TSE propõe novas regras e recebe sugestões sobre eleições de 2026
Manifestações na pré-campanha e conteúdos digitais estão
entre temas
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou nesta semana 12
minutas com propostas de alterações nas regras para as Eleições 2026. As
mudanças tratam de calendário eleitoral, manifestações na pré-campanha,
pesquisas eleitorais, critérios para distribuição de recursos eleitorais e
responsabilidade pela remoção de conteúdos digitais com ataques ao processo
eleitoral, entre outros temas.
Desde segunda-feira (19), qualquer cidadão ou entidade que
queira opinar sobre as regras para as Eleições 2026 pode usar um formulário
eletrônico para enviar contribuições. As sugestões serão recebidas até 30 de
janeiro.
Terminado o prazo, o TSE deverá selecionar as melhores
propostas para serem apresentadas em uma série de audiências públicas marcadas
entre os dias 3 e 5 de fevereiro. Pela Lei das Eleições, o plenário do TSE tem
até 5 de março do ano eleitoral para debater e aprovar todas as normas.
Conforme determinado pela Constituição, o primeiro turno das
Eleições 2026 ocorrerá em 3 de outubro, primeiro domingo do mês, e o segundo
turno, em 31 de outubro, último domingo. Neste ano, os eleitores devem votar
para presidente, governador e senador, além de deputados federal, estadual e
distrital.
>> Confira as 12 minutas de resolução eleitoral para
2026 no portal do TSE.
Redes sociais e IA
Como de praxe, as minutas de resolução eleitoral foram
assinadas pelo vice-presidente do TSE, posto atualmente ocupado pelo ministro
Nunes Marques.
Entre as principais sugestões está o aumento da
responsabilidade das plataformas de redes sociais por conteúdos que promovam
ataques ao processo eleitoral. O ministro propôs que as empresas provedoras
sejam obrigadas a retirar do ar as publicações mesmo sem autorização judicial.
Pela regra vigente, que valeu para as últimas eleições
municipais, os provedores de serviços de redes sociais somente poderiam ser
responsabilizados caso descumprissem alguma decisão judicial. Nunes Marques
propôs aumentar o rigor contra esse tipo de conteúdo.
O ministro, contudo, deixou inalteradas as regras sobre a
utilização de inteligência artificial durante a campanha. Em 2024, o TSE
aprovou uma série de normas para o uso de IA na propaganda eleitoral, incluindo
a vedação do chamado deep fake ─ conteúdo fabricado em formato de áudio, vídeo
ou combinação de ambos e que tenha sido gerado ou manipulado digitalmente para
criar, substituir ou alterar imagem ou voz de pessoa viva, falecida ou
fictícia.
>> Entenda as regras para utilização de IA nas
eleições.
Pré-campanha
O ministro também incluiu novas exceções para o comportamento
de candidatos na pré-campanha. Ele propôs, por exemplo, liberar as lives em
perfis nas redes sociais de pré-candidatos, desde que essas transmissões ao
vivo não tenham pedidos de votos ou menções às pré-candidaturas.
Ele também propôs regras mais claras para isentar pessoas
naturais por críticas feitas à administração pública atual, mesmo se feita com
a contratação de impulsionamento na internet, “desde que ausentes elementos
relacionados à disputa eleitoral”, escreveu o ministro.
A proposta assinada por Nunes Marques libera as manifestações
espontâneas “em ambientes universitários, escolares, comunitários ou de
movimentos sociais, respondendo os responsáveis por eventuais abusos nos termos
da lei”. A exceção seria válida somente se a presença do pré-candidato no local
ou o evento não tiverem sido financiados, direta ou indiretamente, por
pré-candidatas, pré-candidatos, partidos ou federações.
Em relação ao financiamento de campanha, Nunes Marques
sugeriu, por exemplo, que os partidos possam alterar os critérios de
distribuição dos recursos até o 30 de agosto, desde que a mudança seja
justificada. Tais critérios devem ser aprovados pela maioria do diretório
nacional das siglas.
Agência Brasil


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