Receita Federal volta a negar taxação do Pix e alerta para golpes. Fake news voltaram a circular após novo vídeo de deputado.
A Receita Federal voltou a desmentir informações falsas que
circulam nas redes sociais sobre suposto monitoramento de transações via Pix
para cobrança de impostos.
Em nota oficial emitida nesta quarta-feira (14), o órgão
afirma que não existe tributação sobre o Pix nem fiscalização das movimentações
financeiras com esse objetivo, prática proibida pela Constituição Federal.
Segundo a Receita, mensagens alarmistas sobre “taxa do Pix”
ou “imposto sobre transferências” são completamente falsas. O Pix é apenas um
meio de pagamento, como dinheiro ou cartão, e não gera, por si só, qualquer
tipo de tributo.
Os boatos citam a Instrução Normativa nº 2.278, de agosto do
ano passado, como se ela autorizasse o rastreamento de transações individuais.
De acordo com o Fisco, a norma apenas estende às fintechs as
mesmas obrigações de transparência já aplicadas aos bancos tradicionais, dentro
das regras de combate à lavagem de dinheiro e à ocultação de patrimônio. Não há
acesso a valores individuais, origem ou natureza dos gastos dos cidadãos.
As informações falsas voltaram a ganhar força nas redes
sociais nas últimas horas, após o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) voltar a
publicar vídeos em que afirma que o governo voltará a monitorar o Pix. Há duas
semanas, o Fisco tinha emitido outro alerta de notícias falsas sobre taxação de
transações financeiras.
De acordo com a Receita, esse tipo de conteúdo tem como
objetivo enganar a população, gerar pânico financeiro e enfraquecer a confiança
em um dos principais meios de pagamento do país. O órgão afirma ainda que a
disseminação dessas mensagens atende a interesses do crime organizado e de
pessoas que se beneficiam da monetização e do engajamento gerado por notícias
falsas.
O que diz a instrução normativa
A Receita esclarece que a instrução normativa de agosto não
trata de taxação nem de monitoramento de transações financeiras. O órgão
reitera que a norma apenas estende às fintechs e instituições de pagamento as
mesmas obrigações de transparência já aplicadas aos bancos tradicionais desde
2015.
As informações repassadas ao Fisco não detalham transações
individuais, nem permitem identificar a origem ou a natureza dos gastos dos
usuários.
Segundo a Receita, a medida é fundamental para evitar que
fintechs sejam usadas por organizações criminosas para lavagem de dinheiro e
ocultação de patrimônio, como identificado em operações policiais recentes.
Reforma do IR
No mesmo comunicado, a Receita destacou informações
verdadeiras que vêm sendo distorcidas nas redes. Desde janeiro, quem recebe até
R$ 5 mil mensais está totalmente isento do Imposto de Renda. Para rendas de até
R$ 7.350, há desconto no valor devido.
Essas mudanças, segundo o Fisco, não têm qualquer relação com
Pix, monitoramento de transações ou criação de novos tributos.
Como se proteger de golpes
A Receita Federal alerta que a propagação de boatos sobre
impostos e Pix cria um ambiente favorável para a aplicação de golpes.
Criminosos se aproveitam da desinformação para enviar mensagens falsas por
redes sociais, telefone e aplicativos como o WhatsApp, tentando coagir vítimas,
solicitar pagamentos indevidos ou obter dados pessoais.
Para o órgão, esse tipo de prática é perigosa porque amplia o
alcance do crime e coloca a população em risco.
A orientação da Receita Federal é desconfiar de mensagens
alarmistas, evitar o compartilhamento de conteúdos sem fonte confiável e buscar
informações em canais oficiais do governo ou em veículos de imprensa
profissional.
Mensagens que pedem pagamentos, dados pessoais ou
“regularizações” relacionadas ao Pix e a impostos devem ser tratadas como
tentativas de golpe.
Agência Brasil

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