Bolsa Família, Fundeb e FPM bancam prefeituras.
Em 2012, o governo federal repassou pouco mais de R$ 7,1 bilhões para a Paraíba,
sendo R$ 3,25 bilhões para o governo do Estado e R$ 3,862 para as 223
prefeituras. Do total de transferências para as cidades, cerca de R$ 3,5 bilhões
são do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Professores da Educação
(Fundeb) e o programa Bolsa Família, o que representa 90% dos repasses para as
prefeituras.
No ano passado, a União repassou para os municípios paraibanos R$ 1,8 bilhão
de FPM, R$ 1,037 bilhão do Fundeb e R$ 663 milhões do Bolsa Família, conforme
levantamento feito no Portal da Transparência do governo federal. Um exemplo é a
cidade de Água Branca, no Sertão, que tem uma população de 9.611 habitantes.
Praticamente sem receitas próprias, seja de IPTU e ISS, além do ICMS, que é
repartido com o Estado, a prefeitura de Água Branca recebeu, no ano passado, do
governo federal pouco mais de R$ 11 milhões Do total, R$ 4,8 milhões foram do
Fundo de Participação dos Municípios e R$ 2,6 milhões do Fundeb, enquanto o
Bolsa Família somou recursos superiores a R$ 2,3 milhões.
Em Areia de Baraúnas, também no Sertão, com 1.901 habitantes, a realidade
financeira não é diferente. Em 2010, as transferências federais ultrapassaram R$
6 milhões. Destes, R$ 4,7 milhões são do FPM, R$ 609 mil do Fundeb e R$ 478 mil
do Bolsa Família.
MAIORES
Dos mais de R$ 3,8 bilhões repassados pela União
para os 223 municípios, 31% (R$ 1,2 bilhão) dos recursos ficaram com 12 cidades.
A capital João Pessoa recebeu R$ 513 milhões, a maior fatia, seguida por Campina
Grande (R$ 200 milhões), Patos (R$ 89 milhões), Santa Rita (R$ 87 milhões),
Bayeux (R$ 58 milhões), Cajazeiras (R$ 43,8 milhões), Sousa (R$ 43,4 milhões),
Sapé (R$ 42 milhões), Alhandra (R$ 39,8 milhões), Queimadas (R$ 39 milhões) e
Cabedelo (R$ 37 milhões).
CRESCIMENTO
Em cinco anos, repasses federais para a
Paraíba, incluindo as transferências para o governo do Estado e 223 prefeituras,
cresceram apenas 21%. Em 2008, a União repassou R$ 5,86 milhões. Em 2012, as
transferências totais chegaram a R$ 7,1 milhões. Todavia, houve uma redução de
4,7% em relação aos repasses do ano passado comparados aos de 2011.
SECRETÁRIO DEFENDE REFORMA TRIBUTÁRIA
O secretário estadual de Articulação Municipal, Manoel Ludgério, disse que a
dependência dos municípios do FPM, Fundeb e Bolsa Família é causada pela grande
concentração dos tributos pelo governo federal, deixando os pequenos Estados e
os municípios de “mãos vazias”. Diante disso, ele defende uma nova divisão dos
tributos.
“Sem dúvida, a raiz maior dos graves problemas que o Brasil vive no momento
está na concentração absoluta e absurda dos recursos tributários nas mãos da
União. Para inverter essa lógica, é preciso fazer a redistribuição de renda e
uma reforma tributária justa, dentro de um novo pacto federativo”, defende
Ludgério.
Enquanto não sai o pacto federativo, o secretário comentou que o governo do
Estado investe nos municípios em obras e no Pacto Social. Na primeira edição,
foram liberados R$ 25,1 milhões em projetos na educação e R$ 11,8 milhões para a
saúde, beneficiando 180 municípios.
Na próxima segunda-feira, serão lançados os editais da segunda etapa do pacto
com investimentos de R$ 80 milhões.
“A educação e a saúde são as áreas
prioritárias para o Pacto Social, mas o governo vai envolver outras áreas como a
infraestrutura para ampliar os resultados. O governo federal deveria se espelhar
na nossa gestão e promover um pacto nacional com todos os municípios e Estados
da federação”, concluiu Manoel Ludgério.
PACTO VAI SER BANDEIRA DOS PREFEITOS
O presidente da Federação das Associações dos Municípios do Estado da Paraíba
(Famup), Buba Germano, disse que a solução para a má gestão das finanças é o
novo Pacto Federativo, evitando a dependência quase que total dos municípios dos
repasses federais. Para o dirigente, o modelo atual é equivocado, pois concentra
renda em quem não executa: na União.
Diante disto, essa questão será debatida na Marcha a Brasília em Defesa dos
Municípios, marcada para a primeira quinzena de julho. O evento vai incluir,
entre seus temas, a necessidade de convencimento do Congresso Nacional para um
Pacto Federativo que mude o atual rateio dos impostos arrecadados, com maior
participação dos municípios na divisão do bolo.
A partir do mês de abril, a Confederação Nacional dos Municípios promoverá
uma série de reuniões nos estados para definir a data do mês de julho e os
demais temas que serão incluídos na pauta prioritária da Marcha, revela o
presidente da CNM, Paulo Ziulkoski
Atualmente, lembra Ziulkoski, são os
municípios que mesmo sangrando seus orçamentos, garantem uma série de ações em
educação e saúde.
O Pacto Federativo é, há anos, uma das principais bandeiras do movimento
municipalista e chegou a ser tema da Marcha em anos anteriores. Ziulkoski
acrescenta que a CNM acompanha discursos e propostas no Congresso que tratam
deste assunto, mas eles não tramitam com facilidade e continuam irreais. Do
contrário, os deputados e senadores aprovam leis a serem executadas pelos
governos, assinala.
SENADOR VÊ RELAÇÃO DESIGUAL NO PAÍS
Ao defender o pacto, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) sustenta que o Brasil
não é mais uma federação como apregoa a Constituição e que caminha a passos
largos para se tornar, na prática, um Estado unitário onde a federação vem sendo
mitigada pelo poder central.
Ele afirma que tem levado o tema ao Senado em defesa da federação, tendo em
vista que a sua experiência em cargos executivos, três vezes prefeito de Campina
Grande e duas vezes governador do Estado fez com que ele percebesse o quanto é
desigual a relação nos três níveis de governo, municipal, estadual e
federal.
Para Cássio, a forma como o país está organizado está errada, o que não
permitirá que as demandas da sociedade principalmente nas áreas de saúde,
educação e segurança pública sejam resolvidas, pois a União concentra grande
parte dos recursos oriundos dos nossos impostos.
Cássio lembrou que em momentos históricos como a Assembleia Nacional
Constituinte, não foram construídos do dia para a noite, houve um entendimento
nacional que segundo o senador “nasceu a partir da sociedade”, porém para a
repactuação de um novo Pacto Federativo, “infelizmente não vê o ambiente
favorável, mas destaca a necessidade de enfrentar esse tema com a maior
brevidade possível.
Do JP Online

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