Oposição diz que vai recorrer ao STF contra aprovação da PEC do Teto.
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| Senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) |
Após os senadores terem
aprovado a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55/2016, integrantes da
oposição disseram que vão recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a
aprovação da proposta.
“A PEC é inconstitucional,
interfere nos outros poderes, que são independentes e autônomos, e também ataca
o artigo da Constituição que impede que os direitos sociais sofram uma
regressão. Então, o próximo passo efetivamente será pedirmos uma ação de inconstitucionalidade
contra essa proposta de emenda constitucional”, disse o senador Humberto Costa
(PT-PE), líder do partido no Senado.
Mais cedo, as senadoras
Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Vanessa Graziotin (PCdoB-AM) protocolaram pedido no
STF para interromper a votação da PEC, também conhecida como PEC do Teto dos
Gastos, sob o argumento de que a contagem de prazo entre um turno de votação e
outro não poderia incluir sessões extraordinárias, como ocorreu. No entanto, o
ministro Luis Roberto Barroso rejeitou o pedido.
Eleições
diretas
Os senadores de oposição
defendem ainda a renúncia do presidente Michel Temer e a convocação de eleições
diretas. Segundo Costa, em reunião dos partidos da bancada de oposição, nesta
manhã no Senado, os oposicionistas decidiram que não votariam a PEC e nenhuma
outra pauta sem definir uma posição sobre a crise política, em referência ao
vazamento de delações premiadas da Odebrecht que apontam o envolvimento de
membros do governo.
"Essas denúncias,
verdadeiras ou não, atingiram o coração do governo e o próprio presidente da
República. E se já faltava para esse governo legitimidade, pelo fato de ser
oriundo de um processo político, e não de um processo constitucional, agora com
o envolvimento de tantos integrantes da alta cúpula em denúncias, uma queda
extremamente importante da popularidade do governo, não há outra saída para o
país que não seja elegermos um governo que seja representante da vontade da
maioria”, disse Costa.
A bancada defende uma
alteração na Constituição Federal para que sejam convocadas eleições diretas no
próximo ano. Pelo texto constitucional, em caso de impedimento do presidente e
do vice nos últimos dois anos do mandato, o Congresso Nacional deve convocar
eleições em 30 dias depois da vacância do último cargo, no caso o
vice-presidente.
A proposta de novas
eleições também foi defendida pelo senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), integrante
da base governista. "O momento nacional é um momento sério, grave, e não
podemos fazer cara de paisagem como se nada estivesse acontecendo. Neste
momento, o Congresso tem credibilidade para legislar? O governo tem
credibilidade para governar? Se não tem, a população tem que ter condição de
reelegê-los novamente."
Em nota, o PPS, partido da
base, disse que “momentos de crise exigem união em prol do país, dos interesses
dos brasileiros. A situação não deve servir de justificativa para ameaças e até
chantagem com o objetivo de conquistar mais espaço de poder. Aliás, chantagem é
uma coisa que já deveria ter sido varrida da política”, disse o líder da
legenda na Câmara, deputado federal Rubens Bueno (PR).
Para o parlamentar, o
momento é de superação da crise. “Temos um governo transitório com a principal
missão de adotar algumas medidas fundamentais para superação da crise econômica
que está afetando a vida de milhões de brasileiros. É o caso, por exemplo, da
reforma da Previdência. Não é um governo salvador da Pátria. Sabíamos disso
quando aprovamos o impeachment. Então, não convém tomar atitudes para agravar
ainda mais a crise.”
Agência Brasil


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