PICUÍ PB: Desabafo de jovem agricultor sobre a seca.
Estava ainda a pouco na
Comunidade Mendes, zona rural do município de Picuí, onde passo boa parte do
meu tempo e observei bastante coisas que resolvi compartilhar com vocês, em
relação a seca, por exemplo:
A morte de várias plantas
frutíferas que normalmente conseguem sobreviver aos longos períodos de estiagem
da nossa região, como a mangueira o cajueiro e etc. Mas, percebi também que
algumas plantas típicas do bioma caatinga como o marmeleiro praticamente está
desaparecendo, alguns poucos que ainda existem encontram- se bastante secos,
também é notória a não reprodução das aves, não se vê um único ninho, e até os
Anuns (pássaros), tão conhecidos e resistentes a seca, não se tem visto mais,
talvez pela falta de água ou de alimentos, visto que as plantas que ainda
restam não conseguem produzir frutos e a água que tem em alguns casos é apenas
aquela em que o agricultor colocar para o gado e que alguns outros animais aves
e insetos aproveitam para matar sua sede.
Algumas plantas a exemplo do
facheiro e cardeiro, encontram-se muchos e amarelados, mostrado a falta de
água, o que é mau sinal, pois o agricultor em especial aquele que também cria
alguns animais precisam deles para alimentar seu rebanho, e em alguns casos
estes já foram tão utilizados que correm o risco de acabar em pouco tempo,
visto que não a palma foi o primeiro alimento ofertado aos rebanhos, dessa
forma, as áreas com plantações de palma sobraram apenas os troncos. As coroas
de frade estão praticamente extintas, desta forma percebe-se que a situação é
realmente bastante difícil, mas diante da inexistência de tantas coisas uma
chama mais atenção “é a falta de recursos por parte dos governos”, para que as
pessoas principalmente as que vivem no campo, possam manter seus rebanhos e
assim permanecerem contribuindo para colocar o alimento na mesa de milhões de
brasileiros através de muito trabalho e suor derramado. Pois, não dá pra
entender que um país que produz tanta soja, milho, algodão, etc, não tenha
capacidade de vender um pouco para os governos, para que esses repassem para os
criadores no mínimo por um preço mais barato, e que não se tenha tanta
burocracia ao se COMPRAR UM SACO DE RAÇÃO, onde em muitas vezes produzimos e
vendemos quase de graça.
É chato quando algumas pessoas se
dirigem a nós AGRICULTORES E MORADORES DA ZONA RURAL, pedindo para que poupamos
água. Nós somos acostumados a poupar água a vida toda.
Os governos não investem em
políticas públicas solidas para a convivência com a seca, nem neste período tão
crítico não se ver construir uma cisterna ou perfurar um poço, para servir de
alternativa futuramente, já que agora não tem água, deveria se fazer algum
coisa pois nós já vivemos com a escassez a muito tempo e compramos água para
tudo, em vez de se pedir para que poupamos água o que já fazemos, construam
poços, pois temos água no subsolo que não é utilizada.
É engraçado quando algumas
autoridades aparecem para visitar os efeitos da seca, mas engraçado ainda é
saber que eles não conhecem a dura realidade. Desta forma é muito difícil!
Em que planeta eles vivem em?
Espero eu que Deus o criador do
universo nós mande chuva e chuva em abundância, pois ele é o único que nós
entende e nos dá força para resistir.
POR: JOÃO PAULO DE OLIVEIRA SILVA
– AGRICULTOR.
GRADUANDO EM AGROECOLOGIA – IFPB
Clickpicui com diário do curimataú


Parabéns João Paulo pelo seu depoimento,é bom que todos os políticos lessem e que faça alguma melhora por nós agricultores.
ResponderExcluirParabéns João Paulo pelo seu depoimento,é bom que todos os políticos lessem e que faça alguma melhora por nós agricultores.
ResponderExcluirTalvez o João não tenha vivenciado as frentes de emergencia e os saques as feiras livres nas secas ocorridas até a década de 90. Essa seca de 2012 entrando em 2013 conta com o novo Nordeste do Bolsa Família, das seicentas mil cisternas já construidas e do garantia safra. Ou seja, não há fome humana. O problema com os animais é uma questão de falta de educação para a convivencia com essa realidade. Do pomto de vista ecológico, metabolismos importantes ocorrem durante a seca no semiárido.
ResponderExcluirAgora, localmente os gestores são incompetentes e sem visão para lidar com as diversas políticas dispostas pelo ente federal destinadas a atenuar os efeitos imediato e estruturar a região para futuras intempéries.
