Juiz pede ajuda para grávida que deu à luz em delegacia após furtar enxoval.
O
juiz da 4ª Vara de Lucas do Rio Verde (354 km de Cuiabá), Hugo José Freitas da
Silva, acionou a Defensoria Pública do município para auxiliar e orientar a
mulher de 32 anos que deu à luz dentro da delegacia da cidade, após ser presa
por roubar roupas e objetos para montar um enxoval de bebê. O caso ocorreu na
quinta-feira (22).
Segundo
informações da Corregedoria-Geral de Justiça, o juiz procurou a mulher em um
hospital da cidade para onde ela havia sido encaminhada, junto com a filha,
ainda sob custódia da Polícia Civil.
Na
ocasião, a mulher teria relatado ao magistrado que passava por dificuldades
desde que o companheiro a abandonou, há aproximadamente cinco meses. O homem,
com quem ela já tem dois filhos, estaria negando ser o pai da recém-nascida. Ao
juiz, ela disse que gostaria de fazer um exame de DNA para provar a paternidade
da filha.
Diante
da situação, o juiz pediu a intervenção da Defensoria Pública, a fim de que a
mulher possa realizar o exame gratuitamente e, em caso positivo, seja ajuizada
uma ação para garantir o pagamento de pensão alimentícia. Segundo a
corregedoria, o magistrado não precisou fazer análise judicial do caso porque a
mulher já havia tido a liberdade concedida pela Polícia Civil.
Mãe
e filha tiveram alta hospitalar nesta sexta-feira (23) e passam bem, conforme
informações da corregedoria.
Furto
e liberdade
A
mulher, então grávida de nove meses, foi presa em flagrante pela polícia na
noite de quarta-feira (21), após roubar peças de enxoval, ursos de pelúcia,
acessórios de cozinha e uma escova de cabelo de uma de departamentos de Lucas
do Rio Verde. Já na cela, ela passou a sofrer contrações e teve a filha na
madrugada de quinta-feira (22) com a ajuda de uma investigadora, que também é
técnica de enfermagem.
Segundo
o delegado Rafael Mendes Scatolon, responsável pelo caso, mãe e filha foram
encaminhadas, ainda sob escolta policial, a um hospital da cidade. A mulher
pagou fiança de R$ 262 (equivalente a 1/3 do salário mínimo) e irá responder
pelo crime de furto simples em liberdade. No entanto, de acordo com o delegado,
essa não é a primeira vez que a mulher é detida.
“Ela
já tem passagem por roubo a mão armada. Ela já responde por pelo menos quatro
furtos apenas em 2015”, disse.
Atuação
da Defensoria
Ao
G1, o coordenador do Núcleo da Defensoria Pública em Lucas do Rio Verde, Diogo
Madrid Horita, afirmou que um defensor público já entrou em contato com a mãe,
ainda no hospital, tendo a orientado a registrar a criança e, em seguida,
procurar o órgão para dar início aos procedimentos para comprovação de paternidade
e, consequentemente, pedido de pensão.
“Para
provocar o Poder Judiciário eu preciso de autorização da mãe, que ela procure a
Defensoria e apresente os documentos necessários. Mas ela já recebeu as
primeiras orientações e estamos acompanhando o caso”, afirmou.
G1


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