Entidades pedem afastamento de Renan da presidência do Senado
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| Renan Calheiros |
Associações de advogados, juízes e
promotores afirmam que peemedebista não deve permanecer no cargo após virar réu.
Representantes de entidades de advogados, juízes e promotores pediram nesta
sexta-feira a saída de Renan Calheiros (PMDB-AL) da Presidência do Senado, após
o Supremo Tribunal Federal (STF) transformá-lo em réu por peculato — ou seja,
desviar bem público em proveito particular. Para a Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB), a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e a
Associação de Magistrados do Brasil (AMB), o senador deve se afastar para não
comprometer o funcionamento do Congresso Nacional.
O
presidente da OAB, Claudio Lamachia, defendeu o afastamento imediado de Renan.
Em nota, divulgada na manhã desta sexta-feira, Lamachia diz que, o senador deve
se afastar para que o fato de ser réu não comprometa o funcionamento do Senado.
"Com
a decisão tomada pelo STF de tornar o presidente do Senado, Renan Calheiros,
réu em processo sobre peculato, é necessário que ele se afaste imediatamente de
suas funções de presidente do Senado e do Congresso Nacional para que possa bem
exercer seu direito de defesa sem comprometer as instituições que representa.
Trata-se de zelo pelas instituições da República.Por este motivo, é preciso que
o senador Renan Calheiros seja julgado de acordo com os ritos e procedimentos
estabelecidos em lei, com acesso à ampla defesa e ao contraditório. Mas sem que
isso comprometa o cotidiano e os atos praticados pelo Senado Federal",
disse Lamachia, na nota
"Não
se trata aqui de fazer juízo de valor quanto à culpabilidade do senador Renan
Calheiros, uma vez que o processo que o investiga não está concluído" -
acrescentou o presidente da OAB.
O
presidente da ANPR, o procurador José Robalinho, afirmou que “não é razoável”
que um cargo como o de presidente do Senado seja ocupado por quem responde a
processo criminal.
—
O que pesa contra ele é acusação de crime contra a administração pública, não é
um assunto particular. Ele não deveria ficar em um dos Poderes da República,
não é adequado. Quem assistiu à sessão do Senado nesta semana viu que o senador
Renan quebrar questões de ordem dos seus pares, forçar a mão para discutir um
abuso de autoridade na véspera do julgamento dele acontecer — afirmou.
A
Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) também afirmou, por meio da
assessoria de imprensa, que espera que Renan se afaste da Presidência do Senado
para preservar o andamento da pauta legislativa.
O
processo apura se a empreiteira Mendes Junior pagou pensão alimentícia à
jornalista Mônica Veloso, com quem Renan tem uma filha. O caso eclodiu em 2007
e, na época, fez Renan renunciar à presidência do Senado.
O
presidente do Senado comentou no início desta noite, por meio de nota, a
decisão. De acordo com o texto divulgado por sua assessoria, o peemedebista diz
não haver “prova contra ele, nem mesmo probabilidades, apenas suposição”.
—
Em relação ao peculato, estão presentes indícios de autoria e materialidade —
afirmou o relator, Edson Fachin, que votou a favor do recebimento da denúncia
por peculato.
O
Globo


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