Cartórios de Notas da Paraíba registram aumento de quase 45% nos testamentos.
Caso envolvendo herança do tio de Suzane von Richtofen
reacende debate sobre planejar o destino do patrimônio construído ao longo da
vida. Número de atos cresceu 44,9% no estado nos últimos cinco anos.
A recente repercussão sobre o destino da herança de Miguel
Abdalla Netto, tio materno de Suzane von Richtofen, reacendeu o debate sobre um
tema que tem deixado de ser tabu no Brasil nos últimos anos: a importância de
planejar o destino do patrimônio construído ao longo de uma vida. Dados
compilados pelos Cartórios de Notas do Brasil apontam que o número de
testamentos na Paraíba cresceu 44,9% nos últimos cinco anos.
Solteiro, sem filhos e sem ter deixado testamento, Abdalla
Netto deixou um patrimônio estimado em cerca de R$ 5 milhões, o que levantou
questionamentos sobre quem teria direito à herança e quais regras se aplicam
quando não há manifestação formal de vontade sobre a destinação dos bens. Nesta
situação, o caminho acaba sendo a Justiça, que ainda terá que decidir se o
médico aposentado teria mantido união estável com Silvia Magnani, também sem
registro formal.
Um contexto que começa a mudar ano após ano no estado. Entre
2020 e 2025 o total de testamentos cresceu 44,9%, passando de 247 atos feitos
em Cartórios de Notas para 358 no ano passado. O aumento vem com a facilitação
do ato agora poder ser feito pela internet, diretamente pela plataforma
eletrônica e-Notariado (www.e-notariado.org.br).
"Esse aumento de quase 45% revela uma transformação na
forma como as famílias paraibanas encaram o futuro", destaca Lucas de
Brito, presidente do Colégio Notarial do Brasil - Seção Paraíba. "O
testamento deixou de ser tabu e passou a ser visto como ferramenta essencial de
organização patrimonial, acessível a pessoas de diferentes perfis e realidades
econômicas”, finaliza.
A ausência de um testamento faz com que a herança siga a
chamada sucessão legítima, obedecendo à ordem prevista no Código Civil: filhos,
pais, cônjuge ou companheiro e, na ausência desses, parentes colaterais, como
sobrinhos, até o quarto grau, como no caso atual envolvendo a família von
Richtofen. Quando não há herdeiros identificados, os bens podem ser declarados
vacantes e destinados ao Estado.
Como fazer
O testamento pode ser feito de forma presencial em qualquer
Cartório de Notas da Paraíba ou de forma digital pela plataforma e-Notariado.
Na opção física, o interessado deve comparecer a um Cartório de Notas com seus
documentos pessoais, informação sobre os bens existentes, dados dos
beneficiários e duas testemunhas maiores de 18 anos.
Já pela via eletrônica, o cidadão agenda atendimento online
com um tabelião, realiza uma videoconferência para manifestação de vontade –
com a presença de duas testemunhas - e assina o ato com certificado digital
notarizado, emitido gratuitamente pelos próprios Cartórios, inclusive em
formato digital. O valor do testamento é tabelado por Lei Estadual em cada um
dos Estados da Federação.
A maior conscientização sobre os desgastes causados por
conflitos envolvendo heranças, a complexidade crescente das relações familiares
contemporâneas e um cenário de patrimônio cada vez mais diversificado — que
inclui imóveis, investimentos, empresas e até ativos digitais — tem feito com
que cada vez mais brasileiros decidam não correr o risco de ver o patrimônio de
uma vida se perder em disputas sem fim na Justiça.
Sobre o CNB – Colégio Notarial do Brasil
O Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF) é a
entidade de classe que representa institucionalmente os tabeliães de notas
brasileiros e reúne as 24 Seccionais Estaduais. O CNB/CF é filiado à União
Internacional do Notariado (UINL), organização não governamental que congrega
89 países e representa o notariado de tipo latino, presente em mais de 100
nações, abrangendo dois terços da população global e cerca de 60% do PIB
mundial.
Assessoria de Imprensa do Colégio Notarial do Brasil


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