Procuradoria abre investigação para apurar possível caixa dois de presidente do PSL.
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| Luciano Bivar, presidente do PSL e deputado federal |
A
Procuradoria Regional Eleitoral em Pernambuco instaurou um procedimento para
apurar possível prática de caixa dois do deputado federal Luciano Bivar (PE),
presidente nacional do PSL, partido de Jair Bolsonaro, na campanha eleitoral de
2018. A investigação tem como foco o uso de recurso do fundo partidário para
contratar a empresa de um de seus filhos e também o recebimento de doação de R$
8 mil de uma pessoa desempregada há mais de quatro meses. O caso foi revelado
pelo Estado.
Em
nota enviada ao Estado, a Procuradoria informou que os “os possíveis fatos
delituosos imputáveis” a Bivar são o “crime de contabilidade clandestina ou de
ausência de contabilização de recursos na prestação de contas da campanha, de
natureza eleitoral – o chamado “caixa dois eleitoral”.
Sediada
em Jaboatão dos Guararapes (PE), cidade a cerca de 20 quilômetros do Recife, a
Nox Entretenimentos está registrada em nome de Cristiano de Petribu Bivar,
filho do deputado. Foi o segundo maior gasto da campanha do parlamentar no ano
passado.
A
apuração foi aberta pela Procuradoria, mas encaminhada para a Promotoria da 5ª
Zona Eleitoral de Recife porque, no entendimento dos investigadores, os fatos
ocorreram antes de Bivar se tornar deputado e, portanto, possuir foro
privilegiado.
Além
da contratação da empresa do próprio filho, o procedimento instaurado mira uma
doação de R$ 8 mil recebida pela campanha de Bivar e proveniente de uma pessoa
que estava desempregada a mais de 120 dias. Tanto a doação como a contratação
da Nox Entretenimentos foram citadas em parecer da Procuradoria Eleitoral que
aprovou as contas do candidato com ressalvas e apontou a necessidade de se
aprofundar a apuração sobre esses dois pontos.
“A
transferência do caso para a primeira instância justifica-se porque os
possíveis fatos delituosos imputáveis ao então candidato, caso confirmados na
investigação, teriam sido praticados durante a campanha eleitoral de 2018.
Portanto, não guardariam relação com as funções de deputado federal”, afirmou a
Procuradoria Eleitoral por meio de nota.
Bivar
é presidente do PSL desde 1998 e, atualmente, ocupa o cargo de
segundo-vice-presidente da Câmara. O parlamentar deixou o comando da sigla
apenas durante a eleição a pedido de Bolsonaro para dar lugar a Bebianno. Ele
foi um dos candidatos do PSL que mais recebeu valores do fundo eleitoral. Dos
R$ 9,2 milhões, sua campanha amealhou R$ 1,8 milhão, o que representa 19,5% do
total.
Na
prestação de contas de campanha, a empresa do filho de Bivar aparece na segunda
colocação entre as empresas que mais receberam. Em primeiro lugar está a Vidal
Assessoria e Gráfica Ltda., de Luis Alfredo Vidal Nunes da Silva, que é vogal
(dirigente com direito a voto) do PSL de Pernambuco, como revelou o Estado
nesta quinta-feira, 14.
COM
A PALAVRA, LUCIANO BIVAR
A
reportagem entrou em contato com o presidente do PSL. Quando o caso foi
revelado, ele se manifestou da seguinte forma:
“Quanto
à sala, é aluguel em comodato, ou seja, na verdade ele empresta a sala para o
partido, sem custo.
A
contratação da Nox se deveu ao fato de ela ter oferecido o menor preço para
produzir os vídeos da campanha.
A
Nox inclusive trabalhou para candidatos de outros partidos em Pernambuco.
Há
contrato, notas fiscais, tudo perfeitamente legalizado”.
COM
A PALAVRA, NOX
“O
serviço foi efetivamente prestado à preço de mercado. Inexiste impeditivo legal
na contratação. Tendo inclusive as contas do candidato sido aprovadas sem
ressalva pelos órgãos competentes”.
Estadão


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