'Operação Sete Chaves': Justiça nega habeas corpus ao vice-prefeito de Campina.
O desembargador federal do Tribunal
Regional Federal da 5ª Região – TRF5, Francisco Wildo, indeferiu nesta
sexta-feira, liminarmente, e determinou o arquivamento do habeas corpus
impetrado em favor de Ronaldo da Cunha Lima Filho, vice-prefeito de Campina
Grande, na Paraíba.
Os advogados buscavam afastar,
preventivamente, qualquer medida coercitiva que pudesse ser deflagrada, seja em
desfavor de seus bens (busca e apreensão), ou em prejuízo de sua liberdade de
locomoção (prisão cautelar, em alguma de suas modalidades).
De acordo com o desembargador relator,
nenhum dos pontos destacados traduz ameaça, mesmo que remota, à liberdade de
locomoção do impetrante.
“Mesmo em se tratando de habeas corpus
preventivo, não pode o peticionário se demitir do dever de trazer à tona
elementos que convençam o Judiciário da emergência do constrangimento ilegal a
ser estancado”, frisa o magistrado.
Disse ainda o desembargador, que o Tribunal
não pode conferir a quem quer que seja algo assemelhado a um atestado prévio de
inocência, de modo a salvaguardar-lhe de toda e qualquer investigação criminal.
Para ele, não cabe ao Judiciário
antecipar-se às conclusões do Ministério Público, emitindo juízos de valor a
respeito de fatos cuja investigação e apreciação ainda se acham pendentes.
O desembargador federal acrescentou que o
exame aprofundado de elementos probatórios é, sabidamente, medida não
compatível com habeas corpus.
ENTENDA
O CASO
No dia 27 de maio deste ano, a Polícia
Federal e o Ministério Público Federal deflagraram a chamada "Operação
Sete Chaves", com o intuito de desarticular organização criminosa que
atuava na extração ilegal e comercialização da Turmalina Paraíba, uma das
pedras mais valiosas do mundo.
Formada por diversos empresários e um
deputado estadual, a organização criminosa se utilizava de uma rede de empresas
off shore, para suporte das operações milionárias nas negociações com pedras
preciosas e lavagem de dinheiro.
Um total de 18 mandados de busca e
apreensão foi executado, simultaneamente, por 130 policiais federais de todo o
Nordeste nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e São Paulo.
A Turmalina Paraíba era retirada
ilegalmente do distrito de São José da Batalha, no município de Salgadinho,
região do Cariri, na Paraíba, e enviada à cidade de Parelhas, no Rio Grande do
Norte, onde era “esquentada” com certificados de licença de exploração.
Dessa região, as pedras seguiam para
Governador Valadares, em Minas Gerais, onde eram lapidadas e enviadas para
comercialização em mercados do exterior, como Bangkok, na Tailândia, Hong Kong,
na China, Houston e Las Vegas nos Estados Unidos, por ser considerada uma das
pedras mais caras do mundo.
De acordo com os advogados de Ronaldo da
Cunha Lima Filho, embora ele não seja proprietário de mineradora, acabou
mencionado durante as investigações como um dos "políticos que davam
suporte às empresas de mineração por interesses particulares", conforme se
lê em um dos relatórios da Polícia Federal.
Alegam tratar-se de informação inverídica,
pois o atual vice-prefeito de Campina Grande, à época dos fatos, apenas havia
firmado um contrato de prestação de serviços advocatícios com a mineradora e
sequer era político.
Os advogados afirmam que durante as
interceptações telefônicas, autorizadas pelo TRF5, foram captados diálogos
entre Ronaldo da Cunha Lima Filho e um deputado estadual, a partir do qual a
autoridade policial passou a acreditar existir uma ligação do primeiro com o
minério.
Sustentam, ainda, que após tomar
conhecimento da referência a seu nome nas investigações, o vice-prefeito tomou
a iniciativa de se apresentar perante o Delegado de Polícia Federal para
prestar esclarecimentos, temeroso de que as informações incompletas e
descompassadas da realidade pudessem acarretar a adoção de medidas coercitivas
contra a sua pessoa.
O receio de que alguma medida seja levada a
cabo, segundo entendem, decorre da tramitação, na 14ª Vara Federal/PB, de um
procedimento sigiloso, cuja numeração sequer foi fornecida, ainda que se tenha
confirmado a sua existência.
Do Paraibaonline

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