PICUÍ: Vereador Olivânio não concorda com coligação PT/PSB na Paraíba.
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| Olivânio Remígio |
O vereador Picuiense Olivânio
Remígio (PT), eleito no último pleito municipal com 680 votos, não concorda com
a coligação partidária entre PT e PSB, que atualmente vem se consolidando na
Paraíba. O parlamentar Picuiense usou seu perfil na rede social facebook para
expressar sua indignação. Confira o desabafo do vereador:
‘Expresso
a minha indignação com as decisões de um "gueto", que pensa e decide
pela maioria de um colegiado. Não abro mão das minhas convicções e não declino
posição favorável a decisões de uma minoria, parece até que os interesses dos
grupos políticos estão acima do bem e do mal, não sou maniqueísta, mas no
momento exprimo esse sentimento! Avante companheiros seguirei o rumo de antes’!
Abraços e boa leitura.
Olivânio
Compartilho esse belo texto de Rubem
Alves, não só para que alguém leia, mas para que eu possa renovar a cada dia o
compromisso com as ideias de um mundo melhor, principalmente em um dia como
hoje...
Texto de Rubem Alves
Sobre política e jardinagem
De todas as vocações, a política é a
mais nobre. Vocação, do latim "vocare", quer dizer "chamado".
Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um
"fazer". No lugar desse "fazer" o vocacionado quer
"fazer amor" com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não
ganhasse nada.
"Política" vem de
"polis", cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro,
ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade. O
político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim,
estaria a serviço da felicidade dos os moradores da cidade.
Talvez por terem sido nômades no
deserto, os hebreus não sonhavam com cidades; sonhavam com jardins. Quem mora
no deserto sonha com oases. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se
perguntássemos a um profeta hebreu "o que é política?", ele nos responderia,
" a arte da jardinagem aplicada às coisas públicas".
O político por vocação é um
apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre
mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um
pequeno jardim se à sua volta está o deserto? É preciso que o deserto inteiro
se transforme em jardim.
Amo a minha vocação, que é escrever.
Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor, mas não tem poder.
Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder
de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade. A vocação política é
transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que
os políticos não precisam possuir nada: bastar-lhes-ia o grande jardim para todos.
Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e
diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por
vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.
Vocação é diferente de profissão. Na
vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer
se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem
movido pela vocação é um amante.
Faz amor com a amada pela alegria de
fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe
dela. É um gigolô.
Todas as vocações podem ser
transformadas em profissões O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O
jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim
privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumente o deserto e o
sofrimento.
Assim é a política. São muitos os
políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as
profissões, a profissão política é a mais vil. O que explica o desencanto total
do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, perguntado por Günter Lorenz se
ele se considerava político, respondeu: "Eu jamais poderia ser político
com toda essa charlatanice da realidade.... Ao contrário dos
"legítimos" políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O
político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso
na ressurreição do homem." Quem pensa em minutos não tem paciência para
plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo
cortá-las.
Nosso futuro depende dessa luta
entre políticos por vocação e políticos por profissão. O triste é que muitos
que sentem o chamado da política não têm coragem de atendê-lo, por medo da
vergonha de serem confundidos com gigolôs e de terem de conviver com gigolês.
Escrevo para vocês, jovens, para
seduzí-los à vocação política. Talvez haja jardineiros adormecidos dentro de
vocês.
A escuta da vocação é difícil,
porque ela é perturbada pela gritaria das escolhas esperadas, normais,
medicina, engenharia, computação, direito, ciência. Todas elas, legítimas, se
forem vocação. Mas todas elas afunilantes: vão colocá-los num pequeno canto do
jardim, muito distante do lugar onde o destino do jardim é decidido. Não seria
muito mais fascinante participar dos destinos do jardim?
Acabamos de celebrar os 500 anos do
descobrimento do Brasil. Os descobridores, ao chegar, não encontraram um
jardim. Encontraram uma selva. Selva não é jardim. Selvas são crueis e
insensíveis, indiferentes ao sofrimento e à morte. Uma selva é uma parte da
natureza ainda não tocada pela mão do homem.
Aquela selva poderia ter sido
transformada num jardim. Não foi. Os que sobre ela agiram não eram jardineiros.
Eram lenhadores e madeireros. E foi
assim que a selva, que poderia ter se tornado jardim para a felicidade de todos
foi sendo transformada em desertos salpicados de luxuriantes jardins privados
onde uns poucos encontram vida e prazer.
Há descobrimentos de origens. Mais
belos são os descobrimentos de destinos. Talvez, então, se os políticos por
vocação se apossarem do jardim, poderemos começar a traçar um novo destino.
Então, ao invés de desertos e jardins privados, teremos um grande jardim para
todos, obra de homens que tiveram o amor e a paciência de plantar árvores à
cuja sombra nunca se assentariam.
http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_colunas/r_alves/id221000.htm
Fonte: Perfil do vereador no facebook
Francisco Araújo


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