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ATENÇÃO: UPAS vão ficar no sufoco e com poucos médicos.


População sofrendo com a demora no atendimento e médicos sobrecarregados com a demanda de pacientes. Estas são as principais preocupações das entidades médicas com as mudanças propostas pelo Ministério da Saúde (MS), anunciadas no último dia 30, para facilitar a abertura e custeio de funcionamento das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) no País. Na Paraíba, são 12 estruturas em funcionamento e outras 16 devem entrar em operação no Estado. Contudo, o Governo Federal ainda não estipulou prazos.

Sem previsão para ampliar novas unidades, o atendimento nas UPAs existentes no Estado deixa a desejar, segundo as entidades médicas. Com dores no seio direito e queixando-se de um nódulo, a dona de casa Rosália da Silva saiu do município de Bayeux, para o bairro de Tibiri, em Santa Rita, onde recebeu atendimento na UPA. No município onde ela mora o equipamento de saúde existe, mas funciona precariamente, segundo denunciou.

“Tive que vir para cá porque lá busquei atendimento, mas não consegui. Me mandaram procurar um posto de saúde. Só que eu estou com dores. Aqui em Santa Rita o médico ainda me recebeu e receitou um remédio, mas não disse o que eu tinha porque não era a especialidade dele”, lamentou a jovem.

Na UPA onde a dona de casa foi atendida há quatro médicos plantonistas, mas nem sempre todos estão no local, conforme informaram outros usuários. “Nem sempre que a gente vem tem médico para atender todo mundo. Por isso que demora, principalmente nos feriados e finais de semana”, reclamou uma paciente que não quis se identificar.

É na tentativa de evitar o agravamento de situações como essa passada por Rosália, que o Conselho Regional de Medicina (CRM) da Paraíba segue as orientações do Conselho Federal da categoria e criticou as medidas anunciadas pelo MS. Para o diretor de fiscalização do CRM no Estado, João Alberto, a agilidade do Governo Federal em inaugurar novas unidades não considera a qualidade de atendimento que será disponibilizado aos usuários.

Mudança preocupa. “Por conta dos custos de se manter essas UPAs, muitos municípios podem optar por essa modalidade de apenas dois médicos. A redução no quantitativo médico é preocupante porque piora o atendimento que será dado a população. Um médico, em um plantão de 12 horas em uma UPA, chega a atender mais de 40 pacientes. Se a unidade só contar com dois profissionais, como é que vai ser isso?”, questionou o representante do CRM.

Por sua vez, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou uma carta aberta que reforça ainda sobrecarga de trabalho para os médicos e o risco de atendimento precário para as crianças. “A redução no número mínimo de médicos constitui um cenário de alto risco para os pacientes e para os profissionais. Nestes locais, o exercício da medicina ficará comprometido pela sobrecarga a ser gerada, expondo os profissionais a falhas, perdas e processos, além de doenças, como o burnout”, informou o documento da SBP.

Novas regras. Conforme o planejamento divulgado pelo MS, os recursos liberados pelo Governo Federal serão liberados para os municípios que mantêm UPAs de acordo com a quantidade de profissionais em atendimento e não mais por tipologia de porte. Os gestores terão disponíveis oito opções de funcionamento e capacidade operacional, variando de uma ajuda de R$ 50 mil mensais, para as unidades com dois médicos plantonistas e 2.250 atendimentos por mês, e R$ 250 mil mensais, para aquelas que contam com nove médicos e 13,5 mil atendimentos.


Katiana Ramos – Jornal Correio

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