Câmara aprova fixar mandato de todos os cargos eletivos em 5 anos.
A
Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (10), por 348 votos a favor e
110 contra, fixar em cinco anos o mandato para todos os cargos eletivos -
presidente, governador, prefeito, senador, deputado federal, deputado estadual
e vereador. A ampliação de quatro para cinco anos é uma maneira de
"compensar" o fim da reeleição para mandatos do Executivo, aprovado
em 28 de maio pelo plenário.
Atualmente
o mandato de senador é de oito anos enquanto os demais cargos eletivos têm
mandato de quatro anos.
O
texto aprovado pelos parlamentares prevê uma “regra de transição”, segundo a
qual presidente, governadores, deputados federais e estaduais eleitos em 2018
ainda terão mandato de quatro anos, enquanto senadores eleitos naquele ano
terão mandato de nove anos. Os prefeitos eleitos em 2016 também terão mandato
de quatro anos. Assim, o mandato de 5 anos passará a valer a partir das
eleições municipais de 2020 e presidenciais de 2022.
Para
os defensores da medida, o tempo maior à frente do governo é necessário para
implantar e consolidar programas e políticas públicas, caso seja confirmada a
proibição de dois mandatos consecutivos para presidente da República,
governador e prefeito. O tamanho do mandato é um dos tópicos da reforma
política, que começou a ser votada em plenário no final de maio.
Além
da ampliação dos mandatos, a votação da reforma política, iniciada há duas
semanas, resultou em outras três mudanças na legislação atual: o fim da
reeleição, restrições de acesso de pequenos partidos ao fundo partidário e
permissão de doações de empresas a legendas. Por decisão dos líderes
partidários, cada ponto da proposta de emenda à Constituição, como o fim da
reeleição, será votado individualmente, com necessidade de 308 votos para a
aprovação de cada item.
Ao
final, todo o teor da proposta de reforma política será votado em segundo
turno. Se aprovada, a PEC seguirá para análise do Senado. Nas sessões desta
quarta (10) e quinta (11), o plenário da Câmara também deverá decidir, entre
outros itens, se realizam eleições para todos os cargos eletivos no mesmo ano e
se instituem cotas para mulheres no Congresso Nacional.
Voto
obrigatório
Mais
cedo nesta quarta, os deputados decidiram manter o voto obrigatório a todos os
brasileiros com mais de 18 anos e menos de 70 anos. Por 311 votos a 124, os
parlamentares rejeitaram trecho previsto no relatório do deputado Rodrigo Maia
(DEM-RJ) que instituía o voto facultativo.
A
maioria do plenário argumentou que a democracia brasileira ainda não está
“madura” o suficiente para que os eleitores sejam liberados de votar nas
eleições.
“Diante
da maturidade da democracia brasileira, ainda a se consolidar, é melhor manter
o sistema como está. Quem não quiser participar das eleições paga a multa
irrisória, e a vida segue. É melhor manter o sistema como está, até porque a
experiência de outros países que adotam o voto facultativo mostra que há
prevalência do poder econômico”, disse o líder do PSOL, Chico Alencar (RJ).
Já
o líder do PMDB, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), se posicionou a favor do fim do
voto obrigatório e argumentou que, na prática, isso já acontece em razão dos
índices de abstenção e votos em branco.
“Temos
estados que passam de 40% os eleitores que decidem não votar em nenhum dos
candidatos: ou faltam ao pleito e depois justificam ou simplesmente vão às
urnas para votar em branco ou anular o seu voto”, disse. “O voto é um direito
e, por ser um direito, deve ser exercido livremente”, completou.
G1


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