Pacote anticorrupção prevê criminalização de caixa 2 e confisco de bens.
O pacote anticorrupção enviado pelo
governo ao Congresso Nacional e lançado oficialmente hoje (18) pela presidenta
Dilma Rousseff prevê a tipificação do crime de caixa 2 e a elaboração de um
projeto de lei que institui a obrigatoriedade de ficha limpa para todos os
servidores públicos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Promessa de campanha de Dilma, e
entregue ontem (17) ao presidente do Congresso, senador Renan Calheiros
(PMDB-AL), pelos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Secretaria de
Relações Institucionais, Pepe Vargas, o pacote contém ainda uma proposta de
emenda à Constituição (PEC) para possibilitar o confisco de bens oriundos de
atividade criminosa, improbidade e enriquecimento ilícito.
Pela proposta, quem for condenado
pelo crime de caixa 2 após a aprovação da proposta pelo Congresso poderá ficar
preso de três a seis anos. A tipificação do crime consiste, segundo o pacote do
governo, na tentativa de fraudar a fiscalização eleitoral, com a inserção de
elementos falsos ou omissão de informações para ocultar a origem, o destino ou
a aplicação de bens, valores ou serviços da prestação de contas de partido
político ou de campanha eleitoral.
A punição será estendida aos
doadores – inclusive responsáveis por doações de pessoas jurídicas – e aos
partidos. A proposta prevê ainda aplicação de multa de cinco a dez vezes sobre
o valor doado e não declarado, proporcional aos crimes praticados por pessoa
física, jurídica ou partido que se aproveitar das condutas ilícitas.
Elaborado pelos ministérios da
Justiça, do Planejamento e da Casa Civil e pela Controladoria-Geral da União e
Advocacia-Geral da União, o pacote sugere a aprovação de projetos de lei e
mudanças na Constituição para permitir ao Estado “uma atuação contra diferentes
frentes da corrupção”. Os projetos de lei e as PECs só vão se tornar lei depois
que foram aprovados e sancionados, no caso dos PLs, e promulgados, no caso das
PECs.
Resposta do governo às manifestações
populares do último fim de semana, o pacote também propõe a aprovação por
deputados e senadores do Projeto de Lei 5.586 de 2005, que tipifica o crime de
enriquecimento ilícito. De acordo com a proposta, possuir, adquirir ou fazer
uso de bens incompatíveis coma renda ou evolução patrimonial acarretará pena de
três a oito anos de prisão.
O pacote ainda prevê a
regulamentação da Lei Anticorrupção, por meio de decreto, com incentivo à
adoção de programas de integridade (compliance) por empresas privadas, com
códigos de ética e de conduta, políticas e diretrizes para detectar desvios e
irregularidades contra a administração pública. O texto estabelece e disciplina
o rito do processo administrativo de responsabilização e também disciplina o
acordo de leniência, com competência exclusiva da CGU no Executivo federal.
Agência Brasil


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