Mais de 60% dos municípios do país ainda não usam prontuário eletrônico do SUS.
Balanço divulgado hoje
(14) pelo Ministério da Saúde aponta que 63% dos municípios brasileiros ainda
não utilizam o prontuário eletrônico para atendimento no Sistema Único de Saúde
(SUS). Os números revelam que somente 2.060 cidades aderiram ao sistema até o
momento – incluindo 140 que se cadastraram nos últimos 60 dias.
O prazo de dois meses foi
definido pelo governo federal para que todos os cerca de 5,5 mil municípios do
país implementassem o prontuário eletrônico ou enviassem justificativas. Nesse
período, mais de 5,4 mil cidades acessaram o sistema. Pelo menos 151 não se
cadastraram na plataforma e podem ter os recursos destinados ao custeio dos
atendimentos na atenção básica suspensos.
Durante entrevista
coletiva, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, informou que a pasta realiza uma
espécie de busca ativa desses municípios para que todos passem a prestar contas
e para que não seja necessária a interrupção do repasse. “Nosso objetivo não é
punir ninguém, é obter informação sobre a demanda que o município tem”,
reforçou.
Apesar de o prazo para
adesão das cidades ao prontuário eletrônico ter sido encerrado no último sábado
(10), o ministro destacou que o sistema permanece aberto para novos cadastros
ou para o envio de justificativas e que os números podem mudar até o fim do
dia.
Ainda de acordo com o
balanço apresentado pela pasta, nos últimos 60 dias, 2,4 milhões de brasileiros
passaram a ser atendidos no SUS por meio do prontuário eletrônico, totalizando
57 milhões de pessoas com acesso ao serviço. O número representa 28,5% de toda
a população.
Justificativas
Segundo o ministério, as
justificativas registradas pelos municípios para a não implantação do
prontuário eletrônico foram: insuficiência de equipamentos (84,9%),
conectividade (73,9%), baixa qualificação no uso do prontuário (75%) e falta de
apoio na área de tecnologia da informática (67,9%).
Atualmente, 76% das
unidades básicas de saúde ainda registram o histórico do paciente em papel,
apesar de dados do Ministério das Comunicações apontarem que todas as cidades
do país contam com ponto de internet banda larga.
Conectividade
O presidente do Conselho
Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Guimarães
Junqueira, cobrou mais investimentos em conectividade por parte do governo
federal para que as informações possam ser comunicadas pelos gestores
municipais ao ministério de forma adequada.
“O prontuário eletrônico é
uma ferramenta importante para a gestão municipal, para a gestão do SUS e para
que a gente possa, em nível nacional, estadual e municipal, fazer um
planejamento do investimento que precisamos em equipamentos e treinamentos. É
importante chegarmos a 100% dessas informações.”
Agência Brasil


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