PALAVRA DO SENHOR – Não adormecer a esperança
Iniciamos hoje a caminhada
litúrgica do Tempo do Advento, isto é, a Palavra de Deus que escutaremos nos
ajudará a perceber os sinais dos tempos messiânicos a reconhecer e acolher o
Filho de Deus que chegará. É a escuta da Palavra que vai nos ajudar a preparar
o caminho. E neste primeiro domingo a palavra é “vigiai”, ou seja, “fiquem
atentos”, “não se dispersem”, “não adormeçam a esperança”, pois, seria trágico
o comodismo, o desleixo, a indiferença, a dispersão ao ponto de não acolher
Aquele que vem nos libertar.
Na Primeira Leitura (Is 2,
1-5) o profeta partilha o seu sonho de fraternidade universal, de paz, de
comunhão com todos os povos e nações. Na verdade, ESSE É UM SONHO E UMA
PROMESSA DE DEUS. Ele quer transformar “as espadas em arados, as lanças em
foices” (v. 4a), isto é, os instrumentos de guerra em instrumentos de trabalho.
No tempo de Deus “não levantará espada nação contra nação, nem mais hão de se
preparar para a guerra” (v. 2b), pois o reinado de Deus tem a característica de
paz e quem O segue tem o compromisso com a utopia da paz.
Será um tempo novo, de
coisas novas (cf.Ap 21,1) diferente da perspectiva do Gênesis que os primeiros
pais (Adão/Eva), ao pecar, se separaram de Deus e trouxeram conflitos “irmão
matando irmão” (cf. Gn 4, 1-8). O julgamento de Deus dá Luz a todas as nações
terá como critério “se elas foram ou não instrumentos de paz e concórdia”. Quem
se aproxima de Deus e entra em consonância com seu mandamento: “amai-vos uns
aos outros” (Jo 13, 34) mudaria neste mundo. Nossa geração compartilha deste
mesmo sonho de Deus? A “quem” e ao “quê” nos convertemos? Essa é uma promessa
de Deus que exige a colaboração de todos e de cada um. Deixemos nos levar pelo
caminho de Deus.
O Salmo (121(122)) é um
cântico de romaria e de subida ao templo. À medida que os romeiros sobem para a
casa de Deus eles dizem: “Pedi a paz (...): ‘vivam seguros quantos te amam.
Haja paz dentro de teus muros, tranquilidade em teus palácios. Por amor de meus
irmãos e amigos, pedirei a paz para ti. Por amor da casa do Senhor, pedirei
para ti todos os bens”. Quem vai à casa de Deus, reza pela paz e se compromete
com ela.
Na Segunda Leitura (Rm 13,
11-14) Paulo diz que o tempo final (tempo depois da Ressurreição de Jesus) está
a passar e que se aproxima o dia da nossa libertação definitiva. Portanto, é
fundamental que os cristãos despertem do marasmo, abandonem as “obras das
trevas” e “revistam-se de luz”. Se não estivermos dispersos ou longe de Deus é
possível pensar: o que há de trevas dentro de nós? O que há de luz?
O dia de nossa conversão, o
hoje e o dia do retorno do Senhor, essa cronologia, servirão para
compreendermos melhor nossa maturidade de fé. Somos dados às obras das trevas
ou da luz? Temos a sobriedade no Espírito ou estamos afundando na obscenidade
do mundo da vida fútil e odiosa.
O Evangelho (Mt 24,37-44)
nos leva ao Monte das Oliveiras (com os outros discípulos) para nos chamar a
vigilância frente à Parusia, mas também ao mundo novo que é um tempo inaugurado
na cruz.
A vigilância nos chama a um
estilo de vida já inaugurado na morte e ressurreição de Cristo. Enquanto muitos
estão dispersos e sonolentos, talvez cada um por si mesmo, a vida do Reino está
pedindo espaço para entrar.
Como símbolo de vigilância,
começamos a acender, progressivamente, as velas da Coroa do Tempo do Advento.
Cada vela acesa representa um convite a uma atitude interior que nos prepara
para a Festa do Natal, mas também para a segunda vinda de Nosso Senhor (vinda
gloriosa). Hoje, somos convidados acender a primeira vela quando ouvimos o
convite à vigilância da fé.
Em cada vela acesa um sinal
de persistência, de esperança, de vitória da vida sobre a morte. Cultivar a esperança
é sinal de que estamos aguardamos algo novo e bom para a nossa vida pessoal e
para a vida do mundo. Esperamos e somos esperados. Paulo diz que “O mundo geme
como que em dores de parto esperando que os filhos de Deus se manifestem”
(Rm8,19-23).
As velas do Advento nos
ensinam tanto a confiar em Deus que, mesmo sabendo que o mundo nos abandona,
Deus não nos abandona. Esperamos Nele, mas também Ele nos espera.
Por fim, o evangelho de hoje
nos fala da vigilância da casa contra o ladrão. A segurança da casa está em
jogo. É a vida da própria pessoa. E a pergunta que o evangelho provoca é: como
estamos tomando conta da nossa vida? Se tivéssemos de ir hoje ao encontro de
Deus, estaríamos preparados?
Deus vem ao nosso encontro.
Atentos. Não nos dispersemos com coisas extraordinárias, mas prestemos atenção
nos sinais simples da vida. Recordemos que a utopia do Reino nos provoca a
perceber as necessidades dos outros e que a dispersão do egoísmo afunda
qualquer projeto de harmonia e de paz.
Advento não é só um tempo
litúrgico, mas uma proposta de vida. A vigilância é o estado de vida que supera
a negligência, é a Arca onde se guarda o tesouro da nossa vida para não sermos
surpreendidos.
Bom Tempo do Advento e boa
semana!
Edjamir Silva Souza
Padre e Psicólogo


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