Confederação Nacional de Municípios convoca cruzada nacional para derrubar veto ao projeto dos royalties.
A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) divulgou nota na qual lamenta o
veto presidencial à regra que garantia a distribuição dos royalties do
petróleo para todo o país, fruto de acordo envolvendo representantes do governo
federal, presidentes da Câmara e do Senado, líderes partidários e dirigentes de
órgãos sociais. A entidade também convoca os filiados para uma “cruzada
nacional” pela derrubada do veto no Congresso.
Assinada pelo presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, o documento ressalta que o
acordo foi construído para evitar a apreciação do veto que o então presidente
Luiz Inácio Lula da Silva fez ao projeto aprovado pelo Congresso em 2010. A CNM
diz que “não compreende”, portanto, a mudança de posição do governo, que ora
descumpre o acordo firmado em outubro do ano passado.
A confederação considera “absurda” a justificativa do veto, fundamentada no
argumento de quebra de contratos, uma vez que os instrumentos celebrados entre
as empresas e a Agência Nacional de Petróleo (ANP) não sofreriam qualquer tipo
de alteração. As alterações propostas no projeto mudavam apenas a forma de
distribuição das receitas de royalties entre a União, os estados e
municípios.
De acordo com a CNM, o veto manterá o “privilégio injustificado” de dois
estados e 30 municípios, que receberão R$ 201 bilhões até o final de 2020,
enquanto o restante do país, equivalente a 170 milhões de pessoas, terá direito
a apenas R$ 17 bilhões. “É, portanto, inaceitável a perpetuação do modelo que
promove tamanha concentração de recursos”.
A entidade diz ainda que a decisão presidencial significa, na prática, um
veto à educação, uma vez que a regra mantida com o veto não possibilita
investimentos na área. O Brasil terá, pois, que esperar mais de dez anos para
poder fazer investimentos em educação, uma vez que o regime de partilha só vai
gerar recursos a partir de então. Enquanto isso, aproximadamente R$ 400 bilhões
deixarão de ir para a educação, segundo estimativa da ANP.
Agência Brasil


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