Rui Falcão diz que acusações contra Lula são “ilações sem fundamento”.
O
presidente nacional do PT, Rui Falcão (foto), classificou como “ilações sem fundamento”
as denúncias sobre os vínculos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com
um sítio em Atibaia, interior paulista. “São denúncias infundadas, haja vista
que o sítio tem escritura e nome de proprietário. E o proprietário faculta a
visita a esse sítio para quem ele quiser, principalmente para o presidente
Lula, com quem um dos proprietários praticamente foi criado, desde a sua
infância. Essa denúncia não faz nenhum sentido”, disse hoje (15) após
participar da reunião do conselho político do PT. Lula também participou do
encontro.
No
último dia 4, a Justiça Federal autorizou a Polícia Federal (PF) a instaurar um
novo inquérito para apurar se a construtora OAS ou outras empresas investigadas
na Operação Lava Jato têm vínculos com o sítio. O despacho do juiz responsável
pelo processo da Lava Jato, Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba
atendeu a um pedido da PF para desmembrar o Inquérito Policial 0594. A
investigação foi iniciada em 2014 para investigar eventuais crimes de peculato
(desvio de dinheiro por funcionário público) e de lavagem de dinheiro
praticados por dirigentes da OAS.
Apesar
da determinação do juiz para que o inquérito corresse em segredo de Justiça, o
procedimento foi divulgado no site do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª
Região. Em um despacho posterior, Moro alegou que a publicação foi causada por
um equívoco que lançou a decisão automaticamente no sistema de acompanhamento
virtual da Justiça. Com isso, o magistrado optou por remover o sigilo da
investigação.
Em
nota divulgada pelo Instituto Lula no final de janeiro, o ex-presidente
confirmou que frequenta o sítio, de propriedade de amigos, em momentos de
descanso, desde que deixou a Presidência da República, em 2011. “A tentativa de
associá-lo a supostos atos ilícitos tem o objetivo mal disfarçado de macular a
imagem do ex-presidente”, enfatiza o comunicado do instituto. Parte do acervo
coletado durante os dois mandatos de Lula também está guardado no local.
Além
da conjuntura política e econômica do país, Falcão disse que a reunião de hoje
tratou de “violações ao Estado democrático de direito”. Como exemplos dessas
violações, ele citou abusos que estariam sendo cometidos na Operação Lava Jato,
pela Justiça, Polícia Federal e meios de comunicação. “Prisões preventivas sem
necessidade, abolição do habeas corpus, inversão do princípio da presunção de
inocência, delações forçadas, criminosos que depois de fazerem delações são
transformados em heróis na mídia”, enumerou.
Segundo
Falcão, o ex-presidente Lula também é uma das vítimas desses abusos. “Embora a
escritura esteja registrada em cartório, em nome de outra pessoa, é o
presidente Lula que tem que provar que o sítio não é dele. É uma inversão de
valores, uma inversão dos fatos”, ressaltou.
Lula
deve prestar depoimento na manhã da próxima quarta-feira (17), por
videoconferência na Justiça Federal, em São Paulo, como testemunha de defesa do
pecuarista José Carlos Bumlai. A tomada de declarações foi agendada pelo juiz
Sérgio Moro. De acordo com Falcão, apoiadores de Lula devem prestar
solidariedade ao ex-presidente na ocasião. “Há uma mobilização de vários
setores para se dirigirem até o fórum”, disse.
Bumlai
e mais dez investigados na Operação Lava Jato foram denunciados pelos crimes de
corrupção e lavagem de dinheiro. De acordo com a acusação do Ministério Público
Federal, Bumlai usou contratos firmados com a Petrobras para quitar empréstimos
com o Banco Schahin. Segundo os procuradores, depoimentos de investigados que
assinaram acordos de delação premiada revelam que o empréstimo de R$ 12 milhões
se destinava ao PT e foi pago mediante a contratação da Construtora Schahin
como operadora do navio-sonda Vitória 10.000, da Petrobras, em 2009.
Agência
Brasil


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