Tumulto mata 717 na Arábia Saudita, e príncipe culpa fiéis africanos.
Ao menos 717 pessoas que participavam de
uma peregrinação morreram em um tumulto perto de Meca, na Arábia Saudita, no
primeiro dia do Edi al-Adha (Grande Festa ou Festa do Sacrifício), informaram
as autoridades sauditas. Cerca de 863 pessoas ficaram feridas no incidente no
vale de Mina, a cerca de cinco quilômetros de Meca, na maior tragédia durante o
Hajj — a peregrinação à cidade sagrada — em 25 anos no país. Em 1990, 1.426
peregrinos morreram em um tumulto num túnel de pedestres superlotado que dá
acesso aos locais sagrados. Os incidentes levaram o governo saudita a
implementar melhorias de segurança nos últimos anos.
O tumulto eclodiu na manhã desta
quinta-feira quando dois grandes grupos de peregrinos aglomeraram-se em um
cruzamento de duas estradas, às 9h, quando se dirigiam à Jamarat — a estrutura
na qual os fiéis apedrejam simbolicamente Satanás. De acordo com um comunicado
da Defesa Civil difundido nas redes sociais, a multidão fez com que muitas
pessoas caíssem e fossem esmagadas ou pisoteadas. O príncipe saudita Khaled
al-Faisal responsabilizou "alguns peregrinos de nacionalidades
africanas" pela confusão.
No Twitter, a Defesa Civil saudita afirmou
que quatro mil efetivos foram enviados ao local do incidente, juntamente com
mais de 220 unidades de emergência e resgate. Os feridos estão sendo levados a
quatro hospitais da região.
Entre os mortos há peregrinos de vários
países, incluindo iranianos, paquistaneses e indianos. Acredita-se que europeus
também morreram na tragédia. Os estrangeiros representam cerca de três quartos
dos 2 milhões de peregrinos estimados para o Hajj deste ano. Em nota, o
Itamaraty afirmou que A Embaixada do Brasil em Riad não tem registro até o
momento de vítimas de nacionalidade brasileira.
O Irã disse que pelo menos 89 dos seus
cidadãos morreram em Mina e acusou a Arábia Saudita, seu inimigo, de erros de
segurança em conexão com o desastre, segundo a agência AFP.
O ministro da Saúde saudita, Khaled
al-Falih, por sua vez, culpou os peregrinos indisciplinados, dizendo que
poderia ter sido evitado se eles tivessem "seguido as instruções".
A Casa Branca e o primeiro-ministro
britânico, David Cameron, estavam entre aqueles que enviaram suas condolências
aos afetados.
OUTROS
DESASTRES
A peregrinação, uma das maiores
congregações religiosas do mundo, já foi cenário de vários desastres. Em
janeiro de 2006, uma tragédia similar durante o ritual de apedrejamento matou
364 peregrinos.
O Edi al-Adha é um festival muçulmano que
ocorre durante o Hajj. É comemorado a partir do décimo dia do mês de Dhu
al-Hijjah (no último mês do ano lunar no calendário islâmico), e a festa tem
duração de quatro dias.
Nesta quinta-feira, os peregrinos iniciaram
o ritual de apedrejamento de Satanás no vale de Mina, localizado na região
Oeste da Arábia Saudita. A prática consiste em lançar sete pedras no primeiro
dia do Eid al-Adha contra uma grande pilastra que representa satanás, e no dia
seguinte contra três grandes pilastras.
Muçulmanos de todo o planeta celebram o
momento em memória à disposição do profeta Ibrahim (Abraão) de sacrificar o seu
filho Ismail conforme a vontade de Deus. Ocorre 70 dias após o Ramadã, mês em
que os muçulmanos jejuam entre 6h e 18h.
O desastre ocorre menos de duas semanas
depois de pelo menos 109 pessoas morrerem e 238 ficarem após um guindaste cair
na Grande Mesquita em Meca. Segundo a Defesa Civil, o colapso foi causado por
uma tempestade com ventos muito fortes.
A Grande Mesquita passava por obras de
ampliação desde o ano passado, no intuito de aumentar a estrutura para 400 mil
m², podendo acomodar até 2,2 milhões de pessoas. Diante disso, o local estava
cercado por guindastes.
As autoridades sauditas se preparam todos
os anos para receber os milhões de muçulmanos que convergem a Meca para a
peregrinação sagrada, expandindo os locais que recebem os muçulmanos e
melhorando o sistema de transporte para evitar acidentes como esse.
O globo


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