CNTE comemora reajuste do piso do magistério; prefeitos contestam.
MP eleva mínimo salarial
para R$ 5,1 mil, aumento de 5,4%
A Confederação Nacional dos
Trabalhadores em Educação (CNTE) classificou como vitória da mobilização da
categoria o anúncio do reajuste do piso salarial nacional do magistério para
2026, definido em medida provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
Para este ano, o valor será elevado
em 5,4%, passando de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63, válido para profissionais da
rede pública de educação básica de todo o país, com jornada de 40 horas
semanais. O percentual representa um ganho real de 1,5% acima da inflação
medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2025, que foi de
3,9%.
Para a presidente da CNTE,
Fátima Silva, a conquista precisa ser celebrada, mas ela apontou dados da
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que põe o
Brasil entre os países que pior remuneram os professores, o que mostra o
problema estrutural da categoria.
"Mesmo assim, a
conquista de um piso com ganho real representa um avanço importante, fruto da
mobilização da categoria e da luta permanente pela valorização da educação
pública", afirmou, em nota publicada pela entidade.
De acordo com a CNTE, o
critério de reajuste foi amplamente debatido no âmbito do Fórum Permanente do
Piso, com base nos princípios da previsibilidade e da sustentabilidade
orçamentária. Ainda segundo a entidade, as organizações representativas dos
secretários estaduais e municipais de educação concordaram com a proposta,
"reforçando o caráter pactuado, responsável e federativo da decisão".
O piso salarial é o valor
mínimo que professores devem ganhar no Brasil. A legislação determina a
recomposição anual do valor. A norma define que o piso será atualizado a partir
da soma do INPC do ano anterior e de 50% da média da variação percentual da
receita real, com base no INPC, relativa à contribuição de estados, Distrito
Federal e municípios ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação
Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), realizada nos
cinco anos anteriores ao ano da atualização. A lei também fixa que o percentual
estabelecido nunca poderá ser inferior à inflação do ano anterior, medida pelo
INPC.
Prefeitos reagem
Responsáveis pelos
pagamentos dos salários em âmbito municipal, os prefeitos reclamaram do valor
do reajuste. Em nota, o presidente da Confederação Nacional de Municípios
(CNM), Paulo Ziulkoski, manifestou inconformidade com a decisão. Segundo ele, o
impacto estimado será de até R$ 8 bilhões aos cofres municipais.
"É inaceitável que,
após anos de silêncio diante de reajustes elevados e ilegais — como os de 33,24%
em 2022, e de 14,95% em 2023 —, agora, quando o índice sinaliza 0,37%, o
governo federal se mobilize para editar uma MP sob o argumento de 'injustiça'
no cálculo. Essa incoerência fere a lógica da gestão pública responsável e
evidencia o uso político de um instrumento que deveria ser técnico e
estável", apontou.
Para a CNM, entidade que
representa os municípios de pequeno porte, aumentos reais nos vencimentos devem
ser negociados entre o governo de cada município e o respectivo quadro do
magistério, "pois dependem das condições fiscais e orçamentárias dos entes
locais e dos limites de despesas com pessoal pela Lei de Responsabilidade
Fiscal (LRF)".
Na semana passada, a Frente
Nacional dos Prefeitos (FNP), que representa cerca de 400 municípios com mais de
80 mil habitantes, já havia apontado preocupação com o reajuste. A entidade se
manifestou após reunião entre os ministros da Educação, Camilo Santana, e das
Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, com prefeito do Rio de Janeiro,
Eduardo Paes, que presidente a FNP.
"Antes do encontro, a
FNP encaminhou ofício ao ministro manifestando preocupação com o anúncio da
edição da Medida Provisória. No documento, assinado pelo prefeito Pedro Almeida
(Passo Fundo/RS), presidente da Comissão Permanente de Educação da entidade, a
FNP reafirma seu compromisso com a valorização dos profissionais da educação,
mas destaca que qualquer alteração no piso deve considerar a capacidade fiscal
dos municípios e vir acompanhada de responsabilidade orçamentária", disse,
em nota.
A federação também reforçou
a necessidade de previsão de aporte de recursos da União para custear eventuais
aumentos que extrapolem os parâmetros atualmente previstos em lei, e pontuou
que o reajuste do piso poderia comprometer o equilíbrio fiscal dos entes
locais.
As remunerações dos
profissionais da educação básica são pagas por prefeituras e estados a partir
de recursos do Fundeb, bem como de complementações da União. Por ser uma MP, a
medida tem validade imediata, mas precisará ser confirmada pelo Congresso
Nacional.
A medida provisória será
publicada na próxima edição do Diário Oficial da União (DOU), nesta
quinta-feira (22).
Agência Brasil


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