Ministro do Supremo autoriza novo inquérito para investigar Cunha.
O
ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, autorizou na noite desta quinta-feira
(15) a abertura de um novo inquérito para investigar o presidente da Câmara,
Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
O
pedido de investigação foi formulado mais cedo pelo procurador-geral da
República, Rodrigo Janot.
O
procurador-geral quer apurar suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro em
razão de quatro contas na Suíça atribuídas ao parlamentar.
A
existência das contas é apontada em documentação enviada à Procuradoria Geral
da República pelo Ministério Público suíço.
Teori
Zavascki também autorizou a investigação da mulher do deputado, Cláudia
Cordeiro Cruz, e de uma filha dele, supostas beneficiárias dessas contas.
Na
semana passada, a Procuradoria recebeu da Suíça extratos bancários e documentos
que indicam que Eduardo Cunha era titular das contas.
Em
uma, segundo informou o MP suíço, houve um depósito de R$ 1,3 milhão de francos
suíços. Segundo a procuradoria, trata-se de dinheiro de propina oriundo de
contrato de exploração de um campo de petróleo em Benin, na África.
Cunha
nega contas no exterior
Em
nota divulgada no último dia 10, Cunha afirmou nunca ter recebido
"qualquer vantagem de qualquer natureza, de quem quer que seja, referente
à Petrobras ou a qualquer outra empresa, órgão público ou algo do gênero".
Também reiterou depoimento espontâneo que deu à CPI da Petrobras no início do
ano em que negou possuir contas fora do país.
Nesta
sexta, depois do anúncio de que o procurador-geral havia solicitado a abertura
de novo inquérito, Cunha disse que o pedido facilitará a defesa.
“Não
fui notificado. Meu advogado vai tomar as providências. É natural, eu prefiro
que tenha alguma coisa às claras para que eu possa ter acesso. Na medida em que
pede a instauração de inquérito, a gente vai ter acesso e poder se defender.
Não vejo isso como nenhum problema”, disse. Cunha não quis comentar o fato de a
esposa e a filha dele estarem incluídas no pedido de investigação.
Outro inquérito
Em
agosto, Eduardo Cunha já tinha sido denunciado pela PGR por corrupção e lavagem
de dinheiro, devido à suspeita de ter recebido pelo menos US$ 5 milhões por
contratos de aluguel de navios-sonda pela Petrobras.
Nesta
quinta, chegou ao STF um complemento a essa acusação, com trechos da delação do
lobista Fernando Baiano na qual ele reafirma o repasse.
Documentos da Suíça
Os
detalhes sobre as supostas contas secretas foram enviadas pelo Ministério
Público da Suíça e chegaram à Procuradoria Geral da República na semana
passada.
Os
documentos incluem cópias de passaporte, comprovantes de endereço no Rio de
Janeiro e assinaturas de Cunha.
Na
peça entregue ao STF, a PGR anexou cópia de todo o material que veio da Suíça,
inclusive um diagrama que mostra o caminho do dinheiro entre várias contas.
Os
investigadores rastrearam o caminho do dinheiro depositado nas contas
bancárias, que receberam nos últimos anos depósitos de US$ 4.831.711,44 e
1.311.700 francos suíços, equivalentes a R$ 23,2 milhões.
Os
documentos do Ministério Público suíço sobre as contas contêm detalhes como
gastos realizados em cartões de crédito, inclusive para gastos pessoais, como
um curso de inglês na Malvern College, na Inglaterra, no valor de US$ 8 mil, e
para uma academia de Nick Bollettieri, uma das principais formadoras de
tenistas no mundo, com pagamento de US$ 59 mil.
G1


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