MPF denuncia casal de ex-deputados por desvio de dinheiro do SUS no RN.
O
Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia à Justiça Federal contra o
ex-deputado federal Laíre Rosado Filho, contra a mulher dele, a ex-deputada
federal Sandra Maria da Escóssia Rosado, e contra a filha do casal, Larissa
Rosado, também ex-deputada. Quem assina a denúncia é o procurador Emanuel de
Melo Ferreira, de Mossoró, na região Oeste do Rio Grande do Norte.
Os
três, juntamente com outros 12 envolvidos, incluindo o ex-marido de Larissa
Rosado, são acusados de montar um esquema para desviar recursos da União
destinados à Fundação Vingt Rosado, em Mossoró. De acordo com o MPF, o total
dos desvios, em valores atualizados, pode chegar a mais de R$ 2,7 milhões.
As
investigações do Ministério Público Federal se iniciaram a partir de um
relatório do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus). O trabalho
realizado pelo Denasus apontou diversas irregularidades nas licitações
deflagradas para utilização dos recursos repassados por meio de convênios,
entre o Ministério da Saúde e a Fundação Vingt Rosado, instituição vinculada à
família de Laíre Rosado.
Os
créditos orçamentários que permitiram o repasse dos recursos foram todos
resultados de emendas parlamentares ao Orçamento Geral da União, propostos pela
então deputada federal Sandra Rosado, segundo o MPF.
Esquema criminoso
A
denúncia afirma que o modus operandi consistia no seguinte esquema: primeiro
Sandra Rosado direcionava recursos de emendas parlamentares à Fundação Vingt
Rosado; em seguida havia a simulação de um procedimento licitatório para
encobrir a escolha direta das empresas integrantes do esquema. Posteriormente,
havia o repasse dos recursos às empresas selecionadas, lastreados em notas
fiscais que atestavam a suposta aquisição de medicamentos e insumos não
fornecidos efetivamente à fundação.
Um
dos representantes da empresa “vencedora” da licitação sacava os valores
repassados pela entidade, para em seguida realizar a partilha dos recursos
entre os envolvidos.
O
MPF aponta ainda que para tornar mais complexo o esquema, dificultando uma
possível investigação, os recursos não eram imediatamente repartidos entre os
integrantes do esquema criminoso. O dinheiro era “branqueado” através da
utilização da Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância
em Mossoró (Apamim), sendo destinado às contas bancárias dos membros da família
Rosado. Antes, entretanto, passava por assessores parlamentares. A quebra do
sigilo bancário dos envolvidos, autorizada pela Justiça Federal, revelou uma
série de transferências e depósitos em favor dos investigados.
Apamim
De
um total de R$ 360 mil repassados pelo Convênio nº 743/2004, a importância de
148.774,75 teria sido doada à Apamim, o que representa 41,32% do total de
recursos. Ressalte-se que o presidente da Fundação Vingt Rosado, Francisco de
Andrade Silva Filho, ex-marido de Larissa Rosado, também fez parte da diretoria
da Apamim, chegando a ocupar a presidência das duas entidades ao mesmo tempo.
A
denúncia do MPF destaca que, apesar do recebimento desses recursos, a prestação
de serviços que deveriam ser oferecidos pela Apamim (assistência à gravidez de
baixo e médio risco) só piorava, até o ponto que tornou calamitosa.
“A
exemplo disso, consta do Auto de Infração nº 002576, emitido em 02.06.2014 pela
Vigilância Sanitária do Município de Mossoró, o qual noticiou a absurda
reutilização de seringas na Apamim, assim como a inexistência de filtros de
incubadoras na maioria das incubadoras”, destaca a denúncia do MPF.
O
procurador Emanuel de Melo Ferreira explica que fica claro que os repasses
efetuados pela Fundação Vingt Rosado em favor da Apamim não se destinavam à
aquisição de materiais de consumo hospitalar ou medicamentos em favor da entidade.
“Servia apenas para conferir aparência de legalidade na utilização dos
recursos, que posteriormente eram objeto de operações financeiras ilícitas
entre os investigados”, destaca.
G1/RN


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