Servidores da Justiça paraibana entram em greve por melhores salários.
Os servidores do Poder Judiciário da
Paraíba entram em greve, por tempo indeterminado a partir desta terça-feira
(10), em todo o estado.
Os principais motivos da greve são a
defasagem salarial dos servidores e a falta de atenção da presidência do
Tribunal de Justiça (TJ) para resolver os problemas.
A greve foi deliberada na assembleia geral
realizada no dia 28 de outubro.
Com a greve deixarão de ocorrer às
audiências, o atendimento ao público, o cumprimento das determinações
judiciais, expedições e cumprimentos de mandados judiciais e vários outros
serviços, cartorários e os prestados pelos oficias de justiça em toda a
Paraíba.
Atenção apenas para magistrados e cargos
comissionados
Para José Ivonaldo, diretor financeiro da
Associação dos Técnicos e Analistas Judiciários da Paraíba (Astaj), a situação
financeira dos servidores do judiciário estadual é muito preocupante.
Ele afirma que os juízes estaduais terão, a
partir de janeiro de 2016, aumento de quase 17% em seus subsídios, passando a
ganhar mais de 25 mil reais, isso sem falar que ainda recebem alguns benefícios
tais como auxílio moradia de pouco mais de R$ 4 mil, auxílio alimentação e
outros.
Ivonaldo relata também que os cargos
comissionados do Tribunal de Justiça terão, já nesse mês de novembro, aumento
linear de 30%. Um diretor (primeiro escalão da administração) terá um
incremento de praticamente R$ 2.700.
Para Camilo Amaral, presidente da entidade
(Astaj), caso seja mantida a proposta do presidente do TJ, desembargador Marcos
Cavalcanti, os servidores deverão amargurar um pequeno reajuste para a data-base,
menor do que a inflação acumulada para esse ano, atualmente projeta para ser na
ordem de 9,55%.
Camilo também afirma que além da fixação do
percentual para a data-base, em percentual equivalente ao acumulado da inflação
para 2015, os servidores possuem, em sua pauta de reivindicação, a incorporação
gradativa dos auxílios aos vencimentos, o pagamento da diferença de 2,3% que
restou da gestão anterior da desembargadora Fátima Bezerra, reabertura dos
editais de remoção, entre outros.
Para ambos a qualidade dos serviços
prestados pela justiça estadual é bem abaixo das necessidades da sociedade.
Além da valorização salarial e funcional dos servidores é necessário haja
investimentos em equipamentos, realização de concurso público, entre outros.
Paralisação
de advertência
Para os dirigentes da Astaj, a paralisação
de advertência realizada pelos servidores nos dias 20, 21 e 22 de outubro já
foi um prenúncio da greve. Naquela oportunidade 78% dos fóruns judiciais da
Paraíba fecharam suas portas. Isso demonstra que os servidores não aceitam ser
tratados com a importância menor do que merecem. “Mas, mesmo assim, a direção
do TJ não se sensibilizou com a situação dos servidores nem tampouco com os
transtornos que uma greve pode causar para a população”, disse Ivonaldo.
Segundo Ivovaldo, o presidente do TJ/PB tem
a obrigação moral e administrativa de tratar os servidores do quadro com o
mesmo respeito, dignidade e equidade com que trata os magistrados e os cargos
comissionados.
A última rodada de negociação, realizada
essa semana, foi marcada pelas negativas do presidente aos pleitos salariais
dos servidores.
“A justiça paraibana é lenta e sua
presidência é corporativista, só atendendo aos interesses da magistratura
estadual e dos altos escalões de sua administração. Uma verdadeira decepção a
gestão do atual presidente”, disse Camilo Amaral.
Convocação
para a Assembleia Geral
Os dirigentes da Astaj também afirmam que
os servidores realizarão, na Praça João
Pessoa, em frente ao tribunal de justiça, a partir das 15h do dia 10 de
novembro, uma nova assembleia geral de toda a categoria para avaliar a
conjuntura e definir os rumos da greve.
Da Redação com Ascom


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