Operação do MP apura fraude, desvio de dinheiro e afasta prefeito no RN.
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| Prefeito de Umarizal Carlindson Onofre Pereira de Melo |
O
prefeito de Umarizal Carlindson Onofre Pereira de Melo, mais conhecido como
Mano, foi afastado do cargo no início da manhã desta quarta-feira (29) durante
a operação Negociata. Deflagrada pelo Ministério Público, a ação apura fraudes
e desvio de recursos através de um convênio firmado com o banco Gerador S.A,
que possui sede em Recife (PE). O afastamento do prefeito se deu a pedido do
procurador geral de Justiça Rinaldo Reis.
Em
contato com o G1, o diretor-presidente do Banco Gerador, Ademir Cossiello, explicou
que a investigação foi realizada a pedido do próprio banco, que desconfiou da
existência de irregularidades nos convênios firmados com a Prefeitura de
Umarizal. “Em algum momento deixamos de receber os valores contratados nos
empréstimos. Então fizemos contato com a prefeitura, que nos informou haver
alguma coisa errada, pois a maioria dos beneficiados sequer era de servidores.
Foi quando procuramos o Ministério Público”, afirmou. “Quero aqui reconhecer e
parabenizar o MP pelo trabalho que foi feito”, acrescentou.
Além
do afastamento do prefeito, 17 promotores de Justiça, delegados e agentes de
Polícia Civil deram cumprimento a 15 mandados de apreensão, seis de prisão
preventiva e três de condução coercitiva (com o uso da força se necessário) em
Umarizal, Martins, Natal e Parnamirim.
Segundo
o MP, os mandados foram expedidos pelo Tribunal de Justiça e pelo Juízo da
Comarca de Umarizal. Participam da operação a Procuradoria Geral de Justiça,
Promotoria de Umarizal e do GAECO, com apoio da Polícia Civil, atuam na
operação nesta quarta-feira.
O
G1 tentou falar com os advogados do prefeito, mas não conseguiu contato.
O esquema
Ainda
de acordo com o MP, o chefe do executivo de Umarizal tem envolvimento direto no
esquema. Em razão disso, o procurador geral de Justiça, Rinaldo Reis, pediu o
afastamento de Carlindson Onofre Pereira de Melo do exercício do mandato. A
decisão favorável, no entanto, foi do desembargador Expedido Ferreira, que
também determinou pelo cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa do
prefeito e no gabinete dele na sede da prefeitura.
“No
curso da investigação, restou evidenciada a existência de um esquema de desvio
de dinheiro através do Termo de Convênio celebrado entre a Prefeitura Municipal
de Umarizal e o Banco Gerador S.A. para a concessão de empréstimos consignados
e financiamentos aos servidores ativos e inativos daquela edilidade, pelo qual
foram firmados 109 empréstimos dessa natureza na Prefeitura de Umarizal, sendo
liberado nas contas dos interessados o valor total de R$ 1.571.792,33, o que
gerou um saldo devedor aproximado de R$ 2.043.625,34 atualizado até o ano de
2014”, afirmou o Ministério Público.
Entretanto,
ainda segundo as investigações, dos 109 beneficiários dos empréstimos, 98
sequer fazem parte do quadro de servidores públicos do Município de Umarizal.
“Tais empréstimos tiveram início no ano de 2010, na gestão do ex-prefeito e um
dos investigados, e prosseguiu, até meados do ano de 2013. Portanto, no início
da gestão do atual prefeito”, acrescentou.
O
MP afirma também que os investigados, “de forma organizada e com divisão de
tarefas, fraudavam contracheques e, após o depósito do dinheiro nas contas dos
beneficiários por parte do banco, sacavam e transferiam o montante em benefício
do grupo criminoso e para financiar a campanha eleitoral do candidato vencedor
das eleições locais de 2012”.
G1
RN


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