Programa Cisternas entrega 8.270 unidades na Paraíba entre 2023 e 2025
Em todo o país, são mais de 100 mil equipamentos concluídos,
88% no Nordeste. Iniciativa do Governo do Brasil garante captação e
armazenamento de água para períodos de estiagem, estimula a agricultura
familiar e prioriza mão de obra local nas construções.
Iniciativa voltada para captação e armazenamento de água em
áreas de escassez hídrica, o Programa Cisternas teve uma retomada expressiva na
Paraíba na atual gestão do Governo do Brasil. O estado recebeu 8.270 unidades
em três anos: 570 em 2023, 4.200 em 2024 e 3.500 em 2025. Numa comparação entre
2025 e 2022 (quando foram concluídas 615 unidades no estado), o crescimento é
de 469%. Os sistemas de armazenamento garantem consumo familiar e o uso em
escolas, lavouras e criação de animais.
A tecnologia social incentivada pelo Governo do Brasil desde
2003 voltou a ser prioridade em 2023 e mudou cenários, criou oportunidades e
significou melhoria de renda a dezenas de milhares de famílias. O programa
fechou 2025 com 104.300 unidades de captação e armazenamento de água entregues
desde o início deste mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na
comparação entre 2025 (48.900) e 2022 (quando foram entregues 6,7 mil cisternas
em todo o país), o crescimento é de 630%.
ESTADOS – Do total de estruturas finalizadas desde o início
do mandato, 88,6% estão no Nordeste (confira infográfico). Só em 2025, foram
48.900 entregas, 43 mil na região. Em alguns estados, a evolução é acentuada.
Em Pernambuco, o salto foi de 15 finalizadas em 2022 para 4.400 em 2025,
crescimento de 29.200%. Outros avanços expressivos ocorreram no Maranhão, de 19
para 701 (3.500%), e no Rio Grande do Norte, de 218 para 2.300 (955%). Na
Bahia, a quantidade de entregas desde 2023 (21.200) é a segunda maior da região
Nordeste, atrás apenas do Ceará (28.900). Praticamente uma em cada cinco
cisternas do país beneficiaram municípios baianos.
O QUE É – O Programa Cisternas promove o acesso à água por
meio de tecnologias simples e de baixo custo. O público-alvo é composto por
famílias da zona rural com renda per capita de até meio salário mínimo, e
equipamentos públicos rurais atingidos pela seca ou falta regular de água. As
famílias devem estar no Cadastro Único do Governo do Brasil. Pelo Novo PAC, são
mais de 189 mil unidades contratadas na atual gestão, em uma meta de 219 mil.
Há 1.037 municípios contemplados em 19 estados, por meio de 30 parcerias que
somam R$ 1,7 bilhão em investimento. Desde 2003, são 1,34 milhão de unidades
entregues.
PRIORIDADE – O semiárido brasileiro é a região prioritária de
atendimento. Nela, a principal tecnologia são as cisternas de placas, que
captam e armazenam água de chuva para uso nos meses mais críticos de estiagem.
O programa, contudo, tem um conjunto extenso de tecnologias sociais. As
cisternas de 16 mil litros são voltadas ao consumo humano, para beber, cozinhar
e escovar os dentes. Tecnologias como as cisternas de 52 mil litros têm o
objetivo de viabilizar a produção de alimentos e suprir a necessidade de
animais. Há ainda vertentes específicas para escolas públicas rurais e sistemas
multiuso, em modelos individuais e comunitários, implementadas principalmente
na região Norte.
A colaboração com a sociedade civil é essencial para alcançar
áreas onde o poder público sozinho não conseguiria chegar. O Programa Cisternas
é exemplo disso. Ele foi uma mudança de paradigma no enfrentamento à seca e na
convivência com o semiárido. Nos ensinou como melhorar condições de vida,
cultivos, saúde, a vida das mulheres nesse bioma. Nós, como Governo Federal,
seguimos juntos para continuar produzindo esse processo participativo e que nos
levou a chegar a mais de um milhão de cisternas no Semiárido e a expandir para
a Amazônia” - Lilian Rahal, secretária de Segurança Alimentar e Nutricional do
MDS
AMBIENTE ESCOLAR – Na Ilha de Marajó (PA), 260 cisternas
mudaram a realidade do ambiente de ensino no município de Salvaterra.
Abastecidas por poços artesianos, as escolas da região ficavam muitas vezes sem
água quando faltava energia para as bombas d'água, o que dificultava a limpeza
das salas, o preparo de alimentos e a higiene. Crianças e professores eram
obrigados a voltar para casa. Com as cisternas, a captação no período chuvoso
assegura o fornecimento na seca. "Essa água garante higiene pessoal, limpeza,
irrigação da horta e serve para o nosso consumo e da comunidade", explica
Siane Cristina Lopes, merendeira que recebeu capacitação para o uso das
cisternas. “Aprendemos a limpar a cisterna, usar os equipamentos e garantir
água segura”.
