Com riqueza incalculável sob seu solo, cidade da Paraíba sofre com precariedade e pobreza.
O brilho, o luxo e o valor
exorbitante da turmalina Paraíba contrastam com a vida precária dos habitantes
do distrito de São José da Batalha, berço da pedra preciosa. Como a extração é
irregular, os exploradores não recolhem tributos pela utilização econômica dos
recursos minerais localizados nas minas da região. Paralelamente aos lucros
exorbitantes, obtidos com a extração ilegal da gema, a população do pobre
município de Salgadinho (PB) convive sem qualquer contrapartida da riqueza que
é usurpada de seu solo.
Segundo dados do aplicativo
Identificação de Localidades e Famílias em Situação de Vulnerabilidade (IDV),
do Programa Brasil Sem Miséria, do Governo Federal, 65,7% dos domicílios de
Salgadinho estão localizados na zona rural. Dos 3.508 habitantes do município
(Censo IBGE 2010), 815 são pessoas, de 15 anos ou mais de idade, que não sabem
ler e escrever. Dos domicílios particulares permanentes, 63% têm saneamento
inadequado e outros 22,2% possuem saneamento semi-adequado.
Ainda segundo o IDV, 26,3% das
pessoas residentes em domicílios particulares permanentes possuem renda de até
70 reais, e 42,6% dos habitantes permanentes de Salgadinho possuem renda de até
1/4 do salário mínimo.
“As pedras que são exibidas em
eventos luxuosos por celebridades e magnatas internacionais, e que são alugadas
por atrizes de Hollywood para desfilarem no tapete vermelho do Oscar, deveriam
também proporcionar aos habitantes de São José da Batalha e Salgadinho o
progresso social, possibilitando melhores condições de vida, direitos fundamentais
básicos para o desenvolvimento do ser humano, como proclamado pela Constituição
Federal e pelos tratados internacionais”, propõe o procurador da República João
Raphael Lima.
Da redação com MPF
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