Ministério investiga fraudes na rede do seguro-defeso na PB.
A
distribuição de carteiras de pescador a pessoas que nunca teriam vivido da
pesca está sendo alvo de investigação na Paraíba. Desde a criação do
seguro-desemprego do pescador artesanal (seguro-defeso), em 2011, quase 31 mil
pessoas foram beneficiadas com a chamada 'bolsa-pesca'. Esses pescadores foram
registrados em 182 municípios, e a conta é alta, chega a R$ 187 milhões nos
últimos quatro anos, só na Paraíba. O problema é que em praticamente todas as
áreas, após quatro anos de seca, reservatórios e rios estão com nível zerado ou
próximo disso.
O
seguro-defeso corresponde a um salário mínimo (atualmente, R$ 788) por mês. Em
tese, faz jus ao benefício o pescador profissional artesanal que tiver na pesca
sua única fonte de renda. O período do defeso na Paraíba vai do dia 1º de
dezembro a 28 de fevereiro. São três meses em que está proibido, por ato do
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), o exercício da pesca das
espécies curimatã, piau, sardinha-de-água-doce e branquinha. O
caranguejo-vermelho também não pode ser capturado em período especificado pelo
Ibama.
Na
prática, porém, a concessão do 'bolsa pesca' tem sido bem diferente. A começar
pela quantidade de municípios em que há pescadores cadastrados, já que
corresponderia a 81,6% do total de cidades na Paraíba, sendo que, segundo
técnicos da Empresa Paraibana de Abastecimento e Serviços Agrícolas (Empasa), a
sardinha só é pescada em Jericó, mas como o açude está sem água, não há
atividade há anos. No município, entretanto, há 530 pescadores cadastrados; e o
branquinha nem sequer tem produção no Estado. Já o engenheiro da Secretaria de
Estado da Pesca, Davi Capistrano, disse que o curimatã e o piau são pescados na
região continental, o que não abrangeria cidades litorâneas. “Há no Estado 72
colônias de pescadores”, disse.
Além
disso, em pelo menos 13 municípios, os açudes em que são pescadas as espécies
que têm o período defeso estão com níveis quase a zero de água. Em 37 cidades,
o nível dos açudes monitorados pela Agência Executiva de Gestão das Águas não
passa de 10%, que, segundo Capristrano, inviabilizaria a produção.
Após
anos concedendo o benefício sem critérios técnicos, o Ministério da Agricultura
agora está averiguando as denúncias de irregularidades e, para isso, suspendeu
por 120 dias, desde o último dia 9 de outubro, a concessão do 'bolsa-pesca'. O
alvo é o sistema responsável por gerar o documento básico (a Carteira de
Pescador Profissional) para que ele possa requerer o benefício ao INSS.
A
suspeita é de que a liberação das carteiras tenha sido usada para fins
eleitoreiros. Segundo o superintendente do Ministério da Pesca na Paraíba,
Juscelino Miguel, durante audiência pública realizada na Assembleia
Legislativa, no último dia 10, na gestão que o antecedeu foram confeccionadas
mais de 15 mil carteiras de pescadores na Paraíba, muitas destas com suspeita
de irregularidades. Apesar de entender que pode trazer prejuízos a quem de fato
depende da pesca, Miguel disse que a suspensão é necessária.
Muito
assistencialismo
O
deputado Anísio Maia (PT), que já foi superintendente da Pesca no Estado e alvo
de investigação pela Superintendência do Ministério do Trabalho na Paraíba, sob
acusação de usar as carteiras de seguro-defeso em benefício de seu projeto
eleitoral, agora também acusa o ex-superintendente da Pesca no Estado, Samuel
Lemos, indicação do PRB, como responsável pela fraude na concessão do seguro a falsos
pescadores. Na época, o petista foi acusado de usar o 'bolsa-pesca' para dar
uma turbinada na sua campanha para deputado.
Segundo
Maia, foi comprovada a liberação de 20 mil carteiras falsas, emitidas em apenas
um ano e meio, aumentando em 100% a quantidade de beneficiários do
seguro-defeso. “Existe um município no Estado com 3 mil habitantes e mil
carteiras de pescadores. Em minha época, como superintendente, havia controle,
as carteiras eram emitidas a conta-gotas. Não podemos deixar que o verdadeiro
pescador pague a conta”, afirmou o petista, que foi processado por Samuel Lemos
pelas declarações. “Tenho provas de tudo que disse. Tenho fotos de uma Hilux
que um presidente de colônia de pescador ganhou por ser comparsa desse
cidadão", garantiu o deputado. A reportagem tentou, mas não conseguiu
falar com Lemos.
O
parlamentar revelou que no Estado existe, inclusive, um presidente de colônia
de pescador ostentando riqueza em suas redes sociais, com dinheiro adquirido
através de fraudes na emissão de carteiras. “Não paguem mais nenhum valor a
esses presidentes de colônias, pois eles estão dizendo que o seguro-defeso não
acabou que é para continuar recebendo suborno”, disse Anísio. O presidente da
Federação de Pesca da Paraíba, Zélio do Nascimento, defende o recenseamento,
desde que seja feito com agilidade para que os pescadores honestos e que contam
com este direito, não sejam prejudicados por irregularidades dos outros.
Veja
abaixo quanto seu município recebeu:
|
Município
|
Valor Pago
|
Segurados
|
|
Barra
de S. Rosa
|
R$
973.846,00
|
146
|
|
Baraúna
|
52.490,00
|
09
|
|
Cubatí
|
R$
185.555,00
|
24
|
|
Cuité
|
R$
862.472,00
|
.
134
|
|
Frei
Martinho
|
R$
40.017,00
|
04
|
|
Nova
Floresta
|
R$
278.642,00
|
37
|
|
Nova
Palmeira
|
R$
15.575,00
|
02
|
|
Pedra
Lavrada
|
R$
5.520,00
|
01
|
|
Picuí
|
R$
2.015.540,00
|
270
|
|
Sossêgo
|
R$
377.118,00
|
67
|
|
Seridó
|
R$
24.793,00
|
03
|
|
Soledade
|
R$
2.996.046,00
|
388
|
Pesquisa de Francisco
Araújo com JPOnline


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