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O SEMIÁRIDO É SECO E NÃO CHUVOSO.



Bom... UMA das minhas ocupações além da ADVOCACIA, tem sido a de me voltar para a atividade AGRÍCOLA, primeira que conheci e atuei até meus 15 anos, quando, por razões até hoje presentes nos campos e nas cidades localizadas no semiárido nordestino, sai de lá em busca de uma melhor condição para a vida. Felizmente encontrei!! Mas ... interessante é que a gente nunca esquece as origens... Melhor ainda é que a vida me possibilitou inúmeras paragens por ai a fora. Muitas delas me fez olhar para aquela primeira com outros olhos.

Esse olhar tem me ajudado a reforçar minha identidade como brasileiro nordestino, filho de PICUÍ-PB. Assim, hoje tenho plena convicção de que nasci e me criei e tenho raízes ficadas num dos 1.135 município localizados geograficamente na região SEMIÁRIDA do Brasil, espaço esse em que, dados os naturais períodos de estiagem prolongados e o aquecimento global, tem feito com que as chuvas sejam cada vez mais irregulares e em menor quantidade.

Mas, uma coisa tem me instigado nesses dias: É o fato de que a região, por ser semiárida, chove pouco. Portanto, todo estudo, toda compreensão sobre ela, toda cultura e toda política, deve ser feita tendo por base o fato da SEMIARIDEZ da região. Ou seja, períodos de estiagem em menor ou maior espaço de tempo. As chuvas, poucas; quando muita, irregulares.

Não é assim que enxergam, nem o homem que nela habita e muito menos os governantes passados e os atuais. Salvo exceções raras, toda a política, toda a cultura do povo que nela habita, todos os reclamos desses dias em que atravessamos por um período de SECA prolongado, tem girado em torno do fato FALTA DA CHUVA e seus efeitos, como se a CHUVA fosse o fato corriqueiro e não a ESTIAGEM.

Ora, nós, filhos dessa imensa região brasileira, nascemos no SEMIÁRIDO brasileiro. Aqui não gela como nas regiões situadas próximas dos polos norte e sul do planeta, tampouco chove com a intensidade que ocorre, por exemplo, no norte do País. Por aqui as chuvas, quando  ocorrem,  são irregulares e não passam de três ou quatro meses seguidos. O resto é o sol brilhando e secando nossas plantas e torrões e junto com o vento evaporando as águas armazenadas.

Então, proponho que cada um de nós, sem exceção, passemos a ver o semiárido como ele é, PREDOMINANTEMENTE SECO, e não como gostaríamos que fosse, CHUVOSO. Quando mudarmos essa compreensão não assistiremos aos atuais estados de calamidade pública que já vivenciamos estamos vivenciando nos dias atuais. A autoestima do povo será elevada e compreenderemos que viver nessa região, por inúmeras razões, é tão bom quanto viver num lugar CHUVOSO, quem sabe, até melhor. Afinal, nela o sol brilha mais tempo!

Pedro Reginaldo Gomes

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