Não vamos cair na lógica apelativa da globo, gente!
Nós temos que perceber que estamos em 2013 e a realidade dos anos 90 era ainda pior mas sabemos que o bolsa familia contribui só que não dá para matar a fome e a sede de familia nenhuma por que é muito pouco, em relação aos altos impostos cobrados pelo governo e que pagamos todos os dias, também com o garantia safra as pessoas não podem contar muito e é até vergonhoso colocar isto em questão visto que é um programa, que demora demais a assistir os envolvidos que se estes forem esperar morrerão de fome e sede pois nem todo ano sai e nem em todo lugar, em relação as cisternas é bastante louvavel que tenham sido construidas 600 mesmo sendo muito poucas em relação ao ano em que o projeto foi criado,e além disso no momento elas não servem muito pois de que se adianta tê-las se não tem dinheiro para comprar água, na realidade o que se tem é pouco muito pouco para tudo aquilo que somos e representamos para o país, não podemos ficar calados diante desta realidade, em relação aos animais e as politicas dispostas pelo governo se tem um grande erro, pois os recursos não chega a quem precisa e tem muita gente ganhando dinheiro em cima disso não é verdade? e ainda bem que tem a globo a record e outras emissoras para mostrar a realidade da região o pior seria se isso ficasse escondido para não desagradar aos culpados.
ResponderExcluirAs cisternas estão sendo abastecidas pelo governo federal, através do exercito. Elas são 600000. Falar do que está distante é muito bom. Vamos falar das incompetencias e irregularidades de perto.
ExcluirAs cisternas estão sendo abastecidas pelo governo federal, através do exercito. Elas são 600000. Falar do que está distante é muito bom. Vamos falar das incompetencias e irregularidades de perto.
ExcluirEstando errado agente fala de qualquer um, mas mande seu governo abastecer as cisternas da região da caatinga que estão precisando.
ResponderExcluirAtualmente, os programas de governo para o combate a seca e convivência com o semiárido nordestino, estão divididos em algumas frentes, como o acréscimo de mais parcelas no seguro safra 2011/2012 que em principio seria de 5 (cinco)parcelas, atualmente são de 9 (nove). E que a Secretaria de Agricultura e o Conselho municipal, cadastraram e outorgaram 1,317 famílias.
ResponderExcluirOutra medida tomada pelo Governo Federal e desenvolvido pelo Município de Picuí foi o Bolsa Estiagem que também foi prorrogado para 9 (nove) parcelas.
No que se refere a construção de Cisternas, Barragens Subterrâneas,Barreiros, Açudes e outras medidas de retenção e armazenamento, quando se refere a recurso do Governo Federal, a exemplo das Cisternas, o cadastro e construção se da através de licitação de execução, não passando pelos municípios ou Estado, atualmente no estado da Paraíba ha em execução através da ASA nordeste que tem como parceiras organizações civis populares, e que infelizmente na maioria das vezes são ligados a grupos políticos, dos mais variados lados, e por este motivo, ou outro ao qual desconheço não cadastram todas a famílias que não possuem cisternas, a exemplo distante, Pombal que na licitação teriam de cadastrar somente 440 (quatrocentas e quarenta) famílias das mais de 600 que naquele município não possuem cisterna, porém, a organização se limitou a cadastrar somente 352, não por falta de tempo.
Nosso município também esta nessa licitação e que tem uma organização que esta sendo PAGA para realizar cadastro e a construção, o que me desculpem não sei qual é e nem se esta localizada no município. oque sei é que em nosso município existem mais de 1.900 (mil e novecentas)propriedades rurais das quais mais de 1.500 (mil e quinhentas) já possuem cisternas, me pergunto se essas quatrocentas e tantas famílias, ja cadastradas pelo município mas não de responsabilidade na execução, foram visitadas e cadastradas por esta organização popular, uma vez que ha possibilidade da construção de todas, quem me falou isso foi Aldo Carneiro, Coordenador do programa no estado.
Jeferson de Campos Barreto
Professor de História para a educação do campo
Curso de História dos Movimentos Sociais do Campo
Universidade Federal da Paraíba
No que se refere a construção de Cisternas, Barragens Subterrâneas,Barreiros, Açudes e outras medidas de retenção e armazenamento, quando se refere a recurso do Governo Federal, a exemplo das Cisternas, o cadastro e construção se da através de licitação de execução, não passando pelos municípios ou Estado, atualmente no estado da Paraíba ha em execução através da ASA nordeste que tem como parceiras organizações civis populares, e que infelizmente na maioria das vezes são ligados a grupos políticos, dos mais variados lados, e por este motivo, ou outro ao qual desconheço não cadastram todas a famílias que não possuem cisternas, a exemplo distante, Pombal que na licitação teriam de cadastrar somente 440 (quatrocentas e quarenta) famílias das mais de 600 que naquele município não possuem cisterna, porém, a organização se limitou a cadastrar somente 352, não por falta de tempo.
