131 municípios compram água para população.
Na Paraíba, nove cidades estão em racionamento de água, 22 em colapso total,
sendo abastecidas por carros-pipa, e 131 municípios afetados pela seca têm
gastos mensais com compra de água. As informações integram a pesquisa nacional
sobre a seca divulgada ontem pela Confederação Nacional dos Municípios
(CNM).
De acordo com a CNM, o Nordeste brasileiro enfrenta em 2013 a maior seca dos
últimos 50 anos, com mais de 1.400 municípios afetados. A seca deste ano já é
pior do que a do ano passado, que também foi recorde. Para mostrar essa
realidade, a partir de amanhã o JORNAL DA PARAÍBA inicia uma
série de reportagens sobre a seca no Estado.
O levantamento da CNM, com base em dados repassados pelas companhias de
abastecimento e saneamento estaduais e as prefeituras municipais, foi realizado
no período de 8 de abril a 2 de maio deste ano. Na Paraíba, a Companhia de Água
e Esgotos da Paraíba (Cagepa) informou que os mananciais que abastecem João
Pessoa e cidades litorâneas não enfrentam risco de falta de água, mas no
interior do Estado, os reservatórios ainda estão com nível de água baixo.
O presidente da Cagepa, Deusdete Queiroga, informou que na região do Brejo,
as chuvas que caíram desde o final de abril elevaram o nível de água acumulado
nos reservatórios, mas ainda não foi suficiente para normalizar o abastecimento
de água.
Em relação à decretação de situação de calamidade pública e de estado de
emergência, o estudo da CNM aponta que, nos últimos 10 anos, foram reconhecidas
7.756 situações de emergência relacionadas à seca na região Nordeste, sendo que
a Bahia, com 1.306 portarias, Ceará, 1.386 e a Paraíba, 1.235, são os Estados
que mais se destacam em números de portarias.
“Esses dados demonstram que desde 2003 os estados do Nordeste vêm sofrendo
cada vez mais com os danos causados pela seca prolongada e que as soluções não
chegam à mesma proporção dos estragos provocados”, argumentou o presidente do
CNM, Paulo Ziulkoski.
Dos 223 municípios paraibanos, a CNM conseguiu levantar dados de 163 cidades.
Das localidades pesquisadas, 131 têm gastos mensais com compra de água, sendo
que 87 despendem até R$ 50 mil, 39 de R$ 50 mil a R$ 100 mil, 5 gastam acima de
R$ 100 mil mensais. Outros 17 declararam não comprar água. Entre os municípios
que compram água, segundo o levantamento da CNM, estão Borborema, Emas, Areia,
Livramento, Sobrado, Curral Velho, Malta e Jacaraú.
Sobre a distribuição de água, 93 dos entrevistados mostraram que são
realizadas pelo Exército Brasileiro, outros 69 responderam que a distribuição é
feita por serviço terceirizado e 52 indicaram outra forma de distribuição.
Chama muito a atenção que, em 82 municípios pesquisados, a água distribuída é
exclusivamente para o consumo humano; em outros 50, 75% da água é para o consumo
humano e 25% para o consumo de animais. Por sua vez, em 20 cidades, metade da
água distribuída é para consumo humano e a outra metade para os animais.
Para o presidente do CNM, Paulo Ziulkoski, o consenso é que a maneira de
conviver e enfrentar o fenômeno climático inevitável da seca só será possível
através de obras hídricas estruturadoras: barragens, interligação de bacias a
partir do São Francisco, infraestrutura para a agricultura irrigada e gestão
permanente da água.
O presidente da Federação das Associações de Municípios da Paraíba (Famup),
Rubens (Buba) Germano, afirma que a seca aflige dezenas de municípios
paraibanos, matando animais e ameaçando a sobrevivência de milhares de famílias.
Além de provocar perdas nas lavouras e causar prejuízo aos agricultores,
compromete os reservatórios de água resultando em sede, fome e na perda de
rebanho, bem como em problemas de risco à vida humana.
O presidente da Famup informou ainda que na próxima segunda-feira será
realizada uma sessão especial na Assembleia Legislativa do Estado para discutir
os problemas da seca. Na ocasião, os prefeitos farão um ato em protesto à
política adotada pelo governo federal em relação à seca.
“Estamos cobrando uma maior atenção do governo federal sobre a questão da
seca, que deixou um rastro de destruição sem comparação na história do
Nordeste”, disse.
ClickPicui com JP Online


Nenhum comentário