Assembleia realiza audiência pública com prefeitos paraibanos e discute sobre repasse de recursos da União.
A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB),
através da Frente Parlamentar Municipalista, realizou nesta quinta-feira (24),
Audiência Pública com prefeitos de municípios paraibanos para debater sobre
questões referentes ao corte de recursos por parte do Governo Federal e à crise
atual enfrentada pelos gestores.
O presidente da ALPB, deputado Adriano
Galdino, argumentou que os municípios não podem ser os únicos penalizados pelo
momento econômico pelo qual passa o país. “A audiência pública tem o objetivo
de ouvir as prefeituras e criar uma unidade no sentido de apoiar e, ao mesmo
tempo, sensibilizar o Governo Federal para que veja de forma prioritária a
situação que se encontra os pequenos municípios. Eles não podem pagar uma conta
tão alta”, ressaltou.
O deputado estadual Buba Germano,
presidente da Frente Parlamentar Municipalista, espera que através de uma
mobilização pacífica o Governo Federal possa ser sensibilizado e venha a
contribuir com os prefeitos para que os mesmos tenham a possibilidade de
cumprir com suas obrigações financeiras, a exemplo da folha de pagamento dos
funcionários. “Não há sensibilidade do Governo Federal. Há atraso nos repasses
dos recursos dos programas, obras inacabadas e a União ainda deseja fazer um
ajuste fiscal cobrando dos municípios e da sociedade o sacrifício”, declarou o
parlamentar.
Buba Germano acredita que a União tenta
passar para a sociedade a idéia de que a responsabilidade de toda a crise é dos
prefeitos. No entanto, para o parlamentar, eles são os que menos têm culpa,
pois administram apenas 16% da arrecadação nacional. “Qualquer cidadão entende
que é impossível fornecer uma merenda de qualidade com apenas R$ 0,30 por dia
de repasse do Governo Federal. Há um desequilíbrio nos programas e isso vem
provocando o desmonte da máquina administrativa municipal. São inúmeros
problemas e todos passam por uma melhor distribuição do ‘bolo’ tributário. Nós
queremos que o Governo Federal respeite a autonomia dos municípios e também à
população”, concluiu o deputado.
Para o presidente da Federação das
Associações dos Municípios da Paraíba (Famup), Tota Guedes, a crise enfrentada
pelos gestores municipais não se restringe apenas à Paraíba. “Temos um modelo
de Pacto Federativo que é perverso para os municípios. Existe uma concentração
de receitas de mais de 60% no Governo Federal, enquanto os municípios ficam
apenas com 16,5% e o estado com o restante,” reivindicou o presidente da Famup.
Programas sociais, a exemplo do Mais
Educação e do Plano de Saúde da Família (PSF), também fazem parte das
reivindicações e, segundo Tota Guedes, o repasse feito pela União é
insuficiente. “Os gestores recebem R$ 10.700,00 para manter uma equipe de PSF,
mas na verdade os municípios vêm gastando cerca de mais de R$ 30 mil”,
denunciou o presidente da Famup.
O município de Dona Inês, segundo prefeito
da cidade, Antônio Justino, não possui capital para efetuar o pagamento dos
servidores referente ao mês de setembro e ressaltou que a situação da cidade é
alarmante. Antônio disse que vários ajustes foram feitos, a exemplo de
suspensão de serviços e dar férias coletivas a servidores municipais. “Isso
nunca aconteceu. Sempre garantimos o pagamento dos nossos funcionários. Já
fizemos todos os tipos de corte de despesas, mas esse mês está impossível.
Temos uma folha de pagamento de aproximadamente R$ 750 mil e o município
arrecadou apenas R$ 475 mil”, observou.
Justino elogiou a atitude da ALPB em
realizar uma audiência pública com os prefeitos, demonstrando apoio a
mobilização. “É muito importante que os deputados venham a nos ajudar, desta
forma, o movimento se torna mais fortalecido e poderá ecoar ainda mais alto no
país”.
Já o prefeito André Gadelha, do município
de Sousa, no Sertão da Paraíba, criticou a falta de justificativa do Governo
Federal referente ao atraso no repasse de verbas para os programas sociais e
afirmou que o município possui obras paralisadas a espera de recursos. “Antes
diziam que o orçamento precisava ser votado e agora que já foi votado afirmam
que não existe dinheiro em caixa. Souza está prejudicada, pois temos R$ 36
milhões para ser liberado pelo Governo Federal em obras. Paralisamos mais de 11
obras feitas com recursos próprios porque não temos condições financeiras de
dar continuidade, declarou o prefeito.
André Gadelha agradeceu a iniciativa do
presidente da Assembleia, Adriano Galdino, em apoiar a mobilização e disse que
os prefeitos estão unidos numa manifestação sem partidos. “Agradeço ao
presidente Adriano Galdino e ao deputado Buba Germano por terem levantado essa
bandeira. Nosso interesse é defender os municípios, pois precisamos levar
benfeitorias as nossas cidades”, concluiu o chefe do Executivo da cidade de
Sousa.
A audiência púbica também contou com a
presença do representante da Confederação Nacional dos Municípios (CNM),
Eduardo Strans. Ele afirmou que mobilizações semelhantes têm acontecido em todo
o país e a CMN tem acompanhado de perto as reivindicações feitas pelos gestores
municipais. “Por muitos anos houve um distanciamento entre o Executivo e o
Legislativo. E a Frente Parlamentar Municipalista aqui da Paraíba tem sido
bastante atuante e vem conseguindo aproximar a crise real das questões
legislativas, desta forma, todos podem caminhar na busca por uma solução”, concluiu.
A audiência contou com a presença dos
parlamentares Anísio Maia, Arnaldo Monteiro, Camila Toscano, Daniela Ribeiro,
Janduhy Carneiro, João Gonçalves, Olenka Maranhão, Renato Gadelha e Ricardo
Barbosa.
Também compareceram a audiência pública os
prefeitos dos municípios de Alcantil, Aparecida, Araruna, Boa Ventura,
Bonsucesso, Bom Jesus, Bonito de Santa Fé, Borborema, Capim, Cabaceiras,
Cachoeira dos Índios, Cacimbas, Cacimba de Dentro, Cajazeiras, Casserengue,
Caraúbas, Coremas, Cubati, Cuité de Mamanguape, Damião, Desterro, Dona Inêz,
Fagundes, Frei Martinho, Imaculada, Itabaiana, Jericó, Junco do Seridó,
Juripiranga, Juru, Lagoa de Dentro, Lagoa Seca, Livramento, Mari, Massaranduba,
Matinhas, Mato Grosso, Montadas, Nova Palmeira, Olivedos, Pedra Branca, Pedras
de Fogo, Pilar, Pilões, Picuí, Pocinhos, Quixaba, Riachão, Riachão do Poço, Rio Tinto,
Santa Cecília, São José do Bonfim, São José dos Ramos, São José do Sabugi,
Seridó, Serra da Raiz, Sertãozinho, Sobrado, Solânea, Souza, Teixeira e
Tavares.
Da redação com ascom


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