MPF resgata R$ 100 mil de suspeitos de exploração ilegal da turmalina Paraíba.
O Ministério Público Federal na
Paraíba (MPF) resgatou todo o dinheiro que estava nas contas bancárias em nome
dos investigados na Operação Sete Chaves, que desarticulou, na quarta-feira
(27), uma esquema de extração e comércio ilegal de turmalinas paraíba. A
determinação do sequestro foi da Justiça Federal, a pedido da Procuradoria da
República em Patos. Ao todo, foram retidos R$ 100 mil.
Para o procurador da República João Raphael
Lima, o baixo valor encontrado nas contas brasileiras dos investigados,
comparado às cifras envolvidas na extração e comércio ilegal internacional,
descobertas durante as investigações, é mais um indício de que os suspeitos
mantêm o maior volume de dinheiro em contas bancárias fora do país.
A Justiça Federal também determinou
o bloqueio dos ativos financeiros existentes em nome dos investigados e a
inserção de restrição de transferência de propriedade de veículos automotores
em nome dos envolvidos.
Na quinta-feira (8), o (MPF) obteve
a interdição da empresa de mineração que foi alvo de mandado de busca e
apreensão durante a fase ostensiva da Operação Sete Chaves. Conforme a decisão
da 14ª Vara da Justiça Federal, as visitas das pessoas e órgãos ao local devem
ser comunicadas à Justiça. Na decisão, o juiz Claudio Girão Barreto entendeu
que "a demora em se proteger a área onde houve a busca e apreensão poderá
produzir efeitos extremamente danosos e eventos imprevisíveis em toda a sua
extensão".
Entenda o caso
O esquema de extração ilegal da
turmalina paraíba, desarticulado durante operação conjunta entre a Polícia
Federal e o MPF movimentou mais de R$ 2,5 milhões entre os oito investigados.
De acordo com o delegado da Polícia Federal Fabiano de Lucena Martins, o
potencial exploratório da mina era de cerca de 1 bilhão de dólares.
Os detalhes da investigação, que
teve início em 2009, foram divulgados em entrevista coletiva na sede da Polícia
Federal, em Cabedelo. Foram apreendidos carros de luxo, uma quantia em dinheiro
não divulgada e algumas pedras de turmalina. Nenhuma das prisões realizadas na
operação foi feita na Paraíba, segundo a polícia.
Os suspeitos serão indiciados pelos
crimes de lavagem de dinheiro, usurpação de patrimônio da União, organização
criminosa, contrabando e evasão de divisas. A operação ‘Sete Chaves’ ocorreu
nas cidades paraibanas de João Pessoa, Monteiro e Salgadinho e também nos
municípios de Parelhas e Natal, no Rio Grande do Norte, além de Governador
Valadares (MG) e São Paulo (SP).
Esquema
Durante a entrevista coletiva, a
Polícia Federal apresentou um mapa do
caminho que as pedras faziam no esquema (veja abaixo). Segundo a PF, o esquema
criminoso começava com a extração da pedra no distrito de São José da Batalha,
em Salgadinho (PB). Uma empresa paraibana existente no local não possuía
licença para extração da pedra, mas segundo as investigações, as pedras
paraibanas eram extraídas pela empresa, ilegalmente, e enviadas para uma mina
na cidade de Parelhas (RN), onde ganhavam certificados legais de exploração.
Do Rio Grande do Norte, as pedras
seguiam para Governador Valadares (MG), para serem lapidadas. Lá, comerciantes
enviavam as gemas para o exterior, em mercados na cidade de Bangkok, na
Tailândia, Hong Kong, na China e Houston e Las Vegas, nos Estados Unidos.
"As pedras paraibanas são de
maior qualidade e portanto atraem maior interesse de colecionadores e dos
suspeitos. As pedras eram exportadas como sendo do Rio Grande do Norte, e assim
declaradas com valor inferior, e só no mercado do exterior que os comerciantes
diziam a real origem da pedra paraibana e portanto vendiam com preço
elevado", disse o delegado.
O delegado comentou que por causa da
cor e da raridade da pedra, um quilate (0,2 gramas) da turmalina paraíba custa
US$ 30 mil. Ainda de acordo com o delegado, a depender das características, o
valor pode subir para US$ 800 mil. A turmalina paraíba só é encontrada em cinco
minas em todo mundo, três estão na Paraíba e duas na África. As pedras
extraídas na Paraíba são consideradas as mais valiosas entre as turmalinas,
segundo Fabiano de Lucena Martins.
G1 PB


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