Rapaz de 18 anos morre após suposta aplicação de hidrogel no pênis.
Um
jovem de 18 anos morreu na noite de sexta-feira (24) em Ribeirão Preto (SP) em
razão de complicações causadas por uma suposta aplicação de hidrogel.
Segundo
informações do boletim de ocorrência, o rapaz injetou a substância no pênis,
foi levado até a Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (HC-EU), mas não
resistiu a um quadro de insuficiência respiratória aguda. O
corpo do jovem foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).
Segundo
informações fornecidas pelo hospital à polícia, o rapaz, morador da zona norte
da cidade, deu entrada na emergência por volta das 16h com complicações
decorrentes de uma injeção de hidrogel no pênis.
Ele
não resistiu ao quadro de insuficiência respiratória e morreu quatro horas após
ser atendido. O
caso foi registrado na Polícia Civil como morte suspeita.
Perigo
Os
riscos do mau uso do hidrogel, usado principalmente para preenchimento e
aumento de volume em regiões do corpo como bumbum e coxas, se tornaram mais
evidentes após a morte de uma mulher em Goiânia (GO) e da internação da modelo
Andressa Urach, que sofreu uma grave infecção devido ao uso do produto.
Apesar
de o produto ser formado 98% por água e de ser absorvido pelo corpo após
aproximadamente dois anos, o médico explica que tanto o hidrogel quanto a forma
com que ele é aplicado podem provocar complicações que colocam a saúde do
paciente em perigo.
“O
risco pode ser desde infecção, que pode ocorrer quatro, cinco, até 10 anos após
e mesmo assim levar a morte. Pode também injetar dentro de um vaso e provocar
uma embolia e a morte, o que provavelmente tenha sido a causa desse jovem de
Ribeirão. Ainda pode ter o deslocamento do produto, ou seja, você injeta em uma
área do corpo, bumbum, por exemplo, e aquilo vai parar na coxa”, adverte o
cirurgião plástico Raul Gonzalez.
Outras
consequências da injeção equivocada do hidrogel são a linfangite crônica, uma
inflamação nos vasos linfáticos, a insuficiência venosa e as varizes.
Ainda
segundo o cirurgião, o perigo do produto está principalmente na quantidade,
que, na grande parte dos casos, é aplicada muito além do recomendado. “A
possibilidade de dar certo em pequena quantidade é grande. Mas a possibilidade
de complicar em grande quantidade é enorme”, diz.
Proibição
González
lembra ainda que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a
importação e a venda do hidrogel no Brasil, mas não vetou o uso e a aplicação
por clínicas e profissionais que tinham o produto, de uso exclusivamente
médico, em estoque.
De
acordo com o cirurgião plástico Max Engrácia Garcia, a comunidade médica ainda
realiza estudos com o hidrogel para mapear seus efeitos. A dúvida, no entanto,
não é suficiente para que as pessoas restrinjam o uso.
“Atualmente,
é um produto fácil. Porque através da internet você tem acesso a tudo. E isso
torna a situação mais fácil para a pessoa que quer se automedicar ou fazer um
tratamento sem acompanhamento médico”, afirma.
G1


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