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Colunista comenta sobre a escalada de acidentes envolvendo motos.


Leia trechos do comentário do colunista Arimatéa Souza, do Jornal da Paraíba, acerca da escalada de acidentes envolvendo motocicletas.

Justificadamente, o Brasil e o mundo estão perplexos e chocados desde o último domingo com a tragédia que se abateu sobre a cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, matando quase 250 pessoas, predominantemente jovens.

À dor se mistura a inconformação com o encadeamento de falhas e deslizes funcionais que modelaram o desfecho pavoroso.

Mas aproveito essa consternação para novamente alertar sobre outra tragédia que ocorre entre nós, paraibanos, com a singularidade de vir de maneira gradual, anestesiando o horror e banalizando as suas consequências.

Falo da sucessão de acidentes envolvendo motocicletas que deságuam nos hospitais de emergência do Estado, especialmente o ´Dom Luís Fernandes´, em Campina, o maior da Paraíba, que por esse motivo atrai pacientes de muitas regiões.

Em dezembro último foram 998 acidentes envolvendo motos que necessitaram de atendimento hospitalar.

“Os números sobre motos são assustadores”, observa o diretor técnico do hospital, médico Flawber Cruz.

Os desdobramentos dessas ocorrências não são menos preocupantes.

65% das cirurgias realizadas no ´Trauma´ têm como causa acidente com motos. Esses veículos geram uma média de dez amputações de membros mensalmente.

A grande maioria dos acidentados é formada por jovens com até 21 anos. Predominantemente, esses fatos ocorrem nos finais de semana.

Já existe dificuldade para a escalação de pessoal médico e paramédico nos finais de semana e feriados, pelo fato de os profissionais serem submetidos a uma carga brutal de trabalho.

O volume de atendimentos impede até mesmo um breve descanso.

Um levantamento feito pela previdência social traduz os efeitos dessa situação no mercado de trabalho: 70% dos acidentados com motos ficam inválidos por até dois anos.
Os outros 30% ficam inválidos de maneira irreversível.

Na media, 20% dos acidentados que são socorridos vão a óbito.

Isto é: figurativamente, os acidentes no trânsito com veículos de duas rodas produzem a cada mês, entre nós, a dizimação que a boate Kiss sediou domingo último.


Fonte: jponline

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