Prazo para Portal da Transparência termina no dia 27,
Os municípios com menos de 50 mil habitantes têm até o dia 27 de maio para
cumprir a Lei da Transparência (Lei Complementar 131/2009), que obriga os
gestores a disponibilizarem todas as informações sobre a execução orçamentária e
financeira em tempo real. Os municípios que não se ajustarem poderão sofrer
penalidades como a suspensão de recursos oriundos de transferências voluntárias
e verbas de programas federais.
A LC 131/2009 ampliou os mecanismos de transparência previstos na Lei de
Responsabilidade Fiscal (LRF), passando a exigir o relatório resumido de
execução orçamentária e financeira, bem como informações a respeito de toda e
qualquer despesa, lançamento e recebimento de receita dos entes federados –
União, Distrito Federal, Estados e Municípios.
A lei já está em vigor para os municípios acima de 50 mil habitantes, mas,
segundo a Controladoria-Geral da União, nenhum dos 10 municípios paraibanos com
essa característica cumpre rigorosamente o que determina a Legislação.
A lei obriga que todas as informações estejam acessíveis a qualquer cidadão
por meio eletrônico e em tempo real, ou seja, no prazo máximo de um dia útil. Um
levantamento feito pelo Fórum Paraibano de Combate à Corrupção (Focco),
entretanto, mostrou que apenas 59 municípios paraibanos possuem páginas na
internet – ferramenta indispensável no cumprimento da legislação. A maioria
desses portais, inclusive, ainda não possui conteúdo de acesso à informação.
De acordo com o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Fábio
Nogueira, todos os prefeitos paraibanos estão cientes do final do prazo. “Nós
expedimos ofício aos gestores no mês de abril lembrando o prazo final da LC 131.
A partir do dia 28, vamos fiscalizar se o ente está cumprindo ou não a lei e
quem não cumprir estará sujeito a sanções que vai desde a aplicação de multa a
outras repercussões mais graves”, disse Fábio Nogueira.
Muitas prefeituras estão correndo contra o tempo para não perder o prazo. É o
caso de Monteiro, no Cariri paraibano. De acordo com a prefeita Edna Henrique, o
Portal da Transparência já está sendo construído e tudo indica que ficará pronto
dentro do prazo. “A menos que apareça algum contratempo, nós conseguiremos
colocar o portal no ar antes do dia 28. Em todo caso, nós já atendemos à
exigência do TCE, de repassar as informações financeiras para o Sagres no prazo
de 48 horas”, disse. O site da prefeitura de Monteiro já possui um link para o
Portal da Transparência, mas ainda está inativo.
A secretária de Educação e coordenadora da implantação da Cidade Digital de
Cabaceiras, Rosilene Nunes, também garantiu que o portal da transparência está
em construção.
“Contratamos uma empresa para desenvolver o site da prefeitura e o portal da
transparência. Não vai ser fácil, pelo contrário, será complexo, já que vai
exigir pessoal com habilidades na área de tecnologia e a prefeitura não tem”,
disse Rosilene.
Municípios precisam de capacitação
Já a prefeitura de Itaporanga está numa situação menos confortável. A cidade
não possui qualquer página na internet e, segundo o prefeito Audiberg Alves de
Carvalho, o portal nem sequer entrou em fase de desenvolvimento. “Uma equipe da
prefeitura vai participar da capacitação da CGU por meio do programa Brasil
Transparente. Estamos aguardando essa fase para então iniciar o processo de
construção do site”, disse.
Para auxiliar Estados e municípios no cumprimento das leis de transparência e
acesso à informação, a Controladoria-Geral da União criou o programa Brasil
Transparente. Na Paraíba, 36 municípios e seis câmaras municipais assinaram um
termo de adesão com a CGU e vão receber apoio à implementação da legislação por
meio de várias ações, como a realização de seminários, cursos e treinamentos
voltados aos servidores e apoio ao desenvolvimento do Portal de Transparência na
internet.
De acordo com o auditor da CGU, Gabriel Aragão, haverá capacitação em Patos,
na primeira semana de junho.
Legislação é descumprida pelos maiores
A Lei Complementar 131/2009 estabeleceu diferentes prazos para o cumprimento
da Legislação: um ano para a União, os Estados, o Distrito Federal e municípios
com mais de 100 mil habitantes; dois anos para os municípios entre 50 mil e 100
mil habitantes e quatro anos para os municípios com menos de 50 mil
habitantes.
Na Paraíba, as cidades de João Pessoa, Campina Grande, Santa Rita e Patos
deveriam estar cumprindo a lei desde 2010, mas segundo o chefe da CGU na
Paraíba, Fábio Araújo, nenhum deles cumpre efetivamente o que a lei exige. “João
Pessoa e Campina Grande são os municípios que mais se aproximam da legislação,
mas ainda não é o ideal. A lei exige que as informações sejam disponibilizadas
em tempo real. E isso ainda não é fato”, disse o chefe da CGU-PB. Em 2011, a lei
chegou aos municípios de Cabedelo, Bayeux, Sapé, Guarabira, Sousa e Cajazeiras,
que também não se ajustaram até agora.
O auditor Gabriel Aragão disse que os órgãos fiscalizadores (TCU, TCE, MPPB,
CGU e CGE) vão apertar o cerco para exigir o cumprimento da lei. “O Focco está
realizando um trabalho com esses cinco órgãos para criar estratégias para fazer
valer a lei", disse. Se não houver acordo, há possibilidade de uma ação judicial
de improbidade.
Clickpicui com JP Online


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