'Nunca entrei na Câmara', diz servidora 'fantasma' de Sousa – PB.
"Ele me procurou em casa e fez
a proposta. Eu sabia que meu nome estava lá, mas eu nunca entrei nem na Câmara",
disse à reportagem da TV Paraíba uma das funcionárias investigadas pelo
Ministério Público de Sousa, no Sertão da Paraíba, em um suposto esquema que
desviou verbas usando 'servidores fantasmas' na Câmara de Vereadores.
A servidora se refere a um dos
vereadores investigados, Evaldo Araújo Nascimento, que nega ter mantido uma
'funcionária fantasma' em seu gabinete na casa legislativa sousense. Segundo
ele, seus assessores trabalham junto às comunidades e por isso não precisam
frequentar o expediente na Câmara de Sousa.
A professora da rede pública no
município de Sousa teme perder o emprego, depois de ter sido notificada pelo
TCE por acúmulo ilegal de cargos públicos. Segundo ela, os pagamentos eram
recebidos em sua casa pelos serviços não prestados, das mãos do próprio
parlamentar. No contracheque o valor recebido por ela é de R$ 703 mensais.
O MPPB afirma que houve a prática de
improbidade administrativa, falsidade ideológica e falsificação de documentos
públicos, com a conivência do atual presidente da Câmara e seu antecessor.
O presidente da casa legislativa e
outro parlamentar investigado já foram afastados por decisão judicial. De
acordo com o procurador da câmara, José Braga, representante do ex-presidente
da casa, Eduardo Medeiros, o vereador não teve qualquer envolvimento na suposta
fraude. O advogado do vereador Nedimar de Paiva, também afastado, preferiu não
responder à denúncia.
Dados do sistema sagres do Tribunal
de Contas do Estado (TCE) revelam o nome da servidora na folha de pagamento,
como assessora de Evaldo Nascimento, entre os meses de junho de 2013 e janeiro
deste ano. Porém, ela admite que não trabalhou um único dia na Câmara de
Vereadores de Sousa.
Servidores
fantasmas
O afastamento de vereadores foi
determinado pelo juiz Diego Fernandes Guimarães no dia 3 de abril. Segundo a
decisão judicial, há indícios concretos de que os parlamentares cometeram
irregularidades e tentaram influenciar possíveis testemunhas.
"Relativamente ao atual
presidente, o dolo é ainda mais cristalino e a conduta mais reprovável,
notadamente porque, além do descrito acima, tentou frustrar a investigação do
Ministério Público, buscando resolver o problema por meio de “acordo entre os
envolvidos”, praticou crimes de falsidade ideológica e falsificação de
documento público, além de se omitir quando os atos vieram à tona, deixando de instaurar
procedimento administrativo para apurar as irregularidades", afirma a ação
civil pública do MP-PB.
G1

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