Prefeitos anunciam acordo por alíquota de 0,38% para CPMF.
Entidades
de prefeitos anunciaram nesta terça-feira (27) um acordo com o Palácio do
Planalto para que a nova CPMF tenha alíquota de 0,38% (0,20% para a União;
0,09% para estados; e 0,09% para municípios).
Criada
no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) com o objetivo de
financiar a saúde, a Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras
(CPMF) foi extinta pelo Congresso Nacional em 2007. À época, também tributava
as operações financeiras em 0,38%.
Segundo
informaram representantes da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) e da
Confederação Nacional dos Municípios (CNM), entidades municipalistas que se
reuniram nesta terça com o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini,
ainda não há consenso, porém, quanto à destinação dos recursos a serem
arrecadados com o novo imposto – se vão para a Previdência Social, como o
governo defende, ou para a saúde, como querem os prefeitos.
O
governo informou que não vai se pronunciar até que todos os detalhes do acordo
estejam definidos, entre os quais a destinação dos recursos.
De
acordo com o projeto enviado pelo Executivo ao Congresso Nacional, a alíquota
do novo imposto seria de 0,20% e os recursos, destinados à União, deveriam
financiar exclusivamente a Previdência Social.
Essa
proposta, porém, sofreu resistência de prefeitos e governadores. Para garantir
apoio à medida no Congresso, eles passaram a exigir do Planalto que incluísse
no projeto estados e municípios como destinatários de parte dos recursos e a
defender que outras áreas sejam beneficiadas com a verba.
O
ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, responsável pela
articulação política do Executivo federal, chamou, então, ao Palácio do
Planalto nesta terça, representantes da Frente Nacional dos Prefeitos e da
Confederação Nacional de Municípios, além dos governadores Luiz Fernando Pezão
(PMDB-RJ) e Paulo Câmara (PSB-PE), para buscar um acordo sobre a alíquota da
nova CPMF e sua aplicabilidade.
Na
avaliação do governo, se municípios e estados defenderem diante de suas
bancadas no Congresso a criação do imposto, a chance de aprovação será maior.
Ao
deixar o Palácio do Planalto, após o encontro com Berzoini, o presidente da
FNP, Márcio Lacerda (PSB), prefeito de Belo Horizonte (MG), confirmou o acordo
sobre a alíquota, fixada em 0,38%, mas disse que ainda não consenso quanto à
aplicação.
Entre
as entidades de prefeitos há divergências sobre se os recursos serão destinados
ao financiamento da Saúde, da Previdência Social ou da Seguridade Social (que
permite o financiamento das duas áreas, conforme as necessidades).
"Na
realidade, a União não abre mão do 0,20% e isso já ficou condensado: 0,20%,
0,09% e 0,09%. [...] Nós [FNP] entendemos que teríamos maior apoio da população
e dos parlamentares se houvesse destinação específica para a Saúde. [...] Mas a
CNM defende a aplicação dos recursos na Seguridade Social", disse Lacerda
ao deixar o Planalto.
Ao
G1, o segundo-vice-presidente da CNM, Luiz Sorvos, também confirmou o acordo em
torno da alíquota, mas ressaltou que ainda falta consenso em torno da
aplicação.
"É
isso mesmo que o Lacerda falou. Temos um acordo sobre a alíquota mas falta o
consenso sobre a aplicação. Como as entidades ainda defendem destinações
diferentes, precisamos chegar a um acordo sobre isso também", disse.
Segundo
informaram Lacerda e Sorvos, uma nova reunião entre governo federal, prefeitos
e governadores foi agendada para o dia 4 de novembro com o objetivo de se
chegar a um consenso.
Arrecadação
Pelas
estimativas da equipe econômica, se a nova CPMF for aprovada no Legislativo, a
União arrecadará R$ 32 bilhões ao ano. O governo quer aprovar a medida porque,
em meio a uma crise econômica, a arrecadação tem sido inferior à prevista e o
Executivo busca o reequilíbrio fiscal.
G1


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