Três municípios recebem primeiras doses da vacina de dose única contra a dengue.
A estratégia tem como objetivo avaliar os resultados da
cobertura vacinal de pelo menos 50% dos moradores dessas cidades. O
público-alvo é formado por pessoas de 15 a 59 anos.
As doses fazem parte do contrato firmado entre o Ministério
da Saúde e o Instituto Butantan para a aquisição de 3,9 milhões de vacinas, que
serão distribuídas exclusivamente pelo SUS. O investimento total é de R$ 368
milhões. Segundo a pasta, o primeiro lote, com 1,3 milhão de doses, também será
destinado à imunização de profissionais da atenção primária que atuam nas
unidades básicas de saúde (UBS).
Ampliação da estratégia de imunização
O acordo prevê ainda a transferência da tecnologia
desenvolvida pelo Instituto Butantan para a empresa chinesa WuXi Vaccines, o
que poderá ampliar gradualmente a capacidade de produção nacional em até 30
vezes.
A estratégia de imunização começará pelos adultos de 59 anos
e será expandida de forma progressiva para faixas etárias mais jovens, até
alcançar pessoas a partir dos 15 anos.
Atualmente, o SUS também disponibiliza a vacina contra a
dengue produzida por um laboratório japonês, indicada para adolescentes de 10 a
14 anos e aplicada em duas doses. Desde a incorporação do imunizante, em 2024,
foram distribuídas 11,1 milhões de doses, das quais 7,8 milhões foram
efetivamente administradas.
Eficácia da vacina de dose única
A vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan
foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a
análise de dados de cinco anos de acompanhamento de 16 mil voluntários
participantes do ensaio clínico.
Na faixa etária de 12 a 59 anos, o imunizante apresentou
eficácia geral de 74,7% e proteção de 91,6% contra casos graves da doença e
quadros com sinais de alarme.
Além disso, a vacina também se mostrou eficaz em reduzir a
carga viral em pessoas infectadas pelo vírus da dengue. A conclusão foi
publicada na revista The Lancet Regional Health - Americas. Segundo a pesquisa,
embora alguns vacinados tenham apresentado infecção após a imunização, a
quantidade de vírus foi significativamente menor em comparação com os
participantes não vacinados, o que tende a resultar em quadros menos graves da
doença.
Para o levantamento, os pesquisadores analisaram amostras de
365 voluntários que apresentaram dengue sintomática entre 2016 e 2021, em 14
estados brasileiros.
Número de casos de dengue
Em 2025, o Brasil registrou 1.705.535 casos prováveis de
dengue, segundo dados do Ministério da Saúde. No ano passado, a doença provocou
1.776 mortes, enquanto outros 207 óbitos ainda estão sob investigação. Os dados
constam no Painel de Monitoramento das Arboviroses da pasta.
Segundo o ministério, esses números representam uma queda de
74% nos casos prováveis de dengue e 72% no número de mortes em relação a 2024,
quando foram contabilizados 6.563.561 casos prováveis e 6.321 óbitos.
Entre as regiões do país, o Sudeste lidera em número de casos
prováveis, com 1.171.467 registros, seguido pelo Sul (224.647), Centro-Oeste
(162.275), Nordeste (103.758) e Norte (41.348).
O mesmo padrão se repete em relação aos óbitos. O Sudeste
concentra o maior número de mortes por dengue, com 1.295 registros. Em seguida
aparecem as regiões Sul (220), Centro-Oeste (148), Nordeste (67) e Norte
(46).
Fonte: Brasil 61 –


Nenhum comentário