90% dos municípios 'pedem socorro' na PB; há cortes, atrasos e demissões em massa.
A
severa crise econômica que assola o país tem prejudicado diretamente os
municípios, sobretudo, as pequenas cidades. O prejuízo é tanto que mais de 90%
das 223 prefeituras paraibanas vem implantando cortes severos nas despesas e
mais de 40 prefeitos já decretaram a redução ou suspensão total dos respectivos
salários, além dos recebimentos percebidos pelos vices e secretários
municipais. O problema é tão sério que chega ao ponto do presidente da
Federação das Associações de Municípios da Paraíba (Famup), José Antônio
Vasconcelos da Costa, ou 'Tota Guedes' como é mais conhecido, decretar o
“esfacelamento total da máquina pública municipal”, caso não haja uma mudança
drástica na política tributária nacional e na forma de repasse de recursos para
as cidades adotada pelo Governo Federal.
Segundo
Tota Guedes, a situação dos municípios, do ponto de vista da receita, é
'desesperadora'. “A crise nos municípios tem sido difícil, para não dizer
insustentável. Os prefeitos vêm tomando medidas drásticas para sanar os débitos
das gestões, mas tudo tem acontece com dificuldade extrema, pois, a arrecadação
tem sido menor do que em anos anteriores, a inflação voltou com tudo, em
janeiro já teremos despesas maiores com o aumento do salários mínimos, e
pagamento do novo piso dos professores. A situação dos gestores é complicada
neste momento”, comentou.
O
presidente da Famup alegou que o não cumprimento de Lei Federal que prevê o
acréscimo anual de 1% na receita destinada ao Fundo de Participação dos
Municípios (FPM), pela União, que este ano só repassou 0,25%; o período de 10
anos sem reajustes nos orçamentos dos programas federais; a defasagem do Fundeb
(Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos
Profissionais da Educação); e a não execução de um imposto, a exemplo do CMPF,
afetam diretamente na queda da receita, proporcionando atrasos no cumprimento
dos compromissos das gestões.
“Estivemos
recentemente junto com gestores paraibanos numa marcha de prefeitos com a
presidente Dilma Rousseff (PT), em Brasília, onde pedimos socorro. Não dá mais
para o governo deixar de cumprir a Lei de aumento do FPM. É preciso reajustar
os programas federais, realinhar os valores repassados pelo Fundeb, que preveem
60% de repasse para os professores e 40% para melhorias no ensino público, mas
sequer dar para honrar com os pagamentos dos docentes. Nesse modelo federativo
atual, em breve não dará mais para manter a máquina municipal”, explicou Tota
Guedes.
Nova
vítima
E
a crise municipal fez uma nova vítima nesta sexta-feira (6). O prefeito de
Santa Luzia, Ademir Morais (Democratas), anunciou redução do próprio salário, e
dos pagamentos destinados ao vice-prefeito, Zezé (PSD), e aos secretários
municipais. Ele também prometeu colocar em prática duras medidas para tentar
equilibrar as receitas e cumprir com os compromissos. Entre elas, a demissão no
final deste mês de mais de 200 servidores contratados por excepcional interesse
público, ou seja, que deram entrada no serviço público sem a admissão por
concurso público.
A
Prefeitura de Santa Luzia conta atualmente com 219 funcionários nesta situação.
A gestão de Ademir Morais tem sofrido nas últimas semanas com protestos
sequenciais promovidos por servidores ativos e inativos, que cobram salários
atrasados.
Outra
medida anunciada pelo democrata é a extinção das Secretarias de Cultura, de
Turismo, e da Juventude, Esporte e Lazer. Todas serão integradas à Secretaria
de Educação e ao Gabinete do Prefeito, agora como diretorias. “A meta é que a
partir de janeiro de 2016, a prefeitura consiga gastar apenas o que arrecadar.
Estas medidas são necessárias para tentar manter o equilíbrio financeiro da
administração”, disse Ademir Morais.
Por
Ângelo Medeiros


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