STF tem maioria para tornar Eduardo Bolsonaro réu por tentar coagir STF sobre julgamento do pai.
Eduardo é acusado de
pressionar ministros do Supremo e autoridades brasileiras na tentativa de
interferir no andamento do processo que investiga a trama golpista, no qual
Bolsonaro foi condenado.
A Primeira Turma do Supremo
Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira (14) para receber a
denúncia contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e torná-lo réu na
Corte.
Eduardo é acusado de tentar
interferir, fora do país, no julgamento de um processo que envolve o pai, o
ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR)
isso configura o crime de coação no curso do processo (entenda mais abaixo).
🔎Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três
meses de prisão por liderar organização criminosa com objetivo de mantê-lo no
poder, apesar da derrota nas urnas em 2022. É neste processo que Eduardo teria
tentado interferir, impedindo o andamento da ação penal por meio de pressão
internacional.
Votaram a favor do
recebimento da denúncia os ministros Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino
e Cristiano Zanin.
Relembre o caso:
O julgamento é realizado no
plenário virtual do STF, em que os ministros registram os votos por sistema eletrônico.
A análise vai até 25 de
novembro, a não ser que ocorra um pedido de vista (mais prazo para análise) ou
destaque (que leva o caso para sessão presencial).
Nesta etapa, os ministros da
Primeira Turma decidiram aceitar a denúncia. Com isso, será aberta ação penal
contra Eduardo Bolsonaro.
Como foi o voto de Moraes?
Segundo o ministro, Eduardo
Bolsonaro "insistiu na estratégia de ameaçar gravemente os ministros do
Supremo Tribunal Federal, inclusive alardeando a possível aplicação das sanções
aos demais ministros da Primeira Turma, órgão colegiado competente para julgar
a AP 2.668/DF, para favorecer seu pai, Jair Messias Bolsonaro".
Moraes explica que essa
grave ameaça contra os magistrados do Supremo se materializou pela
"articulação e obtenção de sanções do governo dos Estados Unidos".
Ou seja, com aplicação de
tarifas de exportação ao Brasil, o que está sendo chamado de tarifaço,
suspensão de vistos de entradas de diversas autoridades brasileiras no EUA e
aplicação dos efeitos da Lei Magnitsky a ele mesmo, ministro relator.
🔎O governo Donald Trump anunciou uma
sobretaxa de 50% a produtos brasileiros em território norte-americano. No
decreto, o chefe da Casa Branca afirmou, sem provas, que a decisão era porque o
Brasil estava cometendo injustiças contra Bolsonaro no processo. Porém, o
julgamento do ex-presidente ocorreu dentro dos trâmites tradicionais da
justiça.
🔎Moraes e a esposa, Viviane de Moraes,
também foram sancionados com a Lei Magnistky, mecanismo norte-americano que
impõe sanções econômicas para punir estrangeiros. Além dele, outros ministros
do STF e o advogado-geral da União, Jorge Messias, tiveram os vistos
cancelados.
"O elemento subjetivo
específico — favorecer interesse próprio ou alheio — evidencia-se, em tese,
pelo fato do denunciado pretender criar ambiente de intimidação sobre as
autoridades responsáveis pelo julgamento de Jair Bolsonaro também também sobre
as autoridades responsáveis por um possível projeto de anistia aos crimes
imputados a Jair Bolsonaro e corréus responsáveis pela tentativa de golpe de
Estado ocorrida no Brasil".
Por isso, de acordo com
Moraes, a Procuradoria-Geral da República demonstrou a presença da justa causa
necessária para a instauração de ação penal contra o acusado, tendo detalhado a
sua conduta criminosa.
O que diz a denúncia da PGR?
A PGR concluiu que Eduardo
Bolsonaro e Paulo Figueiredo cometeram o crime de coação no curso do processo.
🔎 Coação no curso do processo: ocorre
quando alguém emprega violência ou grave ameaça contra autoridade, parte ou
qualquer pessoa envolvida em processo judicial, policial, administrativo ou
arbitral, para favorecer interesse próprio ou de terceiros. A pena prevista é
de 1 a 4 anos de prisão.
Na denúncia, o Ministério
Público afirma que Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo atuaram para criar um
clima de instabilidade e temor, projetando represálias estrangeiras contra
autoridades brasileiras e o isolamento do país, com o objetivo de impedir
condenações no caso do golpe.
Segundo a PGR, a estratégia
visava proteger Jair Bolsonaro.
Por Márcio Falcão, Fernanda Vivas, TV Globo — Brasília


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