Trabalhador terá de contribuir por 49 anos para receber aposentadoria integral.
A
proposta do governo federal para a Reforma da Previdência prevê que o
trabalhador terá que contribuir por 49 anos se quiser receber 100% do valor da
aposentadoria a que tem direito.
Pelas
regras propostas, o trabalhador precisa atingir a idade mínima de 65 anos e
pelo menos 25 anos de contribuição para poder se aposentar. Neste caso, ele
receberá 76% do valor da aposentadoria. A cada ano que contribuir a mais terá
direito a um ponto percentual. Desta forma, para receber a aposentadoria
integral, o trabalhador precisará contribuir por 49 anos, a soma dos 25 anos
obrigatórios e 24 anos a mais.
“Portanto,
para chegar a 100% do benefício precisará trabalhar por 49 anos”, disse o secretário
da Previdência, Marcelo Caetano. O valor da aposentadoria será 51% da média dos
salários de contribuição.
Atualmente,
o valor mínimo da aposentadoria é o salário mínimo e o teto é R$ 5.189,82, que
é reajustado anualmente pelo INPC. De acordo com o governo, o mínimo continuará
sendo o salário mínimo.
Segundo
Caetano, com as regras previstas na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da
reforma, será possível economizar entre R$ 5 bilhões e R$7 bilhões a cada ano
apenas com o Regime Próprio de Servidores Civis. Além disso - cumprindo-se a
expectativa do governo federal de aprovar a reforma ainda em 2017, bem como
aprovar também uma lei específica com novas regras para o Benefício da
Prestação Continuada (BPC) - poderão ser economizados outros R$ 678 bilhões
entre 2018 e 2027.
“Nossa
expectativa é de que o Congresso aprove [a reforma] em 2017 para garantir [os
benefícios para os cofres públicos]. Só com a reforma pelo BPC para o INSS a
economia será de R$ 4,8 bilhões em 2018, valor que cresce para R$ 14,6 em 2019.
Em 2020, será de R$ 26,7 bilhões; e em 2021 será de R$ 39,7 bilhões. De 2018 a
2027, a economia seria algo em torno de R$ 678 bilhões”, disse o secretário.
“Além disso, com regime próprio de servidores civis, a economia será de R$ 5
bilhões a 7 bilhões por ano”, acrescentou.
O
Benefício da Prestação Continuada (BPC) equivale a um salário mínimo mensal que
é concedido a idoso com mais de 65 anos ou pessoas com deficiência física,
mental, intelectual ou sensorial de longo prazo. O governo pretende que, no
caso de idosos, a idade mínima passe para 70 anos, em uma transição gradual de
10 anos.
A
ideia do governo é fazer com que a renda de todos os entes da família passem a
ser consideradas para o cálculo, sem as exceções previstas na lei atual – caso,
por exemplo da renda obtida por pessoas com deficiências. Nas regras atuais,
para receber o BPC, a renda per capita da família tem de ser inferior a um
quarto do salário mínimo.
Pensões
As
pensões pagas a viúvas e viúvos poderão, eventualmente, ser menores do que o
salário mínimo, segundo o secretário.
"Nas
pensões por morte, o valor pago [à viúva ou viúvo] será de 50% da
aposentadoria, acrescido de um adicional de 10% por dependente. Essa cota não
será mais revertida para a viúva [ou viúvo] quando o filho completar 18 anos de
idade", disse, ao ressaltar que as novas regras só valerão após serem
promulgadas, não abrangendo as pensões que já são pagas. “Entre nossas
premissas está a de não mexer com direitos já adquiridos”, acrescentou.
Idade mínima
As
novas regras estabelecem idade mínima de 65 anos para homens e mulheres,
segurados do INSS, servidores públicos, trabalhadores rurais e urbanos poderem
pedir a aposentadoria, assim como parlamentares e detentores de cargos
eletivos. O tempo mínimo de contribuição será de 25 anos.
As
regras valerão para homens com idade inferior a 50 anos e mulheres com menos de
45 anos. Para os contribuintes com idade superio, a proposta prevê a aplicação
de um acréscimo de 50% sobre o tempo que restava para a aposentadoria, tendo
como base a regra antiga.
“Digamos
que homem de 52 anos, com 34 de contribuição, com a regra de transição
aplica-se 50% do tempo. Como o tempo de contribuição era 35 anos, o tempo que
falta passa de 1 ano para 1 ano e meio”, disse o secretário.
Congresso Nacional
Ontem
(5) ao deixarem a reunião no Palácio do Planalto em que debateram a reforma,
sindicalistas disseram que, na forma como foi apresentada, a reforma não será
aprovada no Congresso Nacional. Eles reclamaram da idade prevista na regra de
transição, que deveria ser feita de forma mais suave.
Questionado
se o governo está preparado para mudanças da reforma no Congresso, Caetano
disse que as questões políticas fogem de seu controle, mas defendeu que a
reforma é necessária ou o país terá de encarar problemas previdenciários no
futuro.
“O
Congresso é fundamental nesse aspecto. É o local do diálogo social. No ambiente
democrático seu papel é fundamental. Mas essa reforma foi feita com visão de
Estado. Não de governo. Temos uma visão de longo prazo. Se começar a abrir mão
de muita coisa vai ter que fazer uma nova reforma lá na frente. A reforma tem
que ser duradoura. Queremos evitar não ter como pagar a Previdência, como
acontece em vários estados. Se a reforma não for feita, daqui a 2 anos teremos
que fazer nova entrevista para explicar uma nova reforma”, disse o secretário,
em entrevista coletiva no Palácio do Planalto.
Agência
Brasil


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