Câmara aprova em segundo turno texto principal da reforma política.
BRASÍLIA
- A Câmara aprovou, em segundo turno, na noite de terça-feira a PEC da Reforma
Política, por 420 votos a 30. A votação dos destaques que podem alterar o texto
já aprovado, no entanto, foi adiada para a próxima semana. Temas polêmicos
poderão voltar a ser debatidos nessa votação, como o financiamento de
campanhas, já que há destaques supressivos propondo a exclusão da regra que
permite a doação de empresas a partidos políticos e de pessoas físicas a
partidos e a candidatos.
O
projeto de lei que complementará a proposta de reforma política da Câmara
tentará reduzir custos das campanhas. O texto, apresentando nesta terça-feira,
prevê a diminuição da duração dos período de campanha eleitoral nas ruas e do
horário eleitoral gratuito de rádio e TV. Também fixa teto mais rigoroso das
doações empresariais e reduz de um ano para seis meses o prazo de filiação para
um candidato concorrer por um partido. A intenção é tentar votar o texto ainda
hoje ou, no máximo, até a próxima semana.
O
projeto reduz de 90 para 45 dias o tempo das campanhas eleitorais nas ruas.
Também diminui para 30 dias, no primeiro turno, o prazo da propaganda eleitoral
no rádio e na TV. E privilegia os comerciais de até um minuto no meio da
programação, em vez dos blocos de propaganda que chegavam a 50 minutos no
horário nobre.
No
caso de prefeitos e vereadores, não haverá mais esses blocos, só comerciais ao
longo da programação. Nas eleições gerais (para presidente, governador, senador
e deputados), os blocos diários caem de 50 minutos para 30 minutos (duas vezes
ao dia), além de comerciais de 30 segundos e 1 minuto, ao longo da programação
das emissoras.
Com
o objetivo de minar a importância dos partidos nanicos, o texto reduz a parcela
do tempo de TV e do fundo partidário que é distribuída igualmente entre todas
as legendas.
—
Na lei, vamos privilegiar os partidos que elegem mais deputados. Reduzimos o
tempo das campanhas e do horário eleitoral, o que reduz muito os custos das
campanhas. E colocamos limites para as doações e tetos das campanhas — disse o
deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), relator da PEC e do projeto de lei.
O
texto da Câmara também estabelece tetos para as doações empresariais. Cada
empresa poderá doar no máximo R$ 20 milhões, desde que não ultrapasse 2% do
faturamento do ano anterior, e proíbe que empresas que tenham contratos de
execução de obras com prefeituras, estados e com a União façam doação no local
onde executam a obra. O texto fixa tetos de gastos para as campanhas eleitorais
em 70% do gasto nas últimas eleições. No caso da campanha presidencial, explicou
Rodrigo Maia, o teto será de 175 milhões no primeiro turno e de R$ 58 milhões
no segundo turno.
Paralelamente
às votações na Câmara, a comissão especial da reforma política do Senado também
adotou ontem medidas. Os senadores aprovaram nova regra que prevê a realização
de novas eleições em caso de indeferimento de registro, cassação do diploma ou
perda do mandato de presidente da República, governadores e prefeitos. A regra
incluída no parecer do relator Romero Jucá (PMDB-RR) vale a partir de 2016,
para decisões transitadas em julgado até seis meses antes do fim do mandato. A
jurisprudência atual na Justiça Eleitoral , nesses casos, prevê a posse do
segundo, terceiro e até quarto colocado na eleição. A nova regra só vale para
decisões da Justiça eleitoral. Em caso de morte ou impeachment, continua
assumindo o vice.
—
Hoje é uma festa. Assume até o quarto colocado. A nova regra vai acabar essa
discussão do tapetão e do terceiro turno na Justiça — disse Jucá.
No
Senado, a comissão especial também aprovou ainda duas cláusulas de barreira
para barrar a farra de legendas de aluguel e nanicos para ter acesso a programa
de rádio e TV, e fundo partidário. Todas as propostas foram aprovadas em regime
de urgência e podem ser votadas em plenário a partir desta quarta-feira.
O GLOBO

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