Esquema teria desviado pelo menos R$ 80 mil de prefeitura na PB, diz MP.
Pelo
menos R$ 80 mil foram desviados dos cofres da prefeitura de Monte Horebe, no
Sertão da Paraíba, segundo o chefe do Grupo de Atuação Especial contra o Crime
Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba (MPPB), Octávio Paulo Neto.
Segundo ele, os valores podem ser ainda maiores porque o MP ainda vai fazer um
levantamento do material apreendido na manhã desta terça-feira (21) em uma
operação realizada pelo MP em conjunto com a Polícia Militar e a Controladoria
Geral da União (CGU) na prefeitura de Monte Horebe e em residências e empresas
do município e das cidades de Bonito de Santa Fé e João Pessoa.
Segundo
Octávio Paulo, pelo menos 30 pessoas estão envolvidas no esquema de desvio de
dinheiro público, entre elas a atual prefeita de Monte Horebe, Cláudia
Aparecida Dias (DEM), o ex-prefeito do município, Erivan Dias Guarita (PPS) e o
secretário municipal de Administração, Erivaldo Jacó de Sousa. O Tribunal de
Justiça da Paraíba determinou que, a partir desta terça, os três estão
impedidos de chegar a até 100 metros de prédios públicos da cidade por tempo
indeterminado. Os outros suspeitos seriam funcionários fantasmas e pessoas que
emprestavam os nomes para a criação de empresas de fachada que participavam das
licitações.
Em
entrevista à rádio CBN João Pessoa, a prefeita Cláudia Dias disse que está à
disposição da Justiça para prestar todas as informações e explicou que os fatos
são da gestão anterior a dela, no qual ela atuou como secretária de
Administração e da Fazenda. "Eu vejo com tranquilidade e normalidade os
trâmites da Justiça e como é de praxe afastar o prefeito em questão. Vamos
atender à Justiça no que for possível. Estou me inteirando dos fatos e alguns
desses já foram motivo de outros processos, dos quais na época como secretária
eu ajudei o prefeito na sua defesa. São fatos que, no decorrer do processo,
serão esclarecidos", disse ela.
Sobre
a decisão judicial de se manter afastada dos prédios públicos, ela explicou que
vai ser difícil cumprir a medida, pois a cidade é muito pequena. "Eu
espero que eles entendam que não é uma afronta à decisão, mas é porque a cidade
é realmente muito pequena", comentou.
De
acordo com as investigações do MPPB, as fraudes ocorreram em vários setores da
prefeitura de Monte Horebe entre os anos de 2010 e 2012, como a compra de
alimentos, obras de construção civil e até a contratação de funcionários,
possivelmente fantasmas. “Eram feitas licitações para a realização dos serviços
e das obras e o dinheiro era desviado e acabavam entrando nas contas pessoais
da prefeita e do ex-prefeito”, explicou o chefe do Gaeco.
Investigação longa
As
investigações começaram há mais de três anos e fazem parte de um desdobramento
da 'Operação Transparência', que investigou esquemas de corrupção e fraudes em
dezenas de municípios paraibanos. “Com base nestes dados, pedimos a quebra de
sigilo bancário dos investigados e chegamos a constatar o desvio. Na operação
deflagrada hoje nós apreendemos computadores, documentos, cópias dos processos
licitatórios e vários outros itens que irão ajudar no levantamento de provas do
esquema criminoso”, explicou.
Segundo
o chefe da CGU, Fábio Araújo, a próxima etapa da operação é analisar o material
apreendido e os dados da quebra do sigilo bancário. Isso vai ajudar a levantar,
de fato, quais as licitações que realmente aconteceram e foram devidamente
executadas e quais não foram. "Também devemos levantar quanto foi o valor
real desviado e a estimativa é de que em até três meses tenhamos tudo isso
apurado", explica Araújo. Para ele, este levantamento vai tornar possível
confirmar as suspeitas e a partir disso é que podem ser determinadas as medidas
punitivas de acordo com os possíveis crimes. "Nossa meta também é tentar
recuperar de volta para os cofres públicos os valores desviados”, disse.
O
chefe do Gaeco explicou que, inicialmente, o Ministério Público vai investigar
indícios dos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro,
formação de quadrilha e desvio de dinheiro público. “Com a apuração do material
apreendido, podemos não só confirmar estes crimes como também até mesmo
descobrir outras atividades ilícitas, bem como o envolvimento de outras
pessoas”, concluiu Octávio.
G1/PB

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