Picuiense Zinho diz estar pobre, acusa mulher de inventar doença da filha e pode ser preso por não pagar pensão.
Com
passagens pela Portuguesa, Sport e São Caetano, nos anos 90, o ex-meia-direita
Zinho, 50 anos, (não confundir com o tetracampeão mundial Zinho, ex-Flamengo e
Palmeiras) tenta reaver na Justiça os valores referentes a três imóveis
vendidos para custear o tratamento de uma doença inexistente em sua filha.
Zinho acusa sua ex-mulher, Fátima Cristine Ventura, de enganá-lo com a falsa
notícia de que era preciso se desfazer de bens para salvar a filha do casal de
uma leucemia. E diz estar pobre por ter gastado esse dinheiro.
Zinho
já moveu um processo de Vara da Família contra a ex-mulher (já houve sentença).
Na Justiça, ele apresentou depósitos que seriam das vendas dos apartamentos
feitos na conta de Fátima Cristine Ventura. Mas esse primeiro processo, por se
tratar da Vara da Família, considera apenas imóveis que ainda estão no nome da
empresa de posse do jogador e de sua ex-mulher, e não o que já foi desfeito por
eles. Agora, Zinho processará sua ex-mulher também na esfera cível na tentativa
de reaver o dinheiro que diz ter perdido. No primeiro que moveu, foi decidido
pela partilha do único imóvel que ambos têm em conjunto, no nome de uma empresa
dos dois (mais detalhes abaixo).
"Ela
[Fátima] me ligava até de madrugada ameaçando e dizendo que nossa filha iria
morrer. Fiquei desesperado. Vendi três imóveis e dei tudo que tinha para bancar
um tratamento que nunca existiu. Eu perdi tudo".
Segundo
o ex-atleta, a filha, atualmente com 17 anos, também dizia estar com leucemia.
Ao UOL Esporte, Zinho conta que desconfiou da história quando não recebeu o
laudo médico. "Eu pedia o laudo, mas não me mandavam. Tive a certeza de
que era mentira quando eu vi na internet que ela [Fátima] tinha viajado para a
Argentina. Ela visitou o estádio do Boca Juniors, comeu em restaurantes bons de
lá. Não era cara de uma pessoa que se dizia pobre e desesperada com uma filha
doente".
No
processo registrado na Justiça paulista, Zinho anexou imagens em que a
ex-mulher teria postado no Facebook. Em uma delas, Fátima teria compartilhado a
seguinte mensagem: "Confie em seu marido, adore seu marido e passe o
máximo que puder para o seu próprio nome".
Procurada
pela reportagem, a advogada de Fátima, Ana Miliane Gomes, não quis se
pronunciar e informou que sua cliente estaria impossibilitada de conceder
entrevista em virtude de um problema familiar. A reportagem mandou mensagem
para Fátima na terça-feira, por e-mail, mas não obteve retorno.
No
processo registrado na Justiça de São Paulo, a defesa de Fátima Cristine
Ventura diz que Zinho criou a história da leucemia e afirma que ex-mulher nunca
citou que a filha tinha essa doença. "A filha do requerente [Zinho] jamais
esteve doente, muito menos com leucemia, tratando-se de mais uma mentira do
requerente, no intuito, de ludibriar a Vossa Excelência com alegações fúteis e
sem o menor vislumbre de juricidade", rebateu.
Ex-atleta
diz que tinha 1% de sua empresa
Zinho
acionou a Justiça de Vara da Família para contestar a partilha dos bens. Ele e
a então esposa abriram em 2000 a empresa Ventura & Silva. A divisão era de
99% para mulher e 1% para o então jogador.
A
empresa foi constituída para que o então atleta recebesse parte do salário no
clube. Zinho alega que aceitou abrir empresa nessa condição (99% para a mulher
e só 1%) por ser uma pessoa com baixa formação acadêmica.
"Por
ser psicóloga, [Fátima] detinha um poder de manipulação, controle e total
domínio sobre o seu Companheiro [Zinho], seus bens e vencimentos, pois o
requerente se sentia inferior por ter baixo nível de escolaridade. O Zinho
confiava muito nela", apresentou a defesa de Zinho.
O
ex-jogador também sustenta que os imóveis vendidos para bancar o suposto
tratamento médico da filha foram adquiridos antes da união estável com a
ex-mulher.
No
processo, a defesa de Fátima informa que a empresa Ventura & Silva foi
criada em comum acordo.
O
processo de partilha dos bens de Zinho e sua ex-mulher teve sentença definitiva
(não cabe mais recurso). Ficou decidido que a empresa tem de ser partilhada em
50% para cada um e também determinou que o único imóvel em nome de ambos (onde
Fátima reside) seja partilhado em iguais partes. A defesa de Fátima entrou com
recurso para desarquivamento do processo. Após a sentença, o processo entrará
em execução.
Zinho
tem pedido de prisão por não pagar pensão
À
Justiça, a ex-mulher informou que, durante o casamento, Zinho teve um filho de
um caso extraconjugal. No trâmite, ela afirma que ex-jogador parou de ajudar
financeiramente a família (Fátima e a filha) e não paga pensão há mais de um
ano, fixada em dois salários mínimos. Ao Tribunal, a filha registrou atestado
de pobreza. Zinho alega que também vive na miséria.
"Eu
perdi tudo. Tudo o que eu tinha está nas mãos dela [ex-mulher]. Não tenho como
pagar pensão", diz o ex-jogador. Zinho e Fátima se conheceram em 1995. Na
época, Zinho era casado e tinha dois filhos. A relação extraconjugal foi
mantida. Ele e Fátima tiveram união estável de 1999 a 2009. Atualmente, Zinho
presta serviço não remunerado na prefeitura de Tangará/RN e pretende retomar a
carreira de técnico. Ele vive com outra mulher, com que teve um filho.
Uol


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