Presos são achados soterrados em túnel na maior penitenciária do RN.
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| Estes dois presos foram soterrados |
A
direção da Penitenciária Estadual de Alcaçuz confirmou que os corpos de dois
presos foram encontrados soterrados nesta segunda-feira (9) dentro de um túnel
aberto na maior unidade prisional do estado, localizada em Nísia Floresta, na
Grande Natal.
O
desaparecimento dos detentos do pavilhão 2 foi confirmado após uma contagem
feita por agentes penitenciários e homens do Grupo de Operações Especiais (GOE)
da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania. Durante a manhã, presos
informaram sobre o desabamento de um túnel.
Os
presos encontrados mortos foram identificados pela direção como Rodrigo
Nascimento Silva, de 29 anos, e Arlindo de Lima Silva, de 30 anos. Os dois
cumpriam pena por assalto, de acordo com o diretor da Penitenciária de Alcaçuz,
Eider Brito.
"O
túnel estava sendo cavado no sentido do muro. A estrutura deve ter desabado
porque o terreno é arenoso demais, de duna", afirma Brito. O Instituto
Técnico-Científico de Polícia (Itep) e a Polícia Civil foram chamados para
fazer a perícia e iniciar a investigação sobre as mortes.
O túnel
Um
túnel escavado para fuga desmoronou na manhã desta segunda-feira (9) . Os
próprios detentos informaram a direção do presídio que pelo menos dois presos
estariam encobertos pela terra que desmoronou sob o piso do pavilhão 2.
Segundo
a Coordenadoria de Administração Penitenciária do estado, o túnel é o mesmo que
foi descoberto no sábado (7), fato que causou revolta a dos apenados. "A
abertura do túnel chegou a ser concretada, mas os presos reabriram o buraco num
outro ponto. Na manhã desta segunda, eles tentaram dar continuidade às
escavações até acontecer o desmoronamento. Sem ter como voltar, eles tiveram
que cavar uma saída ainda dentro da penitenciária. oi quando fomos avisados que
dois deles teriam ficado soterrados", explicou um agente.
Ainda
no sábado, logo a primeira tentativa de
fuga ter sido abortada, colchões foram incendiados e grades arrancadas das
celas. Amotinados, os internos chegaram a jogar pedras nos policiais militares
do Batalhão de Choque, que recuaram.
Com
a notícia de que o BPChoque não havia conseguido controlar os presos em Alcaçuz,
os ânimos no Presídio Provisório Raimundo Nonato, que fica na Zona Norte de
Natal, também se exaltaram e os detentos
começaram a queimar colchões.
Alcaçuz
fica em Nísia Floresta, município da Grande Natal. Com capacidade para 640
presos, possui atualmente pouco mais de 1 mil apenados. Duzentos somente no
pavilhão 2. O sistema penitenciário do Rio Grande do Norte possui atualmente
8.000 presos para 3.700 vagas. Em razão da superlotação, das 33 unidades
prisionais, 12 foram interditadas pela Justiça e não podem receber novos
detentos. A lista inclui a Penitenciária Estadual de Alcaçuz.
Calamidade pública
O
sistema penitenciário potiguar entrou em calamidade pública no dia 17 de março,
logo após o fim de uma onda de rebeliões que atingiu pelo menos 14 das 33
unidades prisionais do estado. O decreto, renovado em setembro, tem validade
até março de 2016.
Além
disso, também passa por um momento crítico com relação ao controle das
unidades, hoje comandadas por facções criminosas que vêm se digladiando. Este
ano, 22 detentos foram assassinados ou encontrados mortos em condições
suspeitas e um adolescente morreu ao ser baleado em uma unidade para
cumprimento de medida socioeducativa durante uma tentativa de resgate. Os
números são da Coordenadoria de Análises Criminais da Secretaria Estadual de
Segurança Pública.
De
acordo com a (Sejuc, já foram gastos mais de R$ 5,6 milhões nas reformas das
unidades depredadas. A secretaria reconhece que o sistema penitenciário do RN é
ultrapassado e precisa de uma modernização com mais eficiência e tecnologia nos
processos.
G1



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