Medicamentos devem sofrer reajuste médio de até 5,90% a partir de 31 de março.
Os medicamentos com preço controlado
deverão sofrer um reajuste médio entre 5,40% e 5,90% a partir da próxima
terça-feira, 31 de março. O índice foi calculado pelo Sindicato da Indústria de
Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), com base nos
fatores da fórmula de reajuste publicados nesta quinta-feira pela
Secretaria-Executiva da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) no
Diário Oficial da União.
Por meio de três comunicados, a CMED
divulgou os fatores da fórmula – os chamados fatores X e Y – e as classes de
medicamentos que sofrem o reajuste. A partir dessa informação, a indústria
consegue antecipar o percentual de aumento dos produtos, que deverá atingir 19
mil apresentações de medicamentos. A previsão é que o percentual oficial seja
divulgado pelo governo em 31 de março.
Em fevereiro, o Ministério da Saúde
e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciaram novos
critérios para adequar o índice de aumento "à realidade do mercado
farmacêutico”. Na ocasião, o governo antecipou que o reajuste deverá ficar
abaixo da inflação e menor em relação ao que seria calculado com a regra
anterior. A estimativa oficial é de que haja uma redução na ordem de R$ 100
milhões nos gastos com medicamentos no Brasil em um ano, para o mercado geral
de medicamentos do país, para as famílias, governos e prestadores de serviços
que compram medicamento.
Por meio de nota, o Sindusfarma
considerou que os índices previstos são insuficientes para repor os aumentos de
custo da indústria farmacêutica nos últimos anos. Nas contas do sindicato,
apenas no ano passado, houve um aumento médio de 15% nos custos de produção das
empresas do setor. Além disso, a entidade destacou que houve uma desvalorização
de 27% do real nos últimos 12 meses, o que impacta os custos de produção.
“Essa situação, que se repete desde
2011, preocupa o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de
São Paulo (Sindusfarma), pois tem afetado a saúde financeira das empresas e
comprometido sua rentabilidade, com reflexos negativos nos investimentos e no
lançamento de novos produtos”, informou o sindicato.
O Sindusfarma calcula ainda que,
entre 2008 a 2014, para um reajuste de preços dos medicamentos acumulado de
33,19%, a inflação geral acumulada atingiu 47,25% (INPC-IBGE) e os aumentos de
salário concedidos pelo setor somaram 62,06%. “Além de ser o único setor da
economia submetido ao controle de preços – à exceção das concessionárias de
serviços públicos –, a indústria farmacêutica é regida por uma fórmula de
reajuste que impede a reposição de custos e penaliza os ganhos de
produtividade”, disse o sindicato, que defendeu uma revisão do modelo de
regulação econômica do mercado farmacêutico.
Nas contas do Sindusfarma, o
reajuste das classes terapêuticas sem evidências de concentração será de 7,70%.
Para as classes terapêuticas moderadamente concentradas, será de 6,35% e, para
as fortemente concentradas, de 5%. “Se todas as apresentações de medicamentos
forem reajustadas pelos índices máximos autorizados, o aumento médio ponderado
girará em torno de 5,90%. Assim, a variação de preços dos medicamentos deverá
ficar abaixo da inflação geral, como tem acontecido nos últimos anos”, informou
o sindicato.
O Globo


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