ResponderExcluirNosso município também esta nessa licitação e que tem uma organização que esta sendo PAGA para realizar cadastro e a construção, o que me desculpem não sei qual é e nem se esta localizada no município. oque sei é que em nosso município existem mais de 1.900 (mil e novecentas)propriedades rurais das quais mais de 1.500 (mil e quinhentas) já possuem cisternas, me pergunto se essas quatrocentas e tantas famílias, ja cadastradas pelo município mas não de responsabilidade na execução, foram visitadas e cadastradas por esta organização popular, uma vez que ha possibilidade da construção de todas, quem me falou isso foi Aldo Carneiro, Coordenador do programa no estado.
No que se refere a manutenção do rebanho, concordo com nosso amigo João, falta vontade de quem produz muito milho e não quer vender para o governo por um preço mais em conta ou no mesmo preço de mercado, não querem ou esperar que o preço de mercado suba ou que o governo compre mais caro, o agricultor que fique esperando o governo comprar milho e mandar para as regiões.
O Governo do Estado, também disponibiliza com preço subsidiado (ele paga 55%) torta de algodão, farelo de soja e silagem de milho. é o único estado a fazer isto, assim como Picuí é o único município a fazer uma parceira para vender esta ração na região que não existe base da EMPASA. o agricultor tem que comprovar o minimo, a terra, os animais, e se é ele mesmo, sem registar nada. e leva menos de 30 dias para o cadastro estar no sistema (me pergunto quanto tempo é na Conab?) e o minimo é de três sacos, e não um.
O município esta tentando trazer também o milho da Conab, para a região (me pergunto, qual sindicato da região já protocolou um pedido parecido? qual associação fez isso? que vereador cobrou da Conab a venda mais próxima do agricultor? se fez cade este documento?)
Venho de uma família de agricultores que não possuem, um pedaço de terra par chamar de seu, sempre vivemos de uma terra pra outra com a sorte na mão dos outros, desde sedo descobri que para os que não tem ou tem pouco a solução é se organizar, o governo sempre fez pouco (tanto Federal, Estadual, como em Qualquer município) fazem um pouco mais nos últimos anos, não é o suficiente e nunca será.
Sempre acreditei que a organização e mobilização popular resolve mais, temos tantas experiencias concretas de comunidades organizadas que formaram, instruíram e capacitaram os agricultores, no período da fartura para se preparar pra seca. E nossas comunidades se organizaram? os sindicatos da região fizeram seu papel?
Jeferson de Campos Barreto
Professor de História para a educação do campo
Curso de História dos Movimentos Sociais do Campo
Universidade Federal da Paraíba
Escutei uma entrevista do coordenador da ASA nordeste que dizia que conviver com o semiárido é fazer reserva, reserva de água de comida, de ração para os animais e por ai vai. muito boa a entrevista quem quiser ver ai esta o endereço, concordo em muito com ele.
ResponderExcluirhttp://www.canal.fiocruz.br/video/index.php?v=populacao-do-semiarido
João é um rapaz que estuda agroecologia e já serve a sua comunidade, defendo que o sujeito que estuda em um órgão de ensino que é financiado com dinheiro do povo preste serviço a sua comunidade, leve seu conhecimento ao agricultor no caso, o ajude o instrua, partilhe o que aprendeu, João faz isso através do programa de radio que ele faz parte, mas e os tantos outros jovens brasileiros que estudo as custas do povo e que viram as costas para os mesmos quando se formam e trabalham por dinheiro para quem paga mais, não sou contra o sujeito ter seu trabalho descente bom e bem remunerado, também quero isso, porem, nós de escola superior publica temos uma divida moral e social de alguma forma nos doarmos para a população que precisa do que estudamos as custas do dinheiro do povo.
Gosto muito de debates deste gênero, sem ofensas limpo, já o fiz com o próprio João, mas meu pai sempre me ensinou que temos de estudar, conhecer e ver o que falamos, João ta certo, muita gente fala da seca, sem saber, critica e não faz nada, diz ter pena do agricultor e lava o carro de dois em dois dias com a torneira aberta.
A responsabilidade é de todos, a consciência de cada um.
Jeferson de Campos Barreto
Professor de História para a educação do campo
Curso de História dos Movimentos Sociais do Campo
Universidade Federal da Paraíba