ATENÇÃO: RS mantém suspensão ao uso de larvicida em água potável.
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A
Secretaria Estadual de Saúde vai manter a suspensão ao uso do larvicida
Pyriproxyfen em águas destinadas ao consumo humano. A decisão foi anunciada
pelo secretário João Gabbardo dos Reis após reunião com representantes das
secretarias de Obras, Saneamento e Habitação e do Meio Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável, da Corsan e da Emater na tarde desta segunda-feira
no Centro Administrativo Fernando Ferrari.
O
secretário havia anunciado no sábado a suspensão temporária do produto, que é
indicado pelo Ministério da Saúde no combate ao Aedes aegypti. A motivação foi
um relatório divulgado na semana passada pela organização médica argentina
Physicians in the Crop-Sprayed Towns, que relaciona o uso do produto ao período
e ao local de maior manifestação da microcefalia.
Gabbardo
afirma que as pessoas que utilizavam o larvicida estão sendo instruídas a fazer
a proteção física dos recipientes onde a água é armazenada, tampando-os e
limpando-os periodicamente.
—
As pessoas já têm essas condições, vamos trabalhar mais no sentido de
orientação. A Emater e a Secretaria de Saúde já trabalhavam na lógica de fazer
o trabalho manual de cuidado, e não fazer a utilização do produto químico. Nós
estamos tentando colocar o modelo do Rio Grande do Sul em um modelo que a
Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) defende, com ênfase na
prevenção.
De
acordo com Gabbardo, o larvicida já era pouco usado em águas potáveis no Rio Grande
do Sul. Poderia haver o uso dele em localidades do Interior onde não há água
encanada — nenhuma na Região Metropolitana. Ele destaca que em locais onde a
água recebe tratamento com cloro, não há risco de criação de mosquito, e que a
utilização do larvicida em água que não será consumida é liberado. Gabbardo
salientou ainda que não há relatos de problemas no Estado em decorrência do
consumo de água que recebeu larvicida:
—
A medida é totalmente preventiva, para que tenhamos uma segurança no caso de ter
alguma relação com casos de alteração no sistema neurológico. Não há nenhuma
evidência científica demonstrando a causa e consequência disso, mas se temos a
alternativa de não usar o larvicida, por precaução, não vamos utilizar no Rio
Grande do Sul.
O
Estado não tem a intenção de prover estudos a respeito de uma suposta relação
entre o larvicida e casos de microcefalia, e nem entrou em contato com os
pesquisadores argentinos que levantaram essa suspeita. O secretário afirma que
está, sim, em contato com a Abrasco:
—
Nós não falaremos com os argentinos porque eles não fizeram pesquisa, eles
analisaram os dados do relatório da Abrasco e em cima disso fizeram a
manifestação.
A
Abrasco se manifestou nesta segunda-feira para dizer que nunca fez a relação entre
o larvicida e a microcefalia. Na nota técnica, divulgada em 2 de fevereiro, a
entidade fala da necessidade de investimentos em saneamento básico e se
posiciona contra o uso de substâncias químicas como principal estratégia de
combate ao mosquito Aedes aegypti.
—
Consideramos um contrassenso sanitário, um absurdo a colocação de veneno
larvicida na água potável. E também é um absurdo o uso de uma substância
considerada cancerígena pela Agência Internacional de Pesquisa para o Câncer
(Iarc, na sigla em inglês), pela Organização Mundial da Saúde (OMS ), o
Malathion, nos fumacês pelo país. Existem outras medidas que deveriam ser
priorizadas — afirmou o coordenador do Grupo de Saúde e Ambiente da Abrasco,
Marcelo Firpo.
Gabbardo
afirmou respeitar a orientação do Ministério da Saúde (MS) e dos demais estados
que fazem uso deste produto, porque podem ter mais necessidade de armazenamento
de água em reservatórios individuais, e destacou que a decisão de suspender a
aplicação do produto em reservatórios de água recebeu apoio integral do
Conselho Estadual das Secretarias Municipais de Saúde do RS (Cosems/RS).
Zero
Hora


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