Senado aprova aumento do tempo de internação para menores infratores.
O
Senado aprovou nesta terça-feira (14) por 43 votos a 13 projeto de lei que
altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e aumenta o tempo de
internação de menores de 18 anos que tenham cometido crimes hediondos. A
matéria seguirá agora para votação na Câmara dos Deputados.
Pelo
projeto, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), os jovens que tenham
cometido esse tipo de crime poderão ficar internados em centros de atendimento
socioeducativo por até dez anos. Atualmente, o tempo máximo de internação é de
três anos.
Originalmente,
o relator do projeto, senador José Pimentel (PT-CE), havia proposto que o tempo
máximo de internação ficasse em até oito anos. Porém, ele acatou emenda do
próprio Serra e manteve o limite em até dez anos.
O
texto também prevê uma alteração no Código Penal para agravar a pena do adulto
que praticar crimes acompanhado de um menor de 18 anos ou que induzir o menor a
cometê-lo.
Nesses
casos, a pena do adulto será de dois a cinco anos, podendo ser dobrada para os
casos de crimes hediondos.
Outro
ponto proposto por Pimentel prevê que os adolescentes passarão por avaliação, a
cada seis meses, feita pelo juiz responsável pelo caso. O objetivo do petista é
que o magistrado possa analisar e optar por liberar antecipadamente ou não o
jovem da reclusão.
Os
internos ainda deverão estudar nos centros de internação até concluir o ensino
médio profissionalizante. Atualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente
prevê que os menores devem concluir somente o ensino fundamental.
Comissão
especial
Antes
da aprovação do projeto, os senadores rejeitaram enviar para uma comissão
especial a proposta de José Serra.
Nesta
terça, parlamentares solicitaram a Renan Calheiros (PMDB-AL) que o projeto
fosse retirado de pauta para que houvesse mais tempo de analisar da matéria.
Após
o apelo dos senadores, um requerimento para retirar a urgência do texto – o que
dá prioridade ao projeto sobre outras matérias – chegou a ser aprovado
simbolicamente (quando não há contagem de votos), mas foi rejeitado em votação
numérica.
"Presidente,
esse tema é um tema muitíssimo importante. Eu, quando falo isso, é porque tenho
interesse no tema, eu quero discutir aprofundamente. Não dá para ser no dia de
hoje. Na semana passada, houve um debate aqui, que foi uma tarde inteira onde
20, 20 e tantos senadores falaram nesse sentido. Então, queria apelar a Vossa
Excelência: não dá para votar", disse o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).
Maioridade
penal
A
aprovação da mudança no ECA ocorre em meio à polêmica da votação na Câmara da
proposta de emenda constitucional (PEC) que reduz de 18 para 16 anos a
maioridade penal, criticada por diversos senadores.
Na
Câmara, os deputados aprovaram proposta de emenda à Constituição na qual os
jovens com 16 anos ou mais que cometerem crimes hediondos, homicídio doloso e
lesão corporal seguida de morte responderão criminalmente, como adultos.
A
proposta ainda passará por outro turno de votação na Câmara antes de ser
enviada para análise, também em dois turnos, no Senado.
Apesar
de ter contado com a maioria dos votos na Câmara, o clima entre os senadores é
de rejeição à proposta. A tendência, portanto, é que o projeto seja amplamente
discutido em uma comissão especial, que deve ser criada após proposta do
presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), antes de ser submetido à
votação na Casa.
G1


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