ENXURRADA - No município cearense de Morada Nova, Francisco
Regivaldo Assunção viu o cotidiano mudar diante das tecnologias sociais do
Programa Cisternas. Antes, nos períodos secos, ele disputava espaço no açude
com animais. Atualmente, não só tem a cisterna que armazena água para o consumo
cotidiano, como conta com uma cisterna de enxurrada para captar água de um
córrego e acumular em outro reservatório para garantir a produção de frutas e
hortaliças.
“Antes acontecia de eu chegar para pegar água e ter gado
dentro. Eu tangia para pegar a água para o consumo da casa. Aí, graças a Deus,
a gente ganhou a cisterna do consumo para beber. Passou um tempo, e agora a
gente ganhou essa outra, de produção. A água do córrego vem para cá, tipo
filtrando. Depois passa por canos e cai dentro da cisterna. Como é uma água que
vem do solo, é mais fertilizada e já ajuda a produzir. E assim as coisas vão
melhorando, né?”, explicou.
TECNOLOGIA – O conceito de tecnologia social é central. Ele
pressupõe participação dos beneficiários nas diversas etapas. A mão de obra
para construir as estruturas é escolhida na comunidade, para gerar
oportunidades de trabalho e movimentar a economia. Geralmente, as famílias e os
pedreiros passam por formação do próprio programa.
“A colaboração com a sociedade civil é essencial para
alcançar áreas onde o poder público sozinho não conseguiria chegar. O Programa
Cisternas é exemplo disso. Ele foi uma mudança de paradigma no enfrentamento à
seca e na convivência com o semiárido. Nos ensinou como melhorar condições de
vida, cultivos, saúde, a vida das mulheres nesse bioma. Nós, como Governo
Federal, seguimos juntos para continuar produzindo esse processo participativo
e que nos levou a chegar a mais de um milhão de cisternas no Semiárido e a
expandir para a Amazônia”, disse Lilian Rahal, secretária de Segurança
Alimentar e Nutricional do MDS.
PRODUÇÃO AMPLIADA – A agricultora Iolanda Santos vive na
comunidade Paiol, em Parnarama, no leste maranhense, e sente os resultados do
programa de forma direta no cotidiano. “Antes, a gente plantava uma quantidade
só para consumo. Hoje, a gente planta uma quantidade maior, para consumir e
vender. Isso gera renda”, relatou, lembrando que era comum a comunidade passar
até 30 dias diretos sem água por ano. Hoje, há 238 cisternas em Parnarama, 124
entregues entre 2024 e 2025.
ENGRENAGEM PRODUTIVA – O produtor Erasmo da Silva atua na
zona rural de Boqueirão, município do sertão do Cariri, na Paraíba, e avalia
que o Programa Cisternas, articulado com outros programas sociais do Governo do
Brasil, melhorou a segurança hídrica e abriu oportunidades. “O Programa
Cisternas foi uma bênção e ajudou nos quintais produtivos, que permitem que os
agricultores plantem em quantidade e com garantia de compra governamental via
Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)”, ressaltou o morador do município de
18 mil habitantes, que já teve 130 cisternas entregues entre 2024 e 2025. O PAA
destina os produtos comprados da agricultura familiar a escolas, restaurantes
populares, cozinhas comunitárias e bancos de alimentos.
COEXISTÊNCIA – Francisco Linhares cultiva ovos, mel, leite,
feijão, abóbora, acerola e pitanga em Senador Pompeu, município de 25 mil
habitantes no centro do Ceará. A tecnologia de acesso à água transformou a
relação do agricultor com o ambiente de chuvas escassas. Garantiu água potável
à família e se tornou base para o desenvolvimento produtivo. Conectado ao
programa desde 2006, hoje a propriedade dele tem um sistema hídrico completo,
com cisternas, água de reúso, fossa ecológica e sistema agroflorestal. “A seca
sempre existiu. A pessoa tem que aprender a conviver com ela”. No município
cearense, 423 cisternas foram entregues desde janeiro de 2023.
DIVERSIFICADO – Para Vitor Santana, coordenador do programa
no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate, ao
longo dos anos a iniciativa tem se mostrado efetiva não apenas por garantir
acesso à água, mas por outros diversos benefícios correlatos. “O programa tem
impactos significativos e diversos, como a redução na incidência de doenças de
veiculação hídrica, da mortalidade infantil, o aumento e diversificação da
produção agroalimentar, por dinamizar a economia local e gerar renda às
famílias beneficiárias”, resumiu.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República


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