Municípios no cumprimento da Lei do Piso dos professores. O debate ocorreu às 14
horas desta terça-feira, 22 de maio, e houve consenso por parte dos convidados
de que a União, detentora de 60% do total de impostos arrecadados no país,
auxilie financeiramente governadores e prefeitos.
O deputado Luiz Noé (PSB-RS) foi o requerente da
audiência. Ele convidou autoridades gaúchas, pois o Estado recentemente
contestou na justiça a constitucionalidade de distintos dispositivos da Lei
11.738/2008, conhecida como Lei do Piso. A contestação não teve
sucesso.
Noé presidiu a discussão e estimulou os convidados a
apresentarem os problemas enfrentados pelos gestores municipais e governos
estaduais e indicarem possíveis saídas para o cumprimento da
legislação.
Lei
inviávelO prefeito de
Cruz Alta (RS), Vilson dos Santos, depôs como exemplo na audiência. Em 2011 o
gestor conseguiu pagar os professores o valor determinado na lei. Todavia, este
ano não foi capaz de cumpri-lo por causa do reajuste de 22% indicados para este
ano. “Esse índice irá impedir os governos estaduais e municipais de pagarem o
piso em longo prazo. Além disso, os Municípios acabam rapidamente chegando ao
limite para pagamento de pessoal previsto na Lei de Responsabilidade
Fiscal".
Vilson dos Santos lamenta outro problema gerado por
causa da aprovação desta Lei: a política de estabelecimentos de pisos nas demais
categorias do serviço público municipal. “Isso esgota a capacidade de resposta
do governo local que já possui 49% de sua receita destinada às folhas de
pagamentos da administração municipal”, informa.
ReajusteA
secretária-Adjunta de Educação do Rio Grande do Sul, Maria Nascimento, fez
críticas ao índice de reajuste do piso salarial. Fixado esse ano em R$ 1.451, o
salário da categoria deve crescer 22% este ano, pois é reajustado pelo valor
anual mínimo por aluno definido no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da
Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). O
presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski,
defende a mudança desse indicador pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA).
Outro convidado, o secretário de Estado de Administração
de Pernambuco, Ricardo Dantas, também é contra o indicador atual. Ele alerta
para uma “insustentabilidade contábil [para Estados e Municípios] a ser gerada
futuramente pelo dispositivo”. Dantas afirma que o Estado não é contra o piso,
mas que o indexador Custo-Aluno/Ano traz a preocupação de que não haja como
cumprir a lei nos próximos anos. “Em Pernambuco, a despesa com o magistério
passará de R$ 1,1 bilhão em 2011 para R$ 4,2 bilhões em 2020, avançando de 25%
para 28% da receita líquida de impostos”.
Consenso com a categoriaO
vice-presidente da Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação (CNTE),
Milton Canuto, também foi convocado para a audiência. Ele atentou para a
necessidade de uma profunda mudança nos mecanismos de financiamento da Educação
no Brasil. A entidade concorda com a complementação da União, mas não abre mão
do piso.
Agência CNM

Entendo a preocupação dos Gestores com a "Lei de Responsabilidade Fiscal" (Talvez seja uma lei que já exija mudanças, em função de novos parâmetros de fundamentação). Por outro lado, Estes mesmos gestores se obrigarão a repassar ao salario de seus professores o mesmo reajuste de 22,22% atribuído ao "valor aluno", nos repasses do FUNDEB, visto que geralmente já trabalham com o limite mínimo próximo aos 60% destes recursos do FUNDEB para pagamento do quadro de professores. Vendo-se desta forma, a equação matemática torna-se muito simples de ser entendida